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Os jardins, as esculturas e as duas salas com pintura decorativa do antigo Paço Real de Caxias - detalhe

Designação

Designação

Os jardins, as esculturas e as duas salas com pintura decorativa do antigo Paço Real de Caxias

Outras Designações

Antiga Quinta Real de Caxias

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Paço

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Oeiras / Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias

Endereço / Local

EN 6-4, junto ao Jardim Municipal e à estação dos caminhos de ferro de Caxias
Caxias

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 39 175, DG, I Série, n.º 77, de 17-04-1953 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Construído em meados do século XVIII, por vontade do Infante D. Francisco (filho de D. Pedro II), o Paço Real de Caxias destaca-se pelos jardins geométricos, de influência francesa (os denominados jardins à Le Nôtre), onde a cascata introduz o gosto pela imitação da natureza, próprio da segunda metade de Setecentos. De facto, a família real e a corte preferiram o espaço ao ar livre, de forte efeito cenográfico e de grande impacto visual, que foi palco de jogos, teatros e bailados, relegando a Casa para segundo plano (LEITE, 1989, p. 114).
As obras da Quinta arrastaram-se por todo o século XVIII, e a morte de D. Francisco, em 1742, pouco contribuiu para o rápido andamento dos trabalhos. Na realidade, o espaço foi concluído apenas pelo futuro rei D. Pedro V, que aí se deslocava com alguma assiduidade.
Mais tarde (1908), D. Manuel dividiu a propriedade, transferindo a Quinta para a posse do Reformatório Central de Lisboa Padre António Oliveira, estabelecido no convento da Cartuxa. A adaptação às suas novas funções obrigou a uma significativa modificação de toda esta área, nomeadamente ao nível das alamedas, da sua composição geométrica, dos pomares, dos tanques, e mesmo do recinto para o Jogo da Péla. Por sua vez, a Casa e o jardim foram entregues ao Ministério da Justiça, onde permaneceu até 1986, data em que a Câmara Municipal de Oeiras se comprometeu, através de um protocolo, a recuperá-la. Nesta medida, os jardins que hoje conhecemos são o resultado desta intervenção, que procurou recuperar os sistemas originais de distribuição de água e a vegetação, maioritariamente constituída por composições em buxo.
Do Paço destaca-se, para além dos interiores com tectos pintados, a fachada de azulejos azuis e brancos, cujo desenho denota um gosto próprio do período pombalino.
Nos jardins, os canteiros de buxo formam desenhos geométricos, que definem uma série de alamedas, e onde as esculturas contribuem para a criação de um espaço cenográfico e teatral. A principal, ladeada por duas palmeiras de grandes dimensões, encaminha-se directamente para a grande cascata e para o lago de Diana, que domina todo o espaço. De formas naturalistas, e com uma espécie de gruta, que denuncia a imitação da natureza que caracteriza o jardim barroco da segunda metade do século XVIII (ainda que em Portugal a gruta tenha sido substituída pela Casa do fresco (LEITE, 1995, p. 223)), esta é uma das cascatas mais significativas da área de Lisboa (CARITA, 1987, p. 205). Desenvolve-se no sentido vertical, com inúmeras formas e reentrâncias por onde escorre a água, e culmina num pavilhão de planta oitavada, que integra uma fonte de mármore com esculturas de grande requinte e delicadeza. Remata este elemento uma garça real, em loiça. No tanque, é representada a lenda de Diana, com imagens da autoria de Machado de Castro, tal como as restantes esculturas dos lagos, alusivos aos signos do zodíaco (LEITE, 1989, p. 115), actualmente em restauro.
A cascata interrompe um longo conjunto de galerias com terraços, ligados por escadas e preenchidos por vegetação. No seu interior, encontra-se uma série de galerias, cuja humidade contrasta fortemente com o calor do jardim, contribuindo para o jogo de sentidos que os espaços de lazer barrocos propunham. Aquando das obras de recuperação do espaço, foi possível manter a estrutura hidráulica original, cujo sistema funcionava de acordo com a lei da gravidade, em tubagens de chumbo e grês (CMO, Boletim 1998).
De cada lado do espaço, encontra-se um pavilhão octogonal, em tons de salmão - onde hoje está instalada a sala de leitura da Biblioteca, funcionava originalmente como "casa do poço" e, do lado oposto, a "casa da fruta".
Uma última referência para a recente "escada do Céu", com degraus desencontrados, concebida por Bruno de Grüne, que veio substituir uma das árvores de grandes dimensões ( araucárias hetero-phylos ) entretanto desaparecida.
Rosário Carvalho

Imagens

Bibliografia

Título

"Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)"

Local

Porto

Data

1900

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

"Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal"

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

CARITA, Hélder; CARDOSO, Homem

Título

"Caxias, Real Quinta de, Dicionário da Arte Barroca em Portugal"

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

LEITE, Ana Cristina

Título

"Monografia do Reformatório Central de Lisboa Padre António de Oliveira"

Local

Caxias

Data

1958

Autor(es)

FERNANDES, José Maria de Almeida

Título

"Quinta Real de Caxias - jardim da cascata, Voz de Paço de Arcos, n.º 66-67, 1986"

Local

Paço de Arcos

Data

1986

Autor(es)

DIAS, Rodrigo

Título

"Quinta do Paço Real de Caxias, Boletim da Câmara Municipal de Oeiras, Fevereiro de 1999"

Local

Oeiras

Data

1999

Autor(es)

BASTO, Sara