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Património Cultural

Quinta de São Sebastião, incluindo a casa, capela e mais edifícios de apoio - detalhe

Designação

Designação

Quinta de São Sebastião, incluindo a casa, capela e mais edifícios de apoio

Outras Designações / Pesquisas

Casa e Capela da Quinta de São Sebastião (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Quinta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Sintra / Sintra (Santa Maria e São Miguel, São Martinho e São Pedro de Penaferrim)

Endereço / Local

Rua Guilherme Gomes Fernandes
Sintra

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Edital/217 de 15-07-1996 da CM de Sintra
Despacho de autorização e homologação de 17-05-1996 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância de 24-06-1994 do presidente do IPPAR
Parecer de 17-05-1994 da 1.ª Secção do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 25-01-1984 do MNA

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

Abrangido pela Zona Tampão da "Paisagem Cultural e Natural de Sintra", incluída na Lista de Património Mundial - ZEP (nº 2 do art.º 72.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, de 23 de Outubro)

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A Quinta de São Sebastião começou a adquirir parte do seu actual aspecto na década de 80 do século XVIII, altura a que se atribui a construção do grandioso edifício civil habitacional, em torno do qual se organizam as restantes partes constituintes da propriedade. Embora não saibamos, ainda, o contexto em que essa primitiva edificação se inseriu, não restam dúvidas de que se ficou a dever a uma figura socialmente relevante e de requintado e actual gosto estético, numa altura de radical transformação dos paradigmas artísticos. Disso mesmo nos dá conta o carácter neoclássico da casa, aqui e ali já evidenciando a ruptura de gosto que daria lugar ao Romantismo e que tanto sucesso teve na Sintra oitocentista.
A casa, inserida no denso arvoredo da quinta, é de planta em L e encontra-se coberta por telhado uniforme de quatro águas. A fachada principal, de dois monumentais andares, possui, no primeiro registo, uma entrada tripartida concebida a partir de arcos apontados, a que se sobrepõe, no andar nobre, três cuidadas janelas de verga recta. Na face voltada ao jardim, o alçado é fenestrado por seis vãos em cada piso, com bandeiras de arco ligeiramente apontados. Estes elementos externos, conjugados com as platibandas que seccionam os pisos e os panos, testemunham bem a relativa hibridez de formas, num programa que, partindo de duas concepções estilísticas diferenciadas, conseguiu formar um conjunto de inegável harmonia.
O interior é dominado pelas composições pictóricas que revestem grande parte das paredes dos espaços, atribuíveis ao pintor francês Jean Pillement, que passou por Portugal na viragem para o século XIX. É curioso notar que todos os compartimentos foram alvo de um programa decorativo diferenciado e subordinado à própria funcionalidade desses espaços. Assim, na sala do pequeno almoço, relativamente próxima da cozinha, as pinturas das paredes e do tecto pretenderam simular o ambiente interior de uma cabana rústica, a que não falta mesmo a sugestão de cobertura de colmo. A sala de jantar, por seu turno, apresenta uma decoração mais tradicional e destinada a revelar outro tipo de requinte, sendo as paredes revestidas por composições paisagísticas, que funcionam como o prolongamento da sala por ambientes exteriores e bucólicos de paisagens fingidas. Na Sala de Estar, dominam as "chinoiseries", soluções mais actuais e típicas de uma classe socialmente dominante e apostada na propaganda desse mesmo estatuto.
No século XIX, a quinta conheceu vários proprietários, que mantiveram a propriedade genericamente no seu estado inicial. Nos inícios da centúria, aqui habitou Henrique Teixeira de Sampaio, Conde de Teixeira e falecido em 1833. Quatro anos depois, o conjunto passou para Maria Luísa de Sampaio Noronha, casada com Domingos de Sousa Holstein e, por isso, duquesa de Palmela. Foi já no período dos Palmela que se edificou a capela de São Sebastião, estrutura de apoio à restante quinta e cuja necessidade se fazia sentir desde a primeira hora. De planta longitudinal, coberta por abóbada de berço, é uma pequena construção ainda vinculada ao espírito tardo-romântico, cujas paredes são revestidas por painéis de azulejos alusivos à vida e martírio de São Sebastião.
Estamos muito mal informados a respeito da história da casa no século XX. Sabemos que, pela década de 60 ou de 70, os então proprietários construíram uma piscina no jardim, mas pouco mais podemos adiantar. Em vias de classificação desde 1996, este conjunto é uma importante unidade patrimonial da vila oitocentista, que permanece vivo e habitado hoje em dia, e que merece uma renovada atenção por parte dos historiadores da arte que se dedicam aos momentos de ruptura que antecederam o advento dos romantismos.
PAF

Imagens