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Igreja de Santa Cruz - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Santa Cruz

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Matriz de Santa Cruz / Igreja Paroquial de Santa Cruz (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Beja / Almodôvar / Santa Cruz

Endereço / Local

Rua de Santa Cruz
Santa Cruz

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Embora não se conheça com exactidão a data de construção da Igreja de Santa Cruz, ou o seu encomendante, será legítimo situar a obra dentro da esfera de mecenato de D. Fernão ou Fernando de Mascarenhas - ou melhor ainda, de sua mulher, D. Violante Henriques, viúva a partir de 1501. D. Fernão de Mascarenhas foi capitão dos ginetes de D. João II e de D. Manuel, alcaide-mor de Montemor-o-Novo e de Alcácer do Sal, e comendador de Mértola e de Almodôvar. Está sepultado, juntamente com sua mulher, na Igreja do Convento do Espinheiro de Évora, onde figuram as armas de ambos, idênticas a outras justamente pintadas na abside de Santa Cruz. Mesmo após a morte do marido, a actividade mecenática de D. Violante Henriques foi assinalável, sendo-lhe ainda devida a fundação do Convento de Santo António de Alcácer do Sal, em 1524-28. Não será muito distante a data de fundação da matriz de Santa Cruz, com elementos estruturais e decorativos de clara tipologia manuelina.
A igreja foi erguida nos arredores da povoação, mas não em local completamente isolado, já que nas suas proximidades se ergueu em tempos uma capela dedicada a São Bento, e se ergue ainda hoje um oratório de Nossa Senhora da Lapa. Na fachada, sem frestas de iluminação, destaca-se o portal arcaizante, de arco redondo, com três arquivoltas decoradas com motivos geométricos: torsas (ou em cordame) as duas primeiras, e reticulada (em favos de abelha) a interior. Os capitéis são decorados com motivos vegetalistas. Sobre o portal encontra-se embutido um florão, ou talvez um motivo heráldico. A fachada remata em empena triangular. Torre sineira adossada, constando de dois registos marcados visualmente por um friso, o térreo da altura total da empena, e o superior, com os sinos, rematado por coruchéu piramidal enquadrado por quatro pináculos de igual talhe. Note-se que a igreja possuía duas torres na fachada, tendo a torre do relógio sido destruída no século XVIII. Na fachada posterior salienta-se o corpo da capela-mor, mais baixo, formado por um volume quadrangular e abside tripartida, sendo as faces marcados por contrafortes. A capela-mor é rematada com um friso de merlões chanfrados, coroados por pináculos cónicos. De assinalar ainda o portal rasgado na fachada sul.
O interior, de planta longitudinal, abriga três naves, embora na prática se trate quase de uma só; as naves laterais pouco mais são que estreitos corredores, quase inteiramente comunicantes com o central, através de arcos formeiros (quebrados) de grande vão, assentes em capitéis com temas naturalistas e colunas lisas sobre bases oitavadas. O vão da porta Sul tem verga recortada no interior, seguindo-se-lhe, junto à capela-mor, a abertura (em arco redondo) de uma capela lateral, cujos panos murários e cobertura exibem ainda vestígios de pintura mural com temática da Paixão de Cristo. Para além destas pinturas, de factura regional mas revelando algum modelo mais erudito, o intradorso do arco está decorado com esgrafitos de grande interesse, prolongando-se pelas pilastras onde o arco assenta, reproduzindo carrancas e temas vegetalistas estilizados. A norte rasga-se a capela baptismal, o púlpito em madeira, e uma capela idêntica àquela que lhe fica fronteira, com retábulo de talha dourada e tábuas figurando São Miguel e São João Baptista.
A abside da capela-mor estava completamente decorada com pintura mural, bem como o alçado do arco triunfal, este com temas florais. Na capela restam alguns vestígios de esgrafitos e moldurações, sendo impossível a identificação dos quadros principais, à excepção das santas Apolónia e Luzia. Note-se ainda a pintura central representando o brasão de D. Violante Henriques, bem como os fechos de abóbada, alusivos à Ordem de Santiago, heráldica também presente no lavabo da sacristia datado de 1681. Merece destaque a tentativa de, recorrendo a meios "pobres", reproduzir a riqueza de um revestimento "totalizante" dos interiores, com imitação de azulejaria e pintura.
Sílvia Leite