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RP - Revista Património nº 5

RP - Revista Património nº 5

Editorial da RP nº5

As alterações globais nos domínios económicos, social, político e ambiental, motivaram a mudança dos paradigmas da perceção do mundo. O século XXI, para além do aumento da velocidade com que se verificam essas mudanças, trouxe profundas transformações no modo como a sociedade se relaciona com a cultura e com o património cultural. A ideia de que o património faz já parte de tudo, que abarca infinitas memórias e também inclui já o presente - que pode ser olhado sob inúmeras perspetivas - e o reconhecimento do papel fulcral que representa para a estabilidade, para a coerência e para o desenvolvimento da sociedade, veio desordenar as peças de um enorme puzzle de conhecimento, que deixou de ser possível compor tal como sempre o tínhamos concebido. Novas prioridades e emergências sociais obrigam a reequacionar o lugar da cultura e do património.

Foram também estas preocupações que estiveram na base da decisão da Comissão Europeia de instituir o Ano Europeu do Património Cultural em 2018; a cultura no fundamento da estrutura e da coesão das sociedades, na afirmação da especificidade de um continente mesclado por relações interculturais construídas ao longo de muitos séculos, na base de um formato de desenvolvimento económico e social baseado em valores fundamentais centrados no ser humano, colocando-nos perante desafios que apelam à abertura de perspetivas, à resiliência e à inovação.

O Caderno desta revista é dedicado a alguns desses desafios. Inicia com o tratamento da relação entre património e o turismo, dos malefícios de uma sobrecarga sobre as cidades e o património, com as graves consequências visíveis para as populações residentes e para o seu comércio tradicional, com aumentos incomportáveis de rendas e especulação imobiliária, motivando extensos e acelerados processos de gentrificação e perda de valores e identidades. No domínio das paisagens culturais são equacionadas as mesmas questões, num artigo que nos desenha o arco da evolução da discussão em torno da perda de função e de residentes nos territórios urbanos e rurais. Segue-se uma reflexão a partir da recente recomendação da UNESCO sobre a paisagem histórica urbana e as suas cidades piloto, problematizando a questão do património na gestão sustentável dos recursos urbanos. A arqueologia urbana é objeto de análise, tendo por referência o período de 1970 a 2014 em Portugal, culminando com propostas de modelos de gestão. A relação entre o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação e o património cultural e digital é abordada noutro artigo, dando conta da enorme diversidade de estratégias de preservação, de realização e partilha do património digital, colocando em causa ideias de propriedade e da política do que é bem comum. O presente e o futuro dos museus e da sociedade, que, andando a par, nos fazem questionar as práticas atuais, os modelos de gestão, o papel social e a função destas instituições, é abordado, de forma prospetiva, num outro artigo. Por último, no Caderno, o associativismo no cerne da relação entre os poderes políticos e a sociedade civil no campo do património cultural é analisado noutro texto, que conclui pela necessidade de as ONGs incorporarem, cada vez mais, uma visão integrada do património nos seus objetivos, na sua estrutura e na sua ação.

A rubrica Pensamento traz-nos o tema do crescente acesso a informação através da Internet, e da potencialidade da disponibilização de conteúdos por parte das organizações que trabalham no âmbito do património cultural; uma outra reflexão, a partir da Estratégia para o Património Cultural na Europa no século XXI, centrando-se especificamente sobre o tema do Conhecimento e da Educação, completa esta rubrica.

Em Projetos são apresentadas cinco reflexões em áreas bem distintas: a recuperação da Casa de Chá da Boa Nova, projecto singular de Siza Vieira; a nova musealização do Piso 3 do Museu Nacional de Arte Antiga; a adaptação de parte do Convento de Nossa Senhora da Boa-Hora, em Lisboa, para a instalação da Escola Maria Barroso; no âmbito do património paisagístico, uma nova proposta de metodologia, envolvendo novos conceitos, novo corpo teórico, novos instrumentos e aproximações comparativas de base estatística em função dos valores do património em presença; e, por fim, uma reflexão sobre a relação entre projeto, património arquitetónico e regulamentação contemporânea, aplicada a edifícios correntes com interesse patrimonial mas não protegidos.

A rubrica Opinião introduz-nos ao conceito Património 3.0, revelando-nos um cenário que aborda não só a conservação e a transmissão dos legados culturais e históricos, mas a sua própria produçãocomo um desígnio coletivo, chamando os indivíduos e as comunidades a um papel ativo na partilha de responsabilidades e de participação.

Por último, em Sociedade, duas reflexões; a relação território, comunidades de proximidade e património militar, nas suas componentes de conhecimento, salvaguarda, recuperação e valorização turística, analisada a partir do projeto da Rota Histórica das Linhas de Torres; e, por fim, a redescoberta dos cemitérios românticos em Portugal, dando-nos uma nova perspetiva sobre o futuro deste património.

Manuel Lacerda

Referência: IPPBREV18862001

Autor: VA

Local: Lisboa

Edition: DGPC; Imprensa Nacional Casa da Moeda, S.A.

ISBN: 2182-9330

Data: 27 de Setembro de 2018

Unitário
Preço
15,00€

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