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Mosteiro de Santo André de Rendufe, bem como as ruínas do seu claustro, incluindo o chafariz - detalhe

Designação

Designação

Mosteiro de Santo André de Rendufe, bem como as ruínas do seu claustro, incluindo o chafariz

Outras Designações

Mosteiro de Rendufe

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Mosteiro

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Amares / Rendufe

Endereço / Local

Lugar do Mosteiro, junto à E.M. que liga o concelho de Amares ao de Vila Verde
Rendufe

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 32 973, DG, I Série n.º 175, de 18-08-1943 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A história do mosteiro beneditino de Rendufe remonta à época do Conde D. Henrique e, muito embora se desconheça a data da sua fundação, eventualmente devida a Egas Pais de Penegate, é possível que tenha ocorrido pouco antes de 1090, pois em Dezembro desse ano o seu abade figura num julgamento (MATTOSO, 1971, p. 13). De acordo com uma inscrição existente no pavimento, junto ao arco do cruzeiro, a igreja já se encontrava concluída em 1151 (SOUSA, 1979, p. 29). Durante a Idade Média foi um mosteiro bastante rico e com um amplo domínio mas, à semelhança do que aconteceu em boa parte das casas conventuais do nosso país, experimentou um forte abalo em consequência da gestão ruinosa dos abades comendatários e, anteriormente, das questões levantadas entre o mosteiro, o arcebispo e a família patronal dos Vasconcelos (SOUSA, 1979, p. 30). Essas questões conduziram mesmo à sua extinção e pronta restauração, em 1401.
A grande reforma da primitiva igreja deveu-se à iniciativa (ao que se pensa forçada pelo Arcebispo) do último comendatário - D. Henrique de Sousa (descendente do cardeal Alpedrinha), que em 1551 reedificou o mosteiro. O templo passou, então, a possuir três naves com capelas laterais. Esta campanha de obras permitiu que a igreja se mantivesse até ao século XVIII, não se integrando no conjunto de mosteiros remodelados depois da criação da Congregação beneditina, em 1567.
Os reflexos do final do regime comendatário fizeram-se sentir ao longo do século XVII, através de várias obras que denunciam um desejo de remodelação e actualização estética, consumado na centúria seguinte. Assim, poderíamos citar, entre as mais significativas, a fachada da portaria, que ostenta a data de 1638, e que segue modelos quinhentistas divulgados no tratado de Sebastião Serlio (SMITH, 1969, pp. 9 e 10). O tecto da nave foi forrado por duas vezes, e na sacristia registam-se móveis novos, executados por Agostinho Marques, de Braga, em 1697 (IDEM, p. 5).
É, no entanto, durante o primeiro quartel do século XVIII que se assiste a uma constante actividade construtiva, responsável pela reforma integral da igreja, e demais dependências conventuais, grande parte das quais, infelizmente, desaparecida no incêndio de 1877. A existência de registos periódicos, os chamados Estados de Tibães, permite acompanhar as obras, triénio a triénio. Assim, entre 1716 e 1719 levantou-se a nova igreja, de planta em cruz latina, com nave única coberta por abóbada de berço e dois altares laterais, transepto, altares colaterais e capela-mor de grandes dimensões, num traçado que obedece à generalidade das plantas beneditinas da época (IDEM, p. 12). A fachada, por sua vez, afasta-se dos modelos empregues anteriormente, ao apresentar um portal central, a que se sobrepõem três nichos com as imagens de Santo António, São Bento e Santa Escolástica (as actuais são de época posterior), e três janelas ovais. No interior, o arco da tribuna e a nova abóbada da capela-mor são de 1725-28. A talha foi executada entre 1719 e 1725, e dourada entre 1725 e 1728, continuando depois, em 1752-1755. É de estilo nacional, filiando-se o retábulo da capela-mor no de São Bento da Vitória, no Porto, razão pela qual Roberth Smith atribui a sua autoria ao do entalhador da igreja portuense, Gabriel Rodrigues. Situação semelhante verifica-se ao nível do cadeiral do coro (1722), embora o de Rendufe apresente telas e não relevos. A talha das bancadas da capela-mor pode ser cotejada com a de Tibães (atr. A Frei José António Vilaça) que, tal como a das janelas, é já rococó (IDEM, p. 27).
Por sua vez, a biblioteca foi edificada no triénio de 1716-19, tal como o claustro, do qual apenas subsistem as ruínas com arcadas de capitéis toscanos. O novo dormitório remonta a 1728-31. Uma das últimas obras, mas de grande significado, por obedecer a novas directivas que visavam retirar o Santíssimo Sacramento da capela-mor, foi a edificação da capela do Sacramento, em 1777-80, numa linguagem pombalina. (RC)

Imagens

Bibliografia

Título

"As mais belas igrejas de Portugal, vol. I"

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

GIL, Júlio

Título

"Santo André de Rendufe - subsídios para a História da sua igreja durante o século XVIII, Bracara Augusta, vol. XXIII, fasc. 56 (68), pp. 5-42"

Local

Braga

Data

1969

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

"Mosteiros do Concelho de Amares. Minia, 2ª série, 2 (3), pp. 27-43"

Local

Braga

Data

1979

Autor(es)

SOUSA, José João Rigaud de

Título

"O mosteiro de Rendufe (1090-1570), Bracara Augusta, vol. XXIII, fasc.56"

Local

Braga

Data

1971

Autor(es)

MATTOSO, José

Título

"Mosteiro de Santo André de Rendufe - uma análise histórica e arqueológica, Pedra & Cal, n.º 25, pp. 14-15"

Local

Lisboa

Data

2005

Autor(es)

CATALÃO, Sofia Barroo

Título

"Experiências portuguesas em Arqueologia da Arquitectura, Revista Estudos / Património, nº9, pp.44-55"

Local

Lisboa

Data

2006

Autor(es)

FONTES, Luís Fernando de Oliveira

Título

"Miguel Fernandes, Mestre Pedreiro de Rendufe, Alpendurada e Tibães (1716-1731), Revista Estudos / Património, nº9, pp.159-171"

Local

Lisboa

Data

2006

Autor(es)

OLIVEIRA, Paulo João da Cunha