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Casa-Museu de Egas Moniz, anteriormente designada «Casa do Marinheiro», incluindo a cerca da propriedade em que se integra - detalhe

Designação

Designação

Casa-Museu de Egas Moniz, anteriormente designada «Casa do Marinheiro», incluindo a cerca da propriedade em que se integra

Outras Designações / Pesquisas

Casa Museu Egas Moniz / Casa-Museu Egas Moniz / Casa do Marinheiro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Casa

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Aveiro / Estarreja / Avanca

Endereço / Local

Rua Doutor Egas Moniz
Congosta

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 2-05-1996 do Ministro da Cultura
Parecer favorável de 28-03-1996 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 5-12-1995 da DRCoimbra para a classificação como IIP
Despacho de abertura de 10-11-1995 do Presidente do IPPAR
Proposta de abertura de 8-11-1995 da DRCoimbra
Proposta de classificação de 30-08-1995 da CM de Estarreja

ZEP

Portaria n.º 577/2011, DR, 2.ª Série, n.º 110, de 7-06-2011 (sem restrições) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 3-01-2011 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer favorável de 11-06-2008 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 26-03-2008 da DRCCentro

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Há notícias da Quinta do Marinheiro desde os finais do século XVIII, mas a casa que hoje conhecemos é um projecto do arquitecto suíço Ernesto Korrodi, executado entre 1915 e 1918, a pedido do médico Egas Moniz. Nascido nesta casa a 29 de Novembro de 1874, o cientista destacou-se pelos estudos realizados no campo da angiografia cerebral e leucotomia prefrontal, que lhe valeram um prémio Nobel.
O projecto da habitação permitiu a Korrodi conceber uma das suas obras mais significativas, numa fase da carreira que oscilava "entre uma Arte Nova mediata, decorativa ou mais vincadamente funcional, e um programa de habitação doméstica, mais tradicional e com alguma influência da polémica da Casa Portuguesa" (COSTA, 1997, p. 284), mas onde a concepção do projecto como um todo coerente, e a adequação do ornamento à estrutura, nunca deixou de estar presente como uma marca da modernidade do arquitecto suíço. Os trabalhos da Casa do Marinheiro foram dirigidos por um padre de Avanca chamado António Maria de Pinho, ficando a decoração a cargo de Álvaro Miranda, da Granja (TAVARES, 1969).
De acordo com os estudos de Lucília Verdelho da Costa, que aqui seguimos, a casa de Egas Moniz pauta-se por uma arquitectura de volumes claros, inspirando-se "nos valores estruturais da arquitectura renascentista de tradição solarenga". A fachada principal é antecedida por um muro com portão, abrindo-se para um pátio, e exibindo o brasão dos Resendes, Abreus, Freires e Pereiras. Por oposição, o alçado posterior tem diante de si um jardim de grandes dimensões, definindo um espaço doméstico voltado sobre si próprio (COSTA, 1997, p. 286).
Na fachada principal o tratamento das superfícies é depurado, ganhando ritmo pela alternância de elementos salientes e outros mais recônditos, a par das linhas rectas e curvas. Junto à cornija, destaca-se o friso azulejar, que percorre todo o edifício. No alçado posterior, igualmente tripartido, o corpo central exibe um painel de azulejos de Jorge Colaço, e o sentido horizontal é interrompido pelo torreão central e por outro, oposto à varanda (IDEM, p. 287). Em todos eles, há um cuidado muito grande no tratamento dos vãos e das grades, bem como nas estilizações florais e nas folhagens que envolvem os capitéis, entre muitos outros detalhes.
Observa-se, neste conjunto, uma enorme unidade, alcançada através do pormenor do tratamento de todos os elementos decorativos e arquitectónicos, numa linguagem que oscila entre os progressos da técnica e a tradição, e que resultam numa Arte Nova possível "traduzindo, no seu caso pessoal uma consequência formação do escultor-decorador no âmbito de um movimento que proclamava que "a ornamentação é o elemento principal da arquitectura"" (IDEM, p. 288).
No interior, há uma divisão entre as zonas públicas e privadas, ganhando especial importância algumas dependências por conservarem os tectos de madeira e o papel das paredes, destacando-se a tripla arcaria com a escada de acesso entre os pisos, e o compartimento que funcionaria como oratório, e onde se encontra um retábulo de gosto neoclássico.
A transformação deste imóvel em Casa-Museu veio satisfazer um desejo expresso de Egas Moniz e de sua mulher Elvira de Macedo Dias Egas Moniz, concretizado com a abertura ao público em 1968. Assim, a Casa-Museu celebra não apenas o médico, com a exposição das suas descobertas científicas, mas também o homem de gosto requintado, através dos objectos de arte (pintura, cerâmica, mobiliário, prata...) que reuniu nesta casa e numa outra que possuía em Lisboa, no número 73 da Avenida 5 de Outubro.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro

Local

Lisboa

Data

1959

Autor(es)

GONCALVES, António Nogueira

Título

O Solar do Ex.mo Sr. Dr. Egas Moniz, A Construção Moderna, Ano IX, n.º 529

Local

-

Data

1919

Autor(es)

-

Título

Ernesto Korrodi 1889-1944: arquitectura, ensino e restauro do património

Local

Lisboa

Data

1997

Autor(es)

COSTA, Lucília Verdelho da