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Património Cultural

Projetos 25/10/2022

Espada de D. Dinis foi retirada do túmulo

Desaparecida há cerca de sete séculos a espada do rei D. Dinis foi agora retirada do seu túmulo no Mosteiro de Odivelas para ser restaurada e estudada por uma equipa coordenada pela Direcção-Geral do património Cultural.

Para saber mais

O túmulo de D. Dinis e do Infante de Portugal encontram-se ambos na Igreja do Mosteiro de Odivelas, o primeiro na abside esquerda, o segundo na abside direita. O Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo foi fundado no ano de 1295 em Odivelas pelo rei D. Dinis (r. 1279-1325).

O Mosteiro de S. Dinis em Odivelas e Igreja Matriz - classificados como Monumento Nacional, por Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23-06-1910, e dispõem de uma ZEP - Zona Especial de Proteção - por Portaria nº 629/2013, de 20 de novembro.

Com a extinção das Ordens Religiosas o convento passa a ser propriedade do Estado em finais do século. XIX. Entre 1900 e 2015 funcionou neste monumento o Instituto de Odivelas, escola destinada a filhas de militares e em 2019 o Exército assinou um contrato de cedência do edifício, por 50 anos, com a Câmara Municipal de Odivelas.

Em 2016, iniciou-se a “Intervenção conservativa e prospetiva”, a primeira aproximação ao túmulo para identificar os materiais constituintes, as técnicas de execução e as diferentes intervenções de restauro ao longo dos tempos, com o objetivo de realizar um diagnóstico que permitisse definir os tratamentos e metodologias adequados para uma intervenção de conservação e restauro integral. O financiamento foi totalmente assumido pela DGPC.

Na sequência dos trabalhos de registo orto-fotogramétrico, limpeza superficial e consolidação, foi elaborado um diagnóstico para aprofundar na conservação e restauro dos dois túmulos numa seguinte fase.

Através da introdução de endoscópio por uma falha nos pés do jacente, foram identificados restos osteológicos humanos e restos de tecido, misturados com materiais procedentes de obras contemporâneas (entulho, cimento, folhas, madeira, tijolo). As sondagens revelaram a possibilidade de abertura, removendo o cimento que selava a tampa por procedimentos manuais.

Foi ainda identificado o mau estado de conservação das coberturas e paramentos da capela, obrigando a obras de conservação no edifício.

Em 2017, iniciou-se a “Intervenção de conservação e restauro-túmulo D. Dinis” através duma Candidatura da Câmara Municipal de Odivelas ao Programa Operacional Regional de Lisboa 2020.

Esta candidatura visava a recuperação de coberturas, vãos (vitrais), paramentos exteriores e interiores (pedra e pintura mural) da capela-mor e absidíolos; a conservação e restauro dos túmulos-elementos pétreos e policromias; a limpeza e registo arqueológico., o estudo bioantropológico; o estudo e conservação dos têxteis; assim como o registo fotográfico e videográfico de todo o processo com produção de documentário; a divulgação do processo de conservação e restauro dos túmulos;  a edição de publicação relativa à investigação histórica em torno das arcas tumulares e a modelação Tridimensional dos Túmulos.

Através duma abordagem metodológica de articulação arqueo-antro-conservação em intensa parceria entre os técnicos da DGPC e os técnicos da Câmara Municipal de Odivelas, a abertura do Túmulo permitiu encontrar um contexto perturbado.

Procedeu-se ao levantamento dos restos desarticulados (os restos articulados foram deixados in situ de forma a não destruir o restante espólio), do espólio intrusivo (gesso, tijolo, madeira, insetos, plantas, jornal 1939, cordas) e foi feito o registo fotográfico.

 

Através da inspeção radiográfica foi identificada uma espada, que apesar de ter a ponteira destacada, se encontrava em relativamente bom estado de conservação.

Perante esta importante descoberta foram equacionados diversos cenários relativamente à permanência ou levantamento da espada, tendo em atenção as preocupações com a segurança; a manutenção da integridade do contexto funerário e o cumprimento dos prazos dos trabalhos, estando prevista como medida de conservação preventiva, a desinfestação por anóxia e a instalação duma câmara de monitorização.

Depois de analisados os relatórios, sobre esta questão, das diferentes equipas envolvidas foi decidido pela Direção da DGPC o levantamento integral do espólio do interior do túmulo.

Esta decisão prendeu-se com a impossibilidade de garantir a integridade do contexto funerário e um ambiente apropriado dentro do túmulo, uma vez que os vestígios se encontram em contacto direto com a pedra e, como tal, sujeitos a alterações ambientais, e, por outro lado, à oportunidade de estudo dos vestígios encontrados aliada à intenção da Câmara Municipal proceder à constituição de um Centro Interpretativo no local