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Património Cultural

Iniciativas 12/10/2022

Conferência da NEMO em Loulé: museus europeus, inovação e resiliência

Ao longo de três dias, de 9 a 11 de outubro, Loulé foi o palco de debate, apresentações e trocas de ideias sobre algumas das grandes questões que se colocam aos museus nos tempos disruptivos que estamos a atravessar. A Direção-Geral do Património Cultural associou-se à Câmara Municipal de Loulé para trazer para Portugal a conferência anual da NEMO - Network of European Museum Organisations -, atraindo cerca de 200 profissionais, oriundos de 40 países.

Coube a Michael Edson, consultor e estratega norte-americano com uma carreira sedimentada na Smithsonian Institution of Museums (em Washington), colocar as primeiras questões desafiantes, enquanto conferencista convidado: Como é que o setor dos museus está a responder a um mundo em chamas? Porque é que os museus têm dificuldade em desenvolver ações promotoras da mudança? Salientando a velocidade das alterações do mundo contemporâneo, Michael Edson sublinhou a necessidade de os museus definirem com rigor e clareza os fundamentos das suas práticas culturais e da relação com a sociedade no sentido de intervir no debate e nas ações em resposta às alterações climáticas, um tema que as instituições culturais não podem ignorar.

Ao longo dos vários painéis, as questões de liderança, mudança organizacional, impacto e experimentação foram tópicos comuns, designadamente no que toca à agilidade necessária na resposta às crises. No painel dedicado à inovação, Clara Camacho apresentou, em representação da DGPC, o projeto Compromisso de Impacto Social das Organizações Culturais, que está presentemente a ser desenvolvido em colaboração com o Plano Nacional das Artes, e será apresentado publicamente até ao final do corrente ano. No plano experimental revestiu-se de particular interesse o painel dedicado a erros e falhanços, em que foram partilhados projetos que não tiveram os resultados esperados e analisadas as causas e consequentes aprendizagens para as instituições envolvidas.

Além das sessões plenárias, tiveram lugar cinco workshops que incidiram sobre temas como a digitalização do património, a avaliação do impacto dos museus e o aprofundamento do pensamento em rede. Também reuniram os grupos de trabalho da NEMO que abordaram a educação em museus, a digitalização e direitos de autor, as relações públicas, a ação climática e a sustentabilidade.

No final da conferência, algumas palavras-chave podem ser invocadas para descrever o tom e as tendências que perpassaram pelas apresentações e debates. Capacidade de reação, agilidade e flexibilidade são características cada vez mais necessárias às instituições museológicas para que estas possam adaptar-se e transformar-se do ponto de vista organizacional. Só assim os museus serão capazes de operar numa sociedade em rápida mudança, de provocar impacto nas pessoas e de incluí-las nos processos de transformação social, atendendo às sucessivas crises que o mundo atual tem atravessado: a pandemia, a guerra e a emergência climática.