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Igreja matriz de Vila do Bispo - detalhe

Designação

Designação

Igreja matriz de Vila do Bispo

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Nossa Senhora da Conceição, matriz de Vila do Bispo / Igreja Paroquial de Vila do Bispo / Igreja Nossa Senhora da Conceição(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Vila do Bispo / Vila do Bispo e Raposeira

Endereço / Local

Praça da República ou Largo da Praça
Vila do Bispo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 42 007, DG, I Série, n.º 265, de 6-12-1958 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 20-11-1962, publicada no DG, II Série, n.º 280, de 29-11-1962 (sem restrições)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A actual designação de Vila do Bispo tem a sua origem na transição para o século XVI, mais concretamente na viagem que D. Manuel empreendeu ao Cabo de São Vicente. Nessa ocasião, passando pelo lugar de Santa Maria do Cabo, doou a povoação ao bispo do Algarve, D. Fernando Coutinho, passando então esta a designar-se Vila do Bispo. Mais importante para a história da igreja Matriz da localidade é o facto de, já nessa altura, se referir a existência de um templo, de que, todavia, tudo se desconhece. Não existem certezas acerca da sua época de construção, nem da sua traça original, não tendo chegado até nós qualquer outra informação que a permita perspectivar, com bases mínimas de rigor, a sua história até ao início de Quinhentos.
A configuração actual da igreja não data, também, do século XVI, como seria de esperar, mas da centúria seguinte. A 7 de Junho de 1662, por alvará de D. Afonso VI, a localidade passou para a posse de Martim Afonso de Melo, 2º Conde de São Lourenço e, um ano depois, a povoação foi elevada a vila. Deverá datar deste período a integral reconstrução da igreja, beneficiando da renovada atenção que a transferência de tutela certamente motivou.
Com efeito, o templo que hoje conhecemos é uma típica edificação religiosa barroca, de planta longitudinal composta por nave única e capela-mor rectangular, com torre sineira, adossada do lado Sul, e sacristia. Apesar das modificações de épocas posteriores, em particular o coroamento da fachada principal, que deverá datar já do período posterior ao terramoto de 1755, o conjunto mantém ainda as suas características seiscentistas e setecentistas.
A fachada principal é de pano único entre pilares-cunhais encimados por pináculos; o portal é de verga recta, amplamente moldurado, terminando superiormente num pequeno frontão que se liga a um óculo quadrilobado; a empena é em frontão circular, de amplo cornijamento, rematado por entablamento de volutas contracurvadas e cruz axial. Pelas suas características, é muito possível que esta frontaria date já da primeira metade do século XVIII, tendo-se as obras seiscentistas de arquitectura iniciado pela capela-mor (como era costume) e prolongando-se algumas décadas até se concluir. Igualmente de Setecentos parece ser a torre sineira, de secção quadrangular e dois andares marcados por frisos, com quatro arcarias sineiras de volta perfeita e remate em pináculos sobre os cunhais de cantaria e terminação central piramidal.
No interior, é a exuberância barroca setecentista que triunfa, estando as paredes integralmente cobertas por azulejos da primeira metade do século (ao redor de 1715) e talha dourada (documentada a partir da década de 20). Nada mais natural que, terminados os trabalhos de arquitectura, se tenha procedido ao recheio do interior, decorrendo as campanhas de retabulária e de azulejaria praticamente em simultâneo. De nave única relativamente modesta, a exuberância desta decoração total faz com que se reafirme o estatuto de quase-gruta tão ao gosto do Barroco. As composições azulejares são de padrão geométrico e floral, não existindo qualquer cena figurativa. O tecto é de caixotões de três lanços de madeira, profusamente decorados com motivos vegetalistas, e existem três capelas de arco de volta perfeita que integram retábulo de talha dourada joanina. A capela-mor é antecedida por arco triunfal a pleno centro e é coberta por abóbada de canhão, por sua vez integralmente revestida por pintura. O retábulo-mor é de quatro arquivoltas de colunas torsas e integra axialmente ampla tribuna de trono piramidal, com abóbada interior revestida com soluções pictóricas semelhantes à da cobertura da capela-mor.
Parcialmente abalada pelo sismo de 1969, a igreja é uma das mais importantes realizações barrocas do Barlavento algarvio e, certamente, a principal edificação religiosa da época moderna que se conserva nas áridas e ventosas terras da finisterra algarvia.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

A talha no Algarve durante o Antigo Regime

Local

Faro

Data

2000

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

Corografia ou memoria economica, estadistica, e topografica do reino do Algarve

Local

Lisboa

Data

1841

Autor(es)

LOPES, João Baptista da Silva

Título

Itinerário do Barroco no Algarve

Local

-

Data

1988

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

A Talha em Portugal

Local

Lisboa

Data

1962

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

Guia turístico e ambiental do concelho de Vila do Bispo

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

BAPTISTA, Carlos Manuel Maximiano