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Património Cultural

Recinto da Feira das Mercês e Muro de Derrete e imóveis que fazem parte do "espaço social" envolvente (Ermida de Nossa Senhora das Mercês, Cruzeiro das Mercês e casa-agrícola pombalina) - detalhe

Designação

Designação

Recinto da Feira das Mercês e Muro de Derrete e imóveis que fazem parte do "espaço social" envolvente (Ermida de Nossa Senhora das Mercês, Cruzeiro das Mercês e casa-agrícola pombalina)

Outras Designações / Pesquisas

Capela de Santo António / Capela de Nossa Senhora das Mercês (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Sintra / Rio de Mouro

Endereço / Local

Quinta da Marquesa (Recinto da Feira)
Tapada das Mercês

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IM - Interesse Municipal

Cronologia

Edital N.º 87/2007 de 17-01-2007 da CM de Sintra
Despachos de 16-01-2007 do Veredaor do Pelouro da Cultura e de 17-01-2007 do presidente da CM de Sintra a aprovar a classificação como de IM
Despacho de concordância 11-04-2006 da vice-presidente do IPPAR, com o consequente encerramento do processo de classificação de âmbito nacional
Informação favorável de 9-06-2005 da DR de Lisboa
Pedido de parecer de 31-03-2005 da CM de Sintra sobre a classificação como de IM

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
A Feira das Mercês é a maior e mais característica feira da região saloia. O recinto onde ainda hoje se realiza localiza-se na Quinta das Mercês (ou da Marquesa), na zona norte da Tapada das Mercês. Integram o conjunto classificado a Capela de Nossa Senhora das Mercês, um cruzeiro, um edifício de caraterísticas pombalinas e ainda o célebre Muro do Derrete ou do namoro.
No interior da capela, situada fora do recinto da feira, encontra-se a imagem de Nossa Senhora das Mercês, muito venerada na freguesia de Rio de Mouro e que, no período em que decorre a feira é levada em procissão. O exterior do templo de linhas sóbrias, ostenta na fachada principal um portal encimado por frontão quebrado sobre o qual se abre um janelão de perfil retangular. Duas janelas quadrangulares de cada lado do portal e uma torre sineira localizada do lado direito, completam o traçado do alçado principal do edifício. No interior da capela, subsistem ainda alguns azulejos e um altar-mor em mármore com embrechados de motivos florais estilizados distribuídos por dois painéis, onde sobressaem as figurações do sol e da lua.
Segundo a tradição, é nos bancos conversadeiras do muro do Derrete que as "moças casadoiras" se deveriam sentar com os seus pretendentes. Este muro que corresponde certamente à cerca da antiga propriedade, apresenta ainda hoje dois antigos portões ladeados por pilastras rusticadas. De notar que estas entradas se situam em limites opostos do perímetro cercado, mas no mesmo alinhamento.
O cruzeiro, por seu lado, localiza-se no recinto da feira, apresentando uma cruz de pedra assente numa base quadrangular sobre três degraus igualmente em pedra.
Pelas caraterísticas gerais do conjunto que acabámos de descrever, considera-se que o mesmo deverá datar do século XVII, tendo sido posteriormente alvo de alterações.
História
Segundo a tradição, a Feira das Mercês seria herdeira de um antigo mercado árabe de transação de escravos. De facto, não é possível conhecer com exatidão as suas origens, sendo que a primeira referência se reporta à segunda metade do século XVIII (Memórias Paroquiais de 1758), onde surge descrita uma feira livre na povoação de Meleças, feira esta que já na altura se realizava nos últimos dois domingos do mês de outubro. Curiosamente neste documento não é referida a existência da capela
Em 1771 a feira foi transferida para Oeiras por iniciativa do Rei D. José I mas, pouco depois, por ordem da Rainha D. Maria I, volta ao lugar original. De notar que o Marquês de Pombal, fiel devoto de Nossa Senhora das Mercês, para além de proprietário de uma importante quinta em Oeiras era também senhor dos terrenos onde se realizava a feira e implantava a capela das Mercês (Oliveira, Rui - Sinopse Histórica da Feira das Mercês. In http://www.alagamares.com/sinopse-historica-da-feira-das-merces-por-rui-oliveira ).
Importa referir que a Feira das Mercês teve grande influência na economia de Rio de Mouro que, até à primeira metade do século XX, era uma freguesia essencialmente rural, com as suas quintas, hortas e criação de gado. Presentemente, a Feira das Mercês, perdeu grande parte das suas caraterísticas como feira saloia de venda de produtos agrícolas, gado e produção de louças artesanais, transformando-se num espaço onde se comercializam produtos sem ligação à região e um local de divertimento. Apesar disso ainda é possível encontrar as célebres maçãs de Colares, as afamadas peras pardas do litoral sintrense, as fogaças de erva-doce, o leitão assado de Negrais e a carne de porco frita "à moda das Mercês", servida em frigideiras de barro, assim como a água-pé, produzida pelos viticultores da região.

Maria Ramalho/DGPC/2015. Colaboração da C. M. Sintra.

Imagens

Bibliografia

Título

Sintra e o seu termo - estudo geográfico

Local

Sintra

Data

1940

Autor(es)

BOLÉO, José de

Título

Etnografia Saloia - Subsídios para o seu estudo

Local

Lisboa

Data

1947

Autor(es)

FONTES, Joaquim