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Ermida de Nossa Senhora dos Mártires - detalhe

Designação

Designação

Ermida de Nossa Senhora dos Mártires

Outras Designações / Pesquisas

Ermida de Nossa Senhora dos Mártires(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Ermida

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Silves / Silves

Endereço / Local

Gaveto da Rua D. Afonso III com o Largo Mártires Pátria
Silves

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 44 075, DG, I Série, n.º 281, de 5-12-1961 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

As informações acerca da capela de Nossa Senhora dos Mártires não são abundantes. A primeira notícia de que temos conhecimento, chegada aos nossos dias por via cronística - e, por isso, encarada com evidentes reservas - dá conta de uma primitiva fundação no reinado de D. Sancho I, durante os escassos três anos em que a cidade esteve em poder dos cristãos, onde inclusivamente se terão sepultado alguns companheiros de conquistas do nosso segundo rei. Desse primeiro edifício, que a ter sido construído seguiria certamente um figurino ainda bem românico, nada se conservou até hoje, facto que acentua as dúvidas acerca da real execução dessa campanha.
Os vestígios materiais mais antigos que ali se conservam datam dos séculos XIII ou XIV (DOMINGUES, 2ªed., 2002, p.87) e dizem respeito a lápides tumulares de homens importantes do burgo baixo-medieval, algumas mesmo de bispos.
Todavia, em termos arquitectónicos, o elemento mais antigo actualmente conservado é a capela-mor, edificada durante o ciclo manuelino. O arco triunfal, de perfil quebrado, possui três arquivoltas, a exterior das quais torsa. A abóbada da capela é estrelada, assente em quatro mísulas nas extremidades e com bocetes decorados, tendo-se representado, num deles, o camaroeiro, símbolo tão claramente indicativo da acção da rainha D. Leonor. Exteriormente, esta capela é bastante diferente do restante conjunto, construída segundo um plano rectangular bastante rigoroso e coroada com merlões que reforçam a sugestão de altura, mas também o tempo artístico em que foi levantada. Manuel Castelo Ramos supõe tratar-se de uma obra dos "inícios da terceira década de Quinhentos" (RAMOS, 1996, p.100), datação que testemunha bem a ampla diacronia do Manuelino algarvio, mas perfeitamente coerente perante os elementos artísticos preservados.
Não sabemos se a campanha manuelina se alargou também ao corpo da capela. Infelizmente, em consequência do Terramoto de 1755, todo o corpo ruiu e a nova construção - ao que tudo indica terminada em 1779, ano que se encontra inscrito no portal principal - denuncia claramente as opções barrocas tardias que vemos em outros monumentos da região. A semelhança entre o registo superior da empena principal - ladeada por volutas e enquadrando inferiormente um óculo -, com a solução praticamente idêntica da frontaria da Sé de Silves foi já notada (DOMINGUES, 2ªed., 2002, p.87) e também o perfil estilisticamente incaracterístico da nave se enquadra nas apressadas obras que se seguiram ao terramoto.
No interior, para além das numerosas lápides a que já fizemos referência, destaca-se o retábulo-mor, do século XVII, e os retábulos laterais, já setecentistas.
Apesar das suas reduzidas dimensões e das múltiplas transformações por que passou, ao longo dos séculos, a Capela de Nossa Senhora dos Mártires é o templo que prova como a construção religiosa medieval de Silves não se limitou apenas à grandiosa obra da Sé. Com certeza existiu um conjunto mais vasto de templos, na cidade, construídos ou remodelados durante os anos do Gótico Final, uma dinâmica construtiva que se alargou ao ciclo manuelino, neste caso, através de uma campanha parcial, tão comum à época, mas integrando elementos relativamente raros no conjunto tardo-manuelino da região.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Silves. Guia turístico da cidade e do concelho

Local

Silves

Data

2002

Autor(es)

DOMINGUES, José Domingos Garcia

Título

Silves. Guia turístico

Local

Silves

Data

1958

Autor(es)

DOMINGUES, José Domingos Garcia

Título

Decoração arquitectónica manuelina na região de Silves (séculos XV-XVI), Revista Xelb, nº3, 1996, pp.79-142

Local

Silves

Data

1996

Autor(es)

RAMOS, Manuel Francisco Castelo