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Vestígios da Judiaria do Porto (Hêkhal) - detalhe

Designação

Designação

Vestígios da Judiaria do Porto (Hêkhal)

Outras Designações / Pesquisas

Aron Hakodesh
Sinagoga da Rua de São Miguel / Sinagoga na Judiaria Nova do Olival(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

-

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Porto / Porto / Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória

Endereço / Local

Rua de São Miguel
Porto

Número de Polícia: 9 -11

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

Cronologia

Portaria n.º 448/2012, DR, 2.ª série, n.º 181, de 18-09-2012 (ver Portaria)
Anúncio n.º 1131/2012, DR, 2.ª série, n.º 14, de 19-01-2012 (ver Anúncio)
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Despacho de 22-11-2011 do diretor do IGESPAR, I.P. a revogar o despacho de arquivamento de 29-04-2001, atendendo a que dentro de conjuntos classificados pode haver imóveis individualmente classificados
Despacho de arquivamento de 29-04-2011 do diretor do IGESPAR, I.P., por superveniência da classificação do Centro Histórico do Porto, uma vez que abrange o imóvel
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Parecer de 1-10-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. favorável à proposta de classificação como IIP
Despacho de abertura de 10-03-2008 do director do IGESPAR, I.P.
Proposta de 10-03-2008 da DRC do Norte

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Património Mundial

Abrangido por conjunto inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO, que, ao abrigo do n.º 7 do art.º 15.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro, se encontra classificado como MN

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Esta sinagoga quinhentista, ou já da centúria seguinte (de acordo com proposta cronológica avançada por MEA e BARROCA, 2005, inédito), foi identificada em 2003, decorrendo obras de adaptação do edifício a Lar para idosos, por iniciativa do seu proprietário, a Paróquia de Nossa Senhora da Vitória. Os vestígios colocados a descoberto representam um Ekhal (também designado por aron ou simplesmente "arca"), um nicho aberto na caixa murária, onde se guardavam os rolos da Torah, ou seja, o armário litúrgico que albergava os textos sagrados e que, por isso, constituía a parcela de maior alcance simbólico do espaço religioso judaico.
O aron encontrava-se "preservado" por uma parede falsa, na face nascente da dependência interior do piso térreo. Trata-se de uma estrutura em granito, moldurada, de 1,82 m de altura, por 36 cm de profundidade, separada em duas áreas por prateleira com acabamento inferior em forma de arco abatido. No interior, a parede fundeira da secção superior era revestida por azulejos monocromáticos verdes, de que restam ainda alguns fragmentos, e o inferior apresentaria a mesma solução, mas foi integralmente picado. Apesar do desgaste nas extremidades, não parece que o armário tenha, alguma vez, recebido portas, fazendo-se a sua ocultação por meio de uma cortina, tradicionalmente chamada de parokhet.
A diferenciação em andares tinha um conteúdo funcional hierárquico característico da ordem de valores judaica: o piso superior era destinado a albergar a Torah, enquanto que o inferior recebia a Ner Tamid ou lâmpada sagrada. Na parede próxima, deve ter existido uma mísula, cuja função era a de suportar o cálice de sete braços, ou menorah.
Estes vestígios vêm provar que, mais de um século passado sobre a conversão forçada dos Judeus, decretada por D. Manuel em 1497, e em pleno processo de afirmação da Contra-Reforma e do seu braço armado "purificador" - a Inquisição -, existiam comunidades judaicas organizadas no seio das cidades portuguesas, capazes de manter edifícios religiosos clandestinos perfeitamente activos e à disposição das populações crentes.
A zona onde se implanta o imóvel é conhecida na documentação de época como uma área de concentração e de lazer de cristãos-novos, precisamente aquela onde se localizou a última judiaria de tradição medieval da cidade, a Judiaria Nova do Olival. Por ela terá passado Imanuel Aboab, autor judaico que, anos mais tarde (1629), em Amesterdão, escreveu ter em criança visto uma sinagoga no Porto. No século XV, o espaço de culto está claramente referenciado (cf. AFONSO, 1997) e, num documento do Convento de São Domingos do Porto, que se reporta ao ano de 1569, menciona-se uma casa que haviam sido do abade de Pedorido, a "3ª morada abaxo da casa do canto da parte do convento, a que foi sinagoga dos judeos" (IDEM, p.105).
Apesar da construção da Igreja de Nossa Senhora da Vitória, na década de 30 do século XVI (cuja erecção não pode estar dissociada da tentativa das autoridades cristãs em diluir os vestígios de judaísmo na zona), os Judeus portuenses continuaram a celebrar o seu culto de forma socialmente velada, é certo, mas plena de actividade e de organização.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Nota sobre a sinagoga do Porto, a igreja de Nossa Senhora da Vitória e a casa do mestre pedreiro Manuel Luís, Polígrafa, nº6, pp.105-108

Local

Porto

Data

1997

Autor(es)

AFONSO, José Ferrão

Título

Parecer sobre o aron hakodesh da Rua de S. Miguel (Porto) (inédito)

Local

Porto

Data

2005

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge, MEA, Elvira