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Duas grutas situadas junto a Maceira - detalhe

Designação

Designação

Duas grutas situadas junto a Maceira

Outras Designações

Gruta do Cabeço da Rainha ou Lapa da Rainha e outra

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Gruta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Torres Vedras / A dos Cunhados e Maceira

Endereço / Local

-- uma na margem direira do rio Alcabrichel (Gruta do Cabeço da Rainha) e outra na margem oposta, quase em frente
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 35 817, DG, I Série, n.º 187, de 20-8-1946 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O actual concelho de Torres Vedras tem-se revelado particularmente abundante em vestígios arqueológicos denunciadores de uma ocupação humana na zona que remonta à mais alta antiguidade. Uma procura que terá sido, certamente, facilitada pela diversidade dos recursos cinegéticos essenciais à fixação de comunidades humanas ao longo dos tempos.
E as "Duas grutas junto a Maceira", mais vulgarmente conhecidas por "Lapa da Rainha", são disso bons exemplos.
Na verdade, "Desde os primórdios da actividade arqueológica em Portugal que a Estremadura foi uma área bastante investigada, tanto a partir da iniciativa de arqueólogos regionais como também através da acção das primeiras instituições interessadas na actividade arqueológica." (SOUSA, A. C., 1998, p. 43).
Com efeito, quando, a partir de meados do século XIX, os nomes mais destacados da recém formada Commissão dos Serviços Geológicos principiou os primeiros estudos pré-históricos em Portugal, seguindo a tendência há muito observada em vários países europeus, a região de Lisboa mereceu desde cedo uma atenção muito particular, certamente compreensível em razão da localização da sua sede, justamente na capital, e numa época em que os meios e as vias de transporte não primariam, propriamente, entre nós, pelo seu carácter de excelência.
Foram, então, dados os primeiros passos para a implementação da jovem ciência arqueológica, de igual modo graças à iniciativa de associações de perfil local e nacional, com destaque para a "Sociedade Martins Sarmento" e a Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portuguezes, esta última fundada em 1863 (RAACAP) (Cf. MARTINS, A. C., 2005), de algum modo coroados pela realização, na cidade de Lisboa, em 1880, da IX sessão do referencial Congresso Internacional de Anthropologia e Archeologia Prehistorica (CIAAP), e da criação, na Universidade de Coimbra, da cadeira de "Antropologia, Paleontologia Humana e Arqueologia Pré-histórica", no mesmo ano (1885) em que a RAACAP abria o 1.º Curso d'Archeologia Prehistorica, e a poucos da fundação do Muzeu Ethnographico Portuguez (1893) (Cf. Ibid.).
Houve, em todo o caso, quem, já no início da nova centúria, atendesse ao Paleolítico, seguindo, no fundo, os estudos iniciados muito antes nos principais centros de investigação europeus, certamente por influência do movimento incentivado pelo antropólogo e pré-historiador L. L. Gabriel de Mortillet (1821-1898).
Foi o que sucedeu com o alferes de engenharia e membro central da já mencionada (vide supra) Commissão, Joaquim Filipe Nery da Encarnação Delgado (1835-1908), a quem se deveram as primeiras incursões na região, assim como na de Lourinhã (Cf. DELGADO, J. F. N. da E., 1867), identificando, justamente, no ano do seu falecimento, a "Gruta da Rainha". Foi, contudo, necessário esperar por algumas décadas para que, a par da sua classificação, já em 1946, o sítio fosse alvo de novos estudos, uma vez mais no quadro de actividades desenvolvidas no âmbito dos "Serviços Geológicos de Portugal", designadamente no que respeitava ao reconhecimento e caracterização das formações quaternárias no actual território português (RIBEIRO, J. P. C., 1990, pp. 39-40).
Contrariamente ao que supuseram alguns investigadores (Cf. ZILHÃO, J., 1994), estaremos perante uma estação do Paleolítico, não de transição do médio para o superior (moustero-aurignacense) (RIBEIRO, J. P. C., Idem, p. 67), mas plenamente superior e, mais propriamente, do Solutrense, representado, neste caso, pela presença de indústria lítica (a exemplo de uma ponta de retoque plano) que lhe é característica, assim como de restos de fauna, tendo sido ainda encontrados corantes utilizados em pinturas e, muito provavelmente, em tatuagens corporais.
[AMartins]

Bibliografia

Título

"A Associação dos Arqueólogos Portugueses na senda da salvaguarda patrimonial. Cem anos de transformação (1863-1963). Texto policopiado. Tese de Doutoramento em Letras."

Local

Lisboa

Data

2005

Autor(es)

MARTINS, Ana Cristina

Título

"Os primeiros habitantes, Nova História de Portugal. Portugal - das Origens à Romanização"

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

RIBEIRO, João Pedro Cunha

Título

"Da existência do homem no nosso solo em tempos mui remotos provada pelos estudos das cavernas. Notícia acerca das Grutas da Cesareda"

Local

Lisboa

Data

1867

Autor(es)

DELGADO, Joaquim Filipe Nery da Encarnação

Título

"O Neolítico Final e o Calcolítico na área da Ribeira de Cheleiros. Trabalhos de Arqueologia"

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

SOUSA, Ana Catarina

Título

"Lapa da Rainha, Informação Arqueológica"

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

ZILHÃO, João