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Património Industrial - Arquitectura Industrial Moderna (1925-1965)

Fábrica Barros

Designação

Fábrica Barros

Localização

Avenida Infante D. Henrique nº331- 331 A, Avenida de Pádua nº7 – 7B

Freguesia / Concelho / Distrito

Santa Maria dos Olivais / Lisboa / Lisboa

Função

Indústria Têxtil – lanifícios: edifícios industriais-administrativo-sociais

Época

Projecto entre 1947-52 e construção em 1958

  • Fachada Principal / Foto: DE/ IPPAR

  • Área fabril / Foto: DE/ IPPAR

Caracterização

Autores: Arqº Cottinelli Telmo (ante - projecto) e Arqº António Veloso Camelo

Engº João Barata Gagliardini

Inserida na lógica de industrialização da Lisboa oriental, a fábrica Barros impõe-se com grandeza à via pública. Conformando-se à morfologia do terreno e explorando o gaveto, este edifício revela uma análoga volumetria horizontal quebrada apenas pelo léxico funcional expresso nas duas imponentes fachadas.

Respeitando na generalidade o anteprojecto de Cottinelli Telmo (1947), António Veloso Camelo, introduz, no entanto, algumas alterações formais ou programáticas, como a eliminação do edifício destinado à armazenagem de matérias-primas.

Articulando vários corpos ligados entre si esta edificação apresenta-se como um bloco unitário imbuído de uma lógica de funcionamento racional, organizando programaticamente a Norte todas as secções de fabrico dos tecidos de lã, e estendendo-se a Sul, ao longo da avenida, as áreas afectas aos escritórios, habitação do guarda, acabamentos, armazenamento, vestiários, refeitório e outras dependências várias. A afirmação vital de uma indústria de lanifícios está bem patente na entrada de luz constante permitida pela opção dos grandes vãos em shed rematados na fachada por amplos janelões ritmados pelos vários corpos funcionais. Acede-se a este complexo, organizado em pátio interno, por um grande vão rematado por uma pala côncava que com alguma simetria organiza os dois corpos do foro administrativo e social.

Programa caracterizado por exigências funcionais, distingue-se pelo tratamento formal do remate do edifício que como um friso percorre toda a sua extensão, integrando o movimento da moderna pala, propagando-o nos remates da platibanda ou conferindo molduras horizontais a vãos de janelas. É nesta linearidade horizontal que se encontram os elementos compósitos identitários do conjunto, conferindo-lhe uma unidade formal.

Este conjunto insere-se num projecto industrial mais vasto, desenhando o que à época se poderia designar de parque industrial. Aliás, este parque industrial (anos 40-50) localiza-se numa área geográfica sequencial de grande industrialização da zona Oriental de Lisboa, desde praticamente o início do século XIX. Ainda que no século XVIII já se tenha assistido à instalação de algumas indústrias manufactureiras na área dos Olivais e Chelas, em antigas quintas, como por exemplo a fabricação de alfinetes. A Fábrica Barros instala-se, então, frente a uma via de circulação que define e delimita a área industrial dos Olivais, ao longo da qual se foram construindo outras indústrias, nomeadamente o Consórcio Laneiro.


Deolinda Folgado/ Docomomo Ibérico
Junho 2002


Classificação

Sem Protecção