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Património Industrial - Arquitectura Industrial Moderna (1925-1965)

Siderurgia Nacional

Designação

Siderurgia Nacional, S.A.R.L.

Localização

Aldeia de Paio Pires

Freguesia / Concelho / Distrito

Aldeia de Paio Pires / Seixal / Setúbal

Função

Indústria de Fundição e Metalúrgica: edifícios industriais-administrativo-sociais

Época

Projecto entre 1958-60

  • Edifício administrativo / Foto: DE/ IPPAR

  • Alto forno / Foto: DE/ IPPAR

Caracterização

Autores: DEMAG (empresa alemã em Rheinstahl, Sybetra - Still) - Alto Forno e edifício da aciaria Arqº Fernando Silva - escritórios/ administração

De escala urbana a vasta área industrial dedicada à fabricação do aço por via integrada desenvolve-se numa orgânica lógica produtiva e de circulação, integrando um diverso universo de soluções construtivas – formais dependentes da sua feição funcional ou produtiva. Aproveitando uma área natural junto do estuário do Tejo – importante via de circulação, onde se localizavam antigos moinhos de maré, a implantação da siderurgia nacional converteu e transformou este local num sítio de excelência industrial, que à época simbolizava a modernidade e progresso nacional, correspondendo a um modelo de auto-suficiência de produção de um bem que era sinónimo de riqueza – o aço – alimentando um conjunto de indústrias ou empresas contemporâneas – caminhos-de-ferro; construção civil; obras públicas, etc..

Elemento basilar no processo de fabricação do aço por via integrada, o alto forno organiza o processo siderúrgico a montante (todas as operações para o tratamento das diferentes matérias primas) e a jusante (fabricação dos diferentes produtos – longos, laminagem, etc.), representando simultaneamente o momento da fabricação da gusa e a estrutura mais carismática do recinto produtivo.

O alto forno (DEMAG) é a máxima expressão de um formalismo exclusivamente utilitário, ostentado no gigantismo da sua dimensão e na sua sintaxe plástica, representando um paradigmático hino à imagética máquina a que o espirito Bauhausiano procurou responder. Os sólidos edifícios da aciaria e da laminagem (DEMAG), grandes naves adaptáveis à circulação aérea de imponentes maquinismos, estruturam-se em pilares construídos a partir de um sistema modulado em betão armado. De feição ascética, estes geométricos edifícios despojados de qualquer elemento decorativo, valorizam-se no seu silêncio parietal só quebrado pela imperiosa necessidade de ventilação, ao nível do solo, e pelo seu ritmado sistema de coberturas semicirculares equacionado para uma iluminação zenital associada, mais uma vez, à circulação do ar.

É no edifício da administração (F. Silva) que a gramática utilizada se identifica, mais claramente, com o léxico modernista. Fortemente marcado por uma horizontalidade cortada por uma fenestração assumida por caixilhos verticais em alumínio, o paralelepipédico volume distingue-se por um oblíquo movimento, lembrando um perfil em “borboleta”, que agarra os pilotis discretamente disfarçados pelo uso de materiais como o vidro ou a pedra, formando um recuado vão fechado e no qual se instalaram alguns serviços e a nobre entrada valorizada por escada helicoidal.

A fabricação do aço por via integrada finalizou no ano 2001. O alto forno foi substituído por um forno eléctrico que fabrica o aço aproveitando e reciclando sucata. De valor patrimonial inquestionável, o conjunto industrial da antiga siderurgia nacional encerra um ciclo técnico que se desenvolveu ao longo de vários séculos. O emblemático alto forno sintetiza e integra a máxima expressão técnica da produção do aço em Portugal no século XX.

Este conjunto industrial insere-se numa área de excepção pertencente ao estuário do Tejo. Esta proximidade com o rio Tejo deve-se à necessidade de uma fácil entrada de matérias primas e de um rápido escoamento do produto, de modo a que a produção de aço por via integrada saísse a preços mais baixos. Assim, uma ampla língua de areia, onde primitivamente se localizava a Quinta da Palmeira e o seu moinho de maré foram transformados num gigantesco estaleiro siderúrgico.

A opção pela construção de um alto de forno que tratasse o aço pela via integrada em Portugal, de acordo com a tecnologia coetânea, prende-se com a opção por uma política de auto-suficiência, em que cada país produzia e desenvolvia um determinado sector produtivo para, essencialmente, abastecer o mercado interno. A existência de altos fornos era sinónimo de progresso tecnológico e político e Portugal viu a sua modernidade industrial chegar por volta dos anos 60, quando alguns sectores químicos já se encontravam em franco desenvolvimento.


Deolinda Folgado/ Docomomo Ibérico
Maio 2002


Classificação

Sem protecção