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Igreja e Oratórios de Nossa Senhora da Consolação - detalhe

Designação

Designação

Igreja e Oratórios de Nossa Senhora da Consolação

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de São Gualter (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Guimarães / Oliveira do Castelo, São Paio e São Sebastião

Endereço / Local

Avenida da República do Brasil
Guimarães

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Antes da actual igreja, existia, no Campo da Feira, uma capela de dimensões reduzidas, mandada edificar em 1594, e que dispunha de confraria fechada (OLIVEIRA, 2003, p. 15). Esta confraria seria responsável, mais tarde, pela reestruturação do templo. Contudo, a falta de recursos levou a que durante muitos anos as obras estivessem paradas, até que em 1767 a Mesa decidiu avançar para uma solução definitiva, seleccionando um arquitecto e encomendando-lhe o risco do novo edifício (OLIVEIRA, 2003, pp. 24-29).
Iniciada em 1769, data em que as plantas chegaram a Guimarães, a igreja de Nossa Senhora da Consolação deverá ser a última obra concebida por André Soares (1720-1769), o artista bracarense que, no Norte do país, "(...) levou mais longe as potencialidades do barroco e melhor interpretou as possibilidades e limites de um rococó de expressão católica" (PEREIRA, 1989, p. 457).
Nesta obra vimaranense, André Soares revela o caminho que seguiu desde o risco da Casa da Câmara de Braga, privilegiando uma maior depuração arquitectónica e decorativa, em detrimento do gosto rocaille que marcou outras obras suas, como a Capela de Santa Maria Madalena da Falperra.
Em termos planimétricos, a igreja é rectangular, com nave única de ângulos côncavos, e fachada principal ondulada. Contudo, esta acaba por ter pouco impacto ao nível da espacialidade interna, uma vez que a divisão entre vestíbulo e nave é bem acentuada (PAIS DA SILVA, 1993, p. 126).
Ao conceber uma fachada convexa, o arquitecto fez projectar a secção central da mesma onde, na esteira de outras obras da sua autoria, concentrou os elementos decorativos em torno de um eixo vertical formado pelo portal, janela de sacada, e frontão. Consequentemente, as janelas do coro encontram-se recuadas e oblíquas em relação ao eixo do edifício.
As torres laterais, mais recuadas, foram erguidas na década de 1860, pelo arquitecto portuense Pedro Ferreira. Estas não estavam previstas nos desenhos de André Soares e, de acordo com algumas gravuras do século XIX (entre as quais uma litografia de George Vivian), o aspecto inicial da fachada da igreja era mais desafogado, fazendo sobressair a secção central e aumentando o efeito cénico de dinamismo, provocado pela ondulação do pano murário (SMITH, 1973, p. 39). As torres, desproporcionadas em relação ao conjunto, eliminaram a unidade da fachada (OLIVEIRA, 2003, p. 29).
Esta teatralidade era ainda acentuada pela zona envolvente, principalmente através da ponte que se desenvolve no eixo da igreja. As esculturas de granito que a decoravam, foram posteriormente transferidas para a fachada da igreja (PIMENTEL 1989, p. 187), sendo o seu frontispício revestido por azulejos.
A actual escada remonta, igualmente, aos meados do século XIX, com as balaustradas e esculturas de forte efeito cenográfico.
No interior, destaca-se o retábulo e tribuna, da autoria do mestre entalhador José António da Cunha. A morte precoce de André Soares terá impedido que este desenhasse também o interior, embora o plano seguido pareça ter respeitado o projecto do arquitecto (OLIVEIRA, 2003, p. 29).
Esta igreja aproxima-se ainda do modelo utilizado por André Soares na igreja da Lapa de Arcos de Valdevez, quer a nível da fachada, quer ainda ao nível da planta. Curiosamente, evoca também outros edifícios brasileiros, principalmente a igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Ouro Preto, em Minas Gerais, com planta de ângulos convexos e fachada de motivos semelhantes aos utilizados por Soares (SMITH, 1973, p. 40).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

O Barroco

Local

Lisboa

Data

2003

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

Guimarães apontamentos para a sua história

Local

Guimarães

Data

1996

Autor(es)

CALDAS, Pe. António José Ferreira

Título

Guimarães - roteiro turístico

Local

Guimarães

Data

1995

Autor(es)

FONTE, Barroso da

Título

Três artistas de Braga (1735-1775), Bracara Augusta (Actas do Congresso a Arte em Portugal no século XVIII)

Local

Braga

Data

1973

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

André Soares, arquitecto do Minho

Local

Lisboa

Data

1973

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

A Casa da Câmara de Braga (1753-1756), Bracara Augusta

Local

Braga

Data

1968

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

SOARES, André, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

Guimarães, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

GANDRA, Manuel Joaquim

Título

Os alvores do rococó em Guimarães, Os alvores do rococó em Guimarães e outros estudos sobre o barroco e o rococó no Minho

Local

Braga

Data

2003

Autor(es)

OLIVEIRA, Eduardo Pires de