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Convento de São Francisco da Cidade - detalhe

Designação

Designação

Convento de São Francisco da Cidade

Outras Designações / Pesquisas

Museu do Chiado (Museu Nacional de Arte Contemporânea) / Academia Nacional de Belas Artes / Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa / Convento de São Francisco da Cidade / Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa / Academia Nacional das Belas Artes / Museu do Chiado(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Convento

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Santa Maria Maior

Endereço / Local

Rua Capelo
Lisboa

Rua Serpa Pinto
Lisboa

Largo da Academia Nacional de Belas-Artes
Lisboa

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)

ZEP

Despacho de 18-10-2011 do diretor do IGESPAR, I.P. a concordar com o parecer e a devolver o processo à DRC de Lisboa e Vale do Tejo para apresentar propostas de ZEP individuais, ou conjuntas nos casos em que tal se justifique
Parecer de 10-10-2011 da SPA do Conselho Nacional de Cultura a propor o arquivamento
Proposta de 22-08-2006 da DR de Lisboa para a ZEP conjunta do Castelo de São Jorge e restos das cercas de Lisboa, Baixa Pombalina e imóveis classificados na sua área envolvente

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
Implantado na Baixa de Lisboa, o antigo Convento de São Francisco da Cidade é um complexo edificado constituído pelos corpos do Museu Nacional de Arte Contemporânea/Museu do Chiado, integrado no espaço onde se erguia a antiga Igreja de São Francisco, e das alas conventuais, onde se localizam a Faculdade de Belas Artes de Lisboa e a Academia Nacional de Belas Artes, que se organizam em torno de dois claustros retangulares e três pátios, formando uma planta irregular.
Os volumes edificados foram transformados por obras sucessivas de adaptação às atuais funções culturais e educativas que o antigo cenóbio franciscano alberga.
O museu apresenta uma longa fachada, virada à R. Serpa Pinto, com muro vazado por óculos e dividida em três registos, com duas portas de arco rebaixado que ladeiam a entrada retangular, no piso térreo, e janelas retangulares nos superiores.
A fachada oposta, que abre para o Largo da Academia Nacional de Belas-Artes, apresenta fachada ritmada pela abertura de janelas a espaços regulares, com porta de entrada edificada no corpo esquerdo, precedida por escadas.
A igreja, demolida ao longo do século XIX, localizava-se no extremo sul do complexo, virada ao Arsenal. As antigas alas conventuais, onde estão instaladas a faculdade e a academia, são rasgadas por janelas e dividem-se em três e quatro pisos, consoante o desnível do terreno. Destaca-se o claustro principal, com vestígios das arcadas primitivas, e uma cisterna de planta quadrada, ao centro coberta, por abóbada de berço. O claustro secundário é ajardinado.
No interior, o espaço correspondente à antiga portaria mantém o amplo vão de volta perfeita, ao passo que nos corredores subsiste a cobertura em abóbadas, quer de berço quer de aresta. As duas escadarias principais conservam lambril de azulejos rococós polícromos.
História
O Convento de São Francisco da Cidade foi fundado em 1217 por Frei Zacarias que, com autorização do rei D. Afonso II, implantou o cenóbio no chamado Monte Fragoso, local ermo de Lisboa situado numa escarpa sobre a praia de Cataquefarás, onde atualmente se localiza o Largo do Corpo Santo. O edifício foi o quarto complexo conventual dos Franciscanos erigido na capital, e da estrutura gótica nada subsiste para além de vestígios, como capitéis.
O convento, um dos maiores da cidade, foi objeto de diversas intervenções ao longo das centúrias seguintes, tendo sido reedificado entre 1517 e 1528, numa obra onde trabalhou, entre outros mestres, o arquiteto João de Castilho. À época, o complexo comportava, além da igreja e dos espaços de residência conventual, um hospital e um albergue.
No século XVII o cenóbio voltava a receber obras, datando de 1655 a Casa do Capítulo, traçada por João Nunes Tinoco, e de 1673 a abertura do Hospital da Ordem Terceira de São Francisco. Dessa centúria datará, também, a cisterna que hoje se encontra no pátio da faculdade.
Nos anos de 1708 e 1741 o convento sofreu dois grandes incêndios, e quando terminava a segunda reconstrução do espaço, Lisboa foi abalada pelo terramoto de 1755, que deixou o cenóbio franciscano, uma vez mais, num estado particularmente ruinoso. Embora se inicie de imediato a reedificação do espaço, o edifício não estava concluído quando da extinção das Ordens religiosas, em 1834.
A partir de 1836 o extinto convento passou a albergar a Biblioteca Nacional de Portugal, que aí funcionou até 1965, e a Academia de Belas-Artes; o espaço da Biblioteca seria ocupado, depois de 65, pela Faculdade de Belas Artes. Em 1839 o templo foi demolido, e as suas colunas integradas nos frontispícios do Teatro D. Maria II e da Escola Politécnica. No ano de 1862 instalou-se no espaço remanescente a Galeria Nacional de Pintura, que em 1911 deu origem ao Museu Nacional de Arte Contemporânea.
Atualmente, o edifício é partilhado pela Faculdade, pelo Museu, pela Academia e pela Polícia de Segurança Pública, que aí mantém armazéns.
Catarina Oliveira
DGPC, 2017

