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Igreja da Misericórdia de Alenquer, incluindo o seu recheio, nomeadamente a pia baptismal, os azulejos, a talha dourada, as pinturas do tecto e do altar-mor e as lápidas e esculturas antigas ainda existentes - detalhe

Designação

Designação

Igreja da Misericórdia de Alenquer, incluindo o seu recheio, nomeadamente a pia baptismal, os azulejos, a talha dourada, as pinturas do tecto e do altar-mor e as lápidas e esculturas antigas ainda existentes

Outras Designações / Pesquisas

Edifício, Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Alenquer / Teatro Ana Pereira(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Alenquer / Alenquer (Santo Estêvão e Triana)

Endereço / Local

Rua Jornal "A Verdade"
Santo Estêvão

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 8/83, DR, I Série, n.º 19, de 24-01-1983 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Ao que tudo indica, a Misericórdia de Alenquer foi instituída em 1527, mas pouco ou nada se conhece sobre as suas primitivas instalações (na documentação régia surge apenas a partir da segunda metade da centúria), uma vez que a igreja apenas foi iniciada em 1595. Na verdade, a sua construção ficou a dever-se à iniciativa de um casal - Aires Ferreira (fidalgo da Casa d'el Rei e vedor da Fazenda do Cardeal D. Henrique) e Catarina de Góis (sobrinha de Damião de Góis) -, que para tal deixou os seus bens e a obrigação de rezar uma missa quotidiana (GUILHERME, 1902, p. 118). Aires Ferreira faleceu em 1591 encontrando-se sepultado na igreja juntamente com a sua mulher, o que significa que foi necessário esperar cerca de quatro anos para se dar início ao cumprimento das suas vontades.
A igreja, de planta longitudinal, apresenta portal principal num dos alçados laterais, marcado ainda pela abertura de duas grandes janelas. O portal, de verga recta, é definido por pilastras toscanas e encimado por frontão de lanços em cujo tímpano se inscrevem as armas nacionais. O interior, de nave única, obedece ao modelo unificado dos espaços das igrejas das misericórdias, com presbitério num plano mais alto em relação ao corpo do templo e ao qual se acede através de escadaria central. A nave é percorrida por silhar de azulejos enxaquetados próprios do século XVII, destacando-se o coro alto, de planta curva assente sobre colunas toscanas, bem como o púlpito e o cadeiral dos mesários, este do lado da Epístola. No frontal do presbitério, um conjunto de azulejos azuis e brancos apresenta figurações inscritas em cartelas, uma das quais a Visitação, que tem vindo a ser atribuídas a Policarpo de Oliveira Bernardes. É possível que sejam anteriores à intervenção de que o templo foi objecto em 1730 e cuja extensão se desconhece.
As capelas colaterais, abertas por arcos de volta perfeita e inscritas numa estrutura maior que inclui o arco triunfal, termina num frontão semicircular. Este, enquadra a capela-mor, ainda mais elevada e com retábulo de talha dourada de estilo nacional.
Já depois da construção da igreja, que se situava, como era próprio destas instituições, junto aos principais centros de poder, neste caso, o edifício dos Paços do Concelho, teve início a obra do hospital anexo. O primeiro projecto, de dimensões reduzidas, arrancou em 1655, optando-se pela sua ampliação em 1707. Em 1863 o hospital transitou para o convento de São Francisco e as instalações da Misericórdia receberam diversas funções até serem adaptadas a teatro, a partir de 1891, o que alterou profundamente as funcionalidades e articulação dos espaços. Inaugurado em 1895, o Teatro da Sociedade Dramática de Alenquer manteve-se em funcionamento recebendo alguns melhoramentos esporádicos e mudando de nome em 1912 para homenagear a actriz natural de Alenquer, Ana Pereira.
Mais recentemente, e com projecto do arquitecto Miguel Beleza Seixas e Sousa (1994), o teatro foi objecto de uma intervenção, iniciada em 2002, com o objectivo de recuperar e devolver este equipamento cultural a Alenquer.
(RC)

Bibliografia

Título

As Misericórdias da fundação à União Dinástica, Portugaliae Monumenta Misericordiarum - fazer a história das Misericórdias, vol. 1, pp. 19-45

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

SÁ, Isabel dos Guimarães

Título

Alenquer e o seu concelho

Local

Lisboa

Data

1873

Autor(es)

HENRIQUES, Guilherme João Carlos

Título

Retábulos das Misericórdias Portuguesas

Local

Faro

Data

2009

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco