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Igreja e sacristia do Convento de Refóios, assim como o teto de uma das salas do antigo mosteiro de frades beneditinos - detalhe

Designação

Designação

Igreja e sacristia do Convento de Refóios, assim como o teto de uma das salas do antigo mosteiro de frades beneditinos

Outras Designações

Igreja e Sacristia do Mosteiro de São Miguel de Refojos de Basto

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Convento

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Cabeceiras de Basto / Refojos de Basto, Outeiro e Painzela

Endereço / Local

-- -
Cabeceiras de Basto

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Anúncio n.º 146/2015, DR, 2.ª série, n.º 107, de 3-06-2015 (ver Anúncio)
Despacho de abertura de 14-04-2015 do diretor-geral da DGPC
Proposta de 19-03-2015 da DRC do Norte para a abertura do procedimento de ampliação da classificação, de forma a abranger todos os espaços do mosteiro, interiores e exteriores, de reclassificação como MN e de redenominação para "Mosteiro de São Miguel de Refojos"
Proposta de 6-10-2014 da CM de Cabeceiras de Basto para a reclassificação para MN
Decreto n.º 23 011, DG, I Série, n.º 197, de 31-08-1933 (classificou a "Igreja e sacristia do Convento de Refóios, assim como o teto de uma das salas do antigo mosteiro de frades beneditinos") (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Muito embora tenha existido, neste local, um centro monástico de origem anterior, o antigo Mosteiro de São Miguel, à sombra do qual se desenvolveu a população de Refojos, foi, enquanto casa beneditina, contemporâneo da formação da nacionalidade. Na verdade, não se sabe qual a data da sua fundação, mas o primeiro documento conhecido, que refere a ordem de São Bento (uma carta de couto passada por D. Afonso Henriques), é de 1131, o que testemunha a sua existência nesse ano.
O período seguinte foi de crescimento, com o mosteiro a tornar-se "um verdadeiro latifundiário de terras e propriedades" (DIAS, 2002, p.63), seguindo-se, com a administração ruinosa dos abades comendatários, uma época de decadência, apenas superada, a partir de 1570, com a integração de Refojos na Congregação Beneditina Portuguesa. Foi com o regime dos abades trienais, cuja eleição era efectuada em Capítulo Geral, que o Mosteiro iniciou a sua recuperação económica, e também arquitectónica.
Deste período de obras, iniciado na primeira metade do século XVII, apenas resta o claustro, embora sem o chafariz. A igreja estava ainda a ser edificada em 1644, e a portaria ostenta o ano de 1690, muito possivelmente datando o seu término, o que coincide com o lançamento de uma outra campanha, barroca, que se iria prolongar pela centúria seguinte, remontando à segunda metade de Setecentos a sua época de maior fulgor.
A primeira pedra do novo mosteiro foi lançada no triénio de 1689-1702, mas a falta de documentação não permite saber quem foi o autor do seu risco, considerado magnífico por fontes da época (IDEM, p. 70). Este, desenvolve-se em torno do claustro, com um corpo em L e outro rectangular. O ano de 1703, inscrito no lintel da porta do Capítulo, deverá indicar a data da sua conclusão. Nos anos subsequentes, os trabalhos incidiram sobre o refeitório e a sacristia, cujo mobiliário ainda se conserva. Já o cruzeiro, fronteiro ao mosteiro, remonta a 1737.
A principal campanha de obras, que configurou a igreja tal como hoje a conhecemos - considerada a mais monumental da Ordem e a única com zimbório -, teve início em 1755, ano em que se lançou a primeira pedra do novo templo, e que, apesar das dificuldades de implementação, foi sagrado 16 anos mais tarde, em 1766. Não se conhece o autor do projecto, que tem vindo a ser imputado a André Soares (IDEM, p. 75), embora esta não se inscreva no conjunto de obras atribuídas a este arquitecto por Robert Smith.
A documentação e as datas inscritas no próprio edifício permitem acompanhar a evolução dos trabalhos, remontando o portal a 1763, e o zimbório e torres a 1761-64. A fachada, ladeada por duas torres que se elevam bem acima do frontão que remata o pano central, é aberta por um portal de planta côncava, formada pelas pilastras que o flanqueiam. No registo seguinte, um nicho exibe a imagem de São Miguel, enquanto no alçado das torres, os nichos acolhem São Bento e Santa Escolástica. O zimbório, apresenta uma varanda com 12 estátuas de Bispos e Pontífices, sendo rematado pela imagem de São Miguel Arcanjo, sobre a cúpula do lanternim, e no exterior há a destacar, ainda, a capela do Santíssimo, de planta octogonal, e de volume saliente em relação à massa do templo, bem como a varanda alpendrada da capela-mor.
De planta em cruz latina, com nave única coberta por abóbada de caixotões de granito, a talha é o elemento dominante deste interior, quer nos retábulos dos muitos altares, quer nas sanefas e outros elementos arquitectónicos que envolve. O seu desenho deve-se a frei José de Santo António Ferreira Vilaça, que durante o triénio de 1764-67 integrou o mosteiro, concebendo todo o conjunto, do qual destacamos o retábulo-mor, rococó, e o cadeiral do coro, cujos riscos recordam os de Tibães, onde o monge trabalhara antes.
Actualmente, e depois de muitas vicissitudes decorrentes da Extinção das Ordens Religiosas, em 1834, o mosteiro acolhe os serviços da Câmara Municipal e, na outra ala, o colégio.
(RCarvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

"Beneditina Lusitana"

Local

Coimbra

Data

1644

Autor(es)

SÃO TOMÁS, Frei Leão de

Título

"Portugal antigo e moderno: diccionario geographico, estatistico, chorographico, heraldico, archeologico, historico, biographico e etymologico de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de aldeias..."

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de, FERREIRA, Pedro Augusto

Título

"O Minho Pitoresco"

Local

Lisboa

Data

1887

Autor(es)

VIEIRA, José Augusto

Título

"Corografia Portuguesa e descripçam topographica do famoso Reyno de Portugal"

Local

Lisboa

Data

1712

Autor(es)

COSTA, Pe. António Carvalho da

Título

"O Mosteiro de S. Miguel de Refojos - História do monumento emblemático de Cabeceiras de Basto, Mínia, n.º 10, pp. 59-83"

Local

Braga

Data

2002

Autor(es)

DIAS, Geraldo Coelho

Título

"Frei José de Santo António Ferreira Vilaça escultor beneditino do século XVIII"

Local

Lisboa

Data

1972

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

"André Soares, arquitecto do Minho"

Local

Lisboa

Data

1973

Autor(es)

SMITH, Robert C.