Outras Descrições

Jardim das Esculturas

Tipo

Enquadramento Arquitectónico, Urbano e Paisagístico

Descrição

Jardim
Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC) ou Museu do Chiado localiza-se a poente do Terreiro do Paço numa colina elevada, conhecida em tempos como Monte Fragoso, ocupando parte do antigo Convento de S. Francisco da Cidade. Ultrapassa as barreiras do edificado, integrando o Jardim das Esculturas que se desenvolve ao longo da fachada poente do museu. O jardim de dimensões limitadas a pouco mais de 10m de largura e 40 de comprimento implanta-se numa plataforma sobrelevada suportada por um muro que o isola da inclinada rua Serpa Pinto. Compreende: zonas pavimentadas nas extremidades norte e sul; faixas de distintas larguras, alternando lajeadas a azulino de Cascais com relvadas, organizadas em canteiros pontuados por alguns arbustos; uma extensa caleira retilínea que conduz água entre dois pequenos tanques retangulares abertos no pavimento que não ultrapassam 0.80m por 1.20m; esculturas de bronze dos séculos XIX e XX tendencialmente alinhadas sobre plintos a partir do corpo saliente e vazado de uma escada.
A disposição longitudinal acentua a profundidade do espaço e potencia a ilusão de simetria em torno do eixo que agrega as várias peças de água e se centra no corpo envidraçado do museu. Esta ilusão é reforçada pelo papel estruturante atribuído às esculturas, de forma alguma reduzidas neste contexto a meros objetos de exposição. O jardim, condicionado pelos volumes sóbrios do edifício, destaca-se por depurado recorrendo a uma linguagem reconhecida por alguns como neomodernista. Preserva algumas características dos jardins privados de Lisboa antiga: pequeno e recôndito; essencialmente pavimentado: ladeado por pequenos canteiros; de implantação sobranceira; encerrado por altos muros interrompidos por janelas gradeadas, neste caso simples óculos. E, inclui reinterpretações de soluções pavimentais e hidráulicas ancestrais, remetendo de forma discreta para ideários islâmicos ou mouriscos. As opções projetuais asseguraram os acessos originais, promovendo a circulação e a polivalência deste espaço reduzido.
História
O museu foi instituído pelo decreto de 26 de maio de 1911, tendo sido instalado no antigo Convento de São Francisco. Ocupava apenas três salas, realizando-se a entrada pela Academia de Belas-Artes. Desconhecem-se referências deste período ao espaço que viria a ser ocupado pelo jardim. Contudo, há testemunhos anteriores das profundas alterações urbanas que isolaram este logradouro. Na "Planta Topographica de Lisboa" de 1780 a "Rua Nova dos Martyres" secciona o antigo complexo conventual, configurando a poente o quarteirão no qual este se inscreve. A "Carta Topographica da Cidade de Lisboa e seus Arredores" de Filipe Folque, datada de 1856-58 inclui uma representação desta área como destinada a serviços, talvez associada à novas utilizações industriais impostas ao edifício após a extinção das ordens religiosas. O "Levantamento da Planta de Lisboa" de Silva Pinto, datado de 1904-11 regista a redução de limites, novas construções e pelo menos uma nova abertura para a rua já designada como de Serpa Pinto. O museu foi ampliado em 1929 e remodelado por 1945, sendo aberto diariamente ao público com entrada independente pela rua mencionada. Registos fotográficos e cartográficos das décadas de 40 e 50 do século passado documentam um jardim encerrado por muros interrompidos por óculos, centrado por um caminho que conduzia a um escadaria de acesso ao museu, marginado por canteiros relvados, marcados por alinhamentos de esculturas e pontuados por árvores e arbustos que viriam ao fim de décadas a cobrir esta área.
Após o incêndio do Chiado em 1988 decide-se reformular o museu. O projeto do arquiteto Jean-Michel Wilmotte não se restringiu ao edifício que veio a ser reinaugurado em 1994, incluindo a reformulação do Jardim das Esculturas.
Rita Basto (estágio curricular AP), Mário Fortes e Teresa Portela Marques (orientadores de estágio)
DGPC, 2015.

Imagens

Bibliografia

Título

História dos Mosteiros, Conventos e Casas Religiosas de Lisboa, Vol. II

Local

Lisboa

Data

1804

Autor(es)

-

Título

Conventos de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

CAEIRO, Baltazar

Título

Historia Serafica da Ordem dos Frades Menores de S. Francisco na Provincia de Portugal.

Local

-

Data

-

Autor(es)

SOLEDADE, Frei Fernando da, ESPERANCA, Frei Manuel da

Título

Lisboa em 1758. Memórias Paroquiais de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1974

Autor(es)

PORTUGAL, Fernando; MATOS, Alfredo de

Título

O Convento de S. Francisco da Cidade

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

CALADO, Margarida

Título

O património artístico da Faculdade de belas Artes: o edifício e as suas memórias, as colecções, o arquivo, os legados, um projecto de museu. Património da Universidade de Lisboa. Ciência e Arte, pp. 157-172

Local

Lisboa

Data

2011

Autor(es)

PEREIRA, Fernando António Baptista

Título

Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa, vol. V (2º tomo)

Local

Lisboa

Data

1975

Autor(es)

ALMEIDA, D. Fernando de