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Igreja matriz de Monchique - detalhe

Designação

Designação

Igreja matriz de Monchique

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Nossa Senhora da Conceição, matriz de Monchique / Igreja Paroquial de Monchique / Igreja de Nossa Senhora da Conceição(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Monchique / Monchique

Endereço / Local

Rua da Igreja
Monchique

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Tem-se atribuído a sagração desta igreja ao ano de 1495, data em que D. João II, então já enfraquecido pela doença que o viria a vitimar pouco depois, visitou a vila. O templo que actualmente conhecemos, todavia, é já nitidamente quinhentista e inscreve-se no que se convenciona chamar Manuelino, sendo mesmo uma das mais características produções locais deste "estilo". Apesar de enriquecido em épocas posteriores, o templo conserva grande parte dos seus elementos originais, em particular os portais, onde se concentraram os principais esforços da campanha edificadora.
O portal principal é uma obra plena de originalidade. Em "arco quebrado debruado por toro em faixas ponteadas e assente em finos colunelos de fustes torcidos", é emoldurado por "arco policêntrico radiado por enormes cogulhos torsos nos seus encontros" (RAMOS, 1996, p.123). A decoração é um dos seus motivos de interesse, compondo-se por hastes e florões que se entrecruzam com a obra de pedraria, para formar uma espécie de arquitectura efémera (ATANÁZIO, 1984, p.64). Nos capitéis concentram-se as realizações figurativas, com duas pequenas cabecitas humanas em cada lado, como que a tutelar a passagem para o interior do templo.
Os portais laterais são mais simples, mas igualmente relevantes no contexto do Manuelino regional. Do lado Sul, a entrada apresenta algumas semelhanças com a principal, em particular ao nível das soluções vegetalistas de cogulhos e hastes entrelaçadas com a obra de arquitectura. O seu perfil é contracurvado, com florões no intradorso, e dele prolongam-se verticalmente três cogulhos. A Norte, a estrutura é bem mais sumária, não existindo aqui qualquer vislumbre do naturalismo escultórico que caracteriza os anteriores, assemelhando-se o seu chanfrado ao do portal principal da igreja da Carrapateira (RAMOS, 1996, p.124).
O interior é de três naves seccionadas por arcos formeiros de volta perfeita assentes em pilares oitavados, cujos capitéis são decorados por faixas horizontais de hastes entrançadas. A Capela do Santíssimo é original e foi edificada certamente com fins funerários. Encontra-se revestida por azulejos e um retábulo barrocos, mas a sua cobertura é em abóbada de cruzaria de ogivas, dotada de bocete central decorado com a cruz de Cristo, elemento que identifica o seu promotor com uma personagem desta Ordem. De acordo com a leitura de Manuel Castelo RAMOS, 1996, p.124, as mísulas que suportam esta abóbada são de um tipo que pode corresponder aos "meados dos anos vinte", indício que permite estabelecer, com bases mais seguras, a possível cronologia da campanha.
Data do século XVIII o essencial do recheio artístico e devocional do templo, cuja realização implicou algumas obras de arquitectura. O arco triunfal, por exemplo, datará dessa época, ou da transição para Setecentos, assim como o arco que dá acesso à capela baptismal. O retábulo-mor, em talha dourada joanina de relativa importância regional, é o principal elemento, com a sua forma tripartida, de ampla tribuna axial ladeada por dois corpos dotados de colunas salomónicas que suportam as arquivoltas. Na capela lateral, a parede fundeira foi ocupada por um retábulo de talha dourada de estrutura tripartida e, um pouco antes, ainda no século XVII, quer as paredes, quer os panos da abóbada, foram revestidos por azulejos de padrão geométrico que integram cartelas quadrangulares de imagens devocionais.
Com obras documentadas no início do século XX, altura em que se edificaram algumas capelas laterais, o templo não foi objecto de assinaláveis restauros, à excepção de trabalhos pontuais em 1989 e 1994. Permanece, todavia, como um monumento à espera de ser estudado, pois não só a sua origem não se encontra devidamente esclarecida, como alguns pontos da campanha manuelina carecem de um confronto estilístico e comparativo mais aprofundado, existindo ainda elementos de difícil explicação, como os pseudo-contrafortes circulares que amparam parcialmente a capela-mor.
PAF

Bibliografia

Título

A arquitectura religiosa do Algarve de 1520 a 1600

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

CORREIA, José Eduardo Horta

Título

A Arte do Manuelino

Local

-

Data

1984

Autor(es)

ATANÁZIO, Manuel Mendes

Título

Subsídios para a monografia de Monchique

Local

Portimão

Data

1955

Autor(es)

GASCON, José António Guerreiro

Título

Memória histórica e etnográfica do concelho de Monchique

Local

Monchique

Data

1990

Autor(es)

SAMPAIO, José Rosa

Título

Monchique. Apontamento monográfico

Local

Portimão

Data

1982

Autor(es)

SAMPAIO, José Rosa

Título

Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Decoração arquitectónica manuelina na região de Silves (séculos XV-XVI), Revista Xelb, nº3, 1996, pp.79-142

Local

Silves

Data

1996

Autor(es)

RAMOS, Manuel Francisco Castelo

Título

Estudos de Integração do Património Histórico-Urbanístico para a Reabilitação Urbana. Aljezur, Vila do Bispo, Monchique, Lagos.

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

PASSOS, José Manuel da Silva

Título

A arquitectura manuelina

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

DIAS, Pedro