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Património Industrial - Arquitectura Industrial Moderna (1925-1965)

Fábrica de Cimento Maceira - Liz

Designação

Fábrica de Cimento Maceira - Liz

Localização

Apartado 28

Freguesia / Concelho / Distrito

Maceira / Leiria / Leiria

Função

Indústria Química - cimenteira: edifícios industriais-administrativo-sociais

Época

Memória Descritiva de 1965

  • Edifício da moagem / Foto: DE/ IPPAR

  • Edifício do clínquer e da moagem / Foto: DE/ IPPAR

  • Vista geral–maqueta / Foto: DE/ IPPAR

Caracterização

Autor: Gabinete técnico e de desenho da fábrica de cimento Maceira-Liz (?)

Inserida no universo das principais indústrias de Novecentos - cimenteira - a fábrica da Maceira – Liz inaugura no ano de 1923. Esta nova indústria de cimento vem colmatar o défice de produção deste produto existente em Portugal e introduz uma inovação tecnológica ao fabricar o cimento Portland artificial por fornos rotativos. Contrariamente à maioria das fábricas esta produção depende da proximidade das matérias-primas, justifica-se assim a escolha de um lugar ermo para implantar uma das principais unidades industriais do país.

Em constante desenvolvimento e ajuste tecnológico desde os anos vinte de Novecentos, esta unidade fabril reúne um vasto, diverso e distinto repositório construtivo, muito dele dependente exclusivamente do seu cumprimento funcional, ensaiando inovadoras soluções formais através da necessária maquinaria localizada ao ar livre – fornos rotativos e torres ciclone, por exemplo. A afectação de um amplo território desabitado à indústria conduziu à construção estruturas sociais indispensáveis ao corpo técnico e operário, desenvolvendo-se numa escala muito mais modesta os princípios orientadores de modelos utópicos de cidades industriais.

Das múltiplas construções que formam este conjunto industrial destaca-se o edifício n.º 7 da moagem de cimento. Utilizando exclusivamente o betão, nas suas diversas soluções, este corpo paralelepipédico cumpre rigorosamente objectivos funcionais. A exigência de um vão interno livre de pilares para a colocação de maquinaria remeteu para soluções baseadas em pórticos de betão armado, ligados entre si por vigas (betão armado) onde se apoiam as paredes das fachadas compostas por duas maciças lajes (betão armado) que por sua vez também foram utilizadas para a cobertura deste corpo. A libertação de um fino pó de cimento nas operações de moagem é reconhecível no desenho das fachadas através da utilização de persianas em betão, constituindo assim um verdadeiro sistema de ventilação.

Respondendo a requisitos puramente funcionais e utilizando materiais dependentes somente da indústria cimenteira, esta construção assume involuntariamente, isto é, sem pretensões, uma expressão de modernidade reconhecível no seu puro volume paralelepipédico apenas quebrado pela plasticidade das persianas de ventilação que simultaneamente lhe conferem uma extraordinária leveza.

Esta fábrica foi implantada num território de tradições agrícolas. Havia, no entanto, também uma tradição de exploração das matérias – primas locais, devido às importantes formações calcárias daquela área geográfica, que desde o último quartel do século XIX alimentava pelo menos um forno de cal e mais tarde (1900+/-) uma fábrica de cimento natural.

Mas foi com a construção da fábrica de cimento Portland da Maceira que este território se transformou por completo. Na Maceira além da implantação de um modelo vertical de produção – exploração das matérias-primas até à elaboração do produto final e respectiva embalagem – desenvolveu-se um verdadeiro projecto de escala urbana para todos os funcionários da fábrica. As instalações sociais construídas incluem de um modo lato – habitações para engenheiros e operários, escolas primárias, igreja, restaurante, piscina, balneários, casa de pessoal, campos de jogos e jardim.

A Fábrica de Cimentos da Maceira-Liz reveste-se de importância nacional, tendo desempenhado desde a sua inauguração (1923) um importante papel na economia, na tecnologia e nos inerentes aspectos sociais. Aquando da sua fundação a fábrica Maceira-Liz tinha duas concorrentes em Portugal – a fábrica de Alhandra (1894) e a fábrica da Rasca – Outão (1906). A produção destas duas fábricas não era, no entanto, suficiente para abastecer o mercado nacional e continuava-se a recorrer a importações. Esta fábrica de cimento iria preencher não só este défice de produção como, simultaneamente, introduzia uma nova concepção tecnológica no fabrico do cimento – fabricação do cimento Portland artificial por meio de fornos rotativos metálicos.


Deolinda Folgado / Docomomo Ibérico
Junho 2002


Classificação

Sem classificação