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Património Cultural

Igreja de São João Degolado, paroquial de Terrugem, e respetivo adro - detalhe

Designação

Designação

Igreja de São João Degolado, paroquial de Terrugem, e respetivo adro

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Terrugem e respetivo adro / Igreja Paroquial da Terrugem / Igreja de São João Degolado (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Sintra / São João das Lampas e Terrugem

Endereço / Local

Avenida 29 de Agosto
Terrugem

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como MIP - Monumento de Interesse Público

Cronologia

Portaria n.º 143/2014, DR, 2.ª série, n.º 37, de 21-02-2014 (alterou a área classificada, redenominou a classificação e alterou a categoria, de IIP para MIP) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 21-06-2004 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 12-05-2004 do Conselho Consultivo do IPPAR
Informação favorável de 30-05-2003 da DRLisboa
Proposta de 21-03-2002 da CM de Sintra para alargamento da classificação da Igreja, por forma a incluir o respectivo adro
Decreto n.º 44 075, DG, I Série, n.º 281, de 5-12-1961 (classificou a Igreja de Terrugem como IIP) (ver Decreto)

ZEP

Proposta de alteração de 5-01-2017 da CM de Sintra
Em 4-11-2016 foi solicitado o parecer da CM de Sintra
Despacho de concordância de 13-10-2016 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 4-10-2016 do Departamento dos bens Culturais da DGPC

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja de São João Degolado, na Terrugem, teve origem nos primeiros anos do século XVI, altura em que a povoação se terá instituído como sede de paróquia. Apesar das múltiplas alterações ocorridas ao longo dos séculos seguintes, é ainda possível verificar que as partes mais antigas conservadas datam precisamente do período manuelino e concentram-se no ponto fundamental de religiosidade e devoção: a capela-mor. Esta é de secção rectangular e encontra-se coberta por abóbada polinervada de dois tramos, assente lateralmente em mísulas e dotada de chaves decoradas com bocetes.
O arco triunfal mantém igualmente a sua feição original e é um importante elemento para melhor datar o conjunto. De duas arquivoltas profusamente decoradas, assentes em capitéis vegetalistas e em bases multifacetadas, o seu arco é de volta perfeita, o que permite sugerir uma cronologia avançada, provavelmente a rondar as décadas de 20 e 30 do século XVI. Já arco lateral Sul, que abre para um típico alpendre das igrejas da região saloia, é estilisticamente mais incaracterístico. Ele inscreve-se nesta mesma campanha, mas assemelha-se muito ao portal axial da vizinha capela de São Sebastião, de arco quebrado definido por singelas aduelas e sem qualquer decoração.
A falta de um estudo monográfico sobre o edifício dificulta o reconhecimento das muitas fases de construção e de decoração do templo. Tem-se atribuído ao século XVII a torre sineira, o revestimento azulejar do interior da nave e o púlpito, que tem inscrito a data de 1681. Se temos grandes dúvidas em relação à torre sineira, cuja monumentalidade e linguagem estilística se contextualizam melhor com o século XVIII, pensamos que foram mais numerosas e de maior relevância as obras seiscentistas.
O registo superior da fachada principal, com janelão quadrangular, pode inscrever-se nesta fase. No interior, à excepção do retábulo-mor, que é já neoclássico, tudo o resto parece ser do século XVII. A porta de entrada para a capela baptismal, de arco de volta perfeita com chave e impostas ligeiramente salientes, parece ter sido aberta em conexão com o revestimento azulejar das paredes, comprovadamente seiscentistas. Igual cronologia atribuímos ao púlpito e aos dois retábulos que ladeiam o arco triunfal, de estrutura simples, com pano único onde se inscreve largo nicho e coroamento formado por frontão triangular.
Pelo que acabamos de dizer, atribuímos ao século XVIII apenas a torre sineira, originalmente de dois andares, com amplos arcos sineiros de volta perfeita no último registo, que é encimado por fogaréus nos ângulos e desenvolvida terminação bolbosa axial. A seguir ao terramoto de 1755, contam-se vários estragos, mas não é de crer que as obras então executadas tenham adulterado significativamente o templo. No século XIX, a atenção prestada pelos fregueses à sua igreja matriz continuou, datando de 1807 o relógio na face ocidental da torre sineira e de 1824 o retábulo-mor, executado em mármore e de estrutura tripartida, com amplo pano central delimitado por colunas e dotado de nicho onde se inscreve uma tribuna piramidal de andares.
Esta parece ter sido a derradeira obra realizada no templo até ao século XX. Nos inícios da década de 60, o monumento apresentava avançados sinais de ruína, com o telhado da nave em muito mau estado e o alpendre a ameaçar cair. O restauro teve início em 1966 e prolongou-se por dez anos, incidindo as obras principais sobre a substituição integral de tectos e telhado e o arranjo dos exteriores, dotando o adro de um elevado muro, algumas árvores e uma nova definição do cruzeiro fronteiro.
PAF

Imagens