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Antigo paço episcopal e seminário - detalhe

Designação

Designação

Antigo paço episcopal e seminário

Outras Designações / Pesquisas

Paço Episcopal (antigo) e Seminário da Guarda / Museu da Guarda / Paço Episcopal e Seminário da Guarda / Museu da Guarda(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Paço

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Guarda / Guarda / Guarda

Endereço / Local

Rua Alves Roçadas
Guarda

Número de Polícia: 28-30

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O conjunto arquitectónico formado pelo antigo Paço Episcopal (residência de Inverno dos Bispos) e Seminário da Guarda começou a ser construído no início do século XVII, por vontade do Bispo D. Nuno de Noronha, considerado o primeiro prelado "(...) com um perfil e actuação tridentinos" (PEREIRA, 1995, p. 58). A estes dois edifícios, veio reunir-se, já no século XIX, a capela, completando assim a sua tríplice vocação - habitação, ensino e culto.
Mas, se o Seminário teve início em 1601, desconhece-se a data de início das obras do Paço. Contudo, este não se deverá afastar da cronologia do Seminário, dado que a inscrição com data de 1636 e a figuração das armas do bispo que governava a diocese à época, corroboram a ideia de que a sua edificação remonta à primeira metade do século XVII (CONCEIÇÃO, 1997, p. 19).
Muito embora a coerência arquitectónica permita classificar o conjunto como uma obra unitária, são visíveis as diferenças motivadas não apenas pelas várias campanhas de obras ao longo do século XVIII, mas também pelas mais recentes readaptações e reconversões. Actualmente, e desde 1985, encontra-se instalado no edifício do Seminário e em parte do espaço do antigo Paço, o Museu da Guarda. Em 1996, o Paço foi cedido à Câmara, transformando-se então num local cultural denominado Paço da Cultura, complementado pelo Museu de Arte Sacra, que deveria ser instalado na capela.
Edificado em plena época de domínio filipino, este conjunto arquitectónico reflecte as tendências construtivas contra reformistas, caracterizando-se pelo despojamento e austeridade patentes nas fachadas de granito, raramente decoradas. Neste edifício, tal como em muitos outros casos existentes na Beira Alta, "é visível um processo de depuração formal, distante das correntes maneiristas e manifesto num equilíbrio entre o emprego de elementos eruditos e o apego a uma linguagem vincadamente vernacular" (CONCEIÇÃO, 1997, p. 22). Neste sentido, ganha maior destaque um dos pátios, que recorda, simultaneamente, um claustro renascentista e uma loggia civil, com pilastras toscanas no piso térreo e colunas jónicas no piso superior. A duplicidade da vocação do conjunto revela-se também nas opções arquitectónicas, adequadas às diferentes funcionalidades para que foi concebido.
Em termos planimétricos, cada edifício desenvolve-se em L, enquadrando dois pátios e a capela, sendo que a planta do conjunto forma um U. A regularidade da planta e dos alçados denota a tendência de rigor e racionalismo própria das casas senhoriais Setecentistas (AZEVEDO, 1988, pp. 55-57). Apenas os vãos centrais, de acesso aos pátios, apresentam arcos de volta perfeita, num conjunto onde a decoração, de linguagem barroca, é praticamente ausente, e circunscrita a ornamentações pontuais, às armas do bispo e aos elementos patentes nas inscrições no portal principal e no cunhal da fachada. Esta arquitectura, que "(...) valoriza os elementos construtivos segundo uma poética de contenção decorativa" (PEREIRA, 1995, p. 52), verifica-se num dos outros edifícios construídos no século XVII, o solar da família Alarcão.
Apenas a capela constitui excepção neste conjunto, ao apresentar portal de arco abatido, encimado por frontão e nicho, ladeado por janelas de moldura trabalhada e avental decorado. O alçado é coroado por um frontão semicircular, e por urnas no prolongamento das pilastras.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

O Museu que tarda, Terras da Beira, 30/11/2000

Local

-

Data

-

Autor(es)

MARUJO, Gabriela

Título

Guarda

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

Monografia artística da Guarda

Local

Guarda

Data

1984

Autor(es)

RODRIGUES, Adriano Vasco

Título

Antigo Paço Episcopal da Guarda - Passos da história, Terras da Beira

Local

Guarda

Data

2002

Autor(es)

SILVA, Maria João

Título

Antigo Seminário e Paço Episcopal da Guarda - uma investigação na base de um projecto de arquitectura, Praça Velha,Revista Cultural da Cidade da Guarda

Local

Guarda

Data

1997

Autor(es)

CONCEIÇÃO, Margarida Tavares