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Conjunto formado pela igreja e torre do antigo mosteiro de Vila Nova de Muia - detalhe

Designação

Designação

Conjunto formado pela igreja e torre do antigo mosteiro de Vila Nova de Muia

Outras Designações / Pesquisas

Mosteiro de Vila Nova de Muía / Igreja Paroquial de Vila Nova de Muía / Igreja de Nossa Senhora da Guia(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Ponte da Barca / Ponte da Barca, Vila Nova de Muía e Paço Vedro de Magalhães

Endereço / Local

- -
Lugar do Mosteiro

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 35 817, DG, I Série, n.º 187, de 20-8-1946 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A história do mosteiro regrante de Vila Nova de Muía é uma história de sucessivas ampliações do espaço monacal e religioso, cujo rigoroso conhecimento está ainda longe de ser satisfatório, pela inexistência de estudos monográficos consagrados ao conjunto. Ela tem muitos pontos comuns com o vizinho mosteiro de São Martinho de Crasto, especialmente durante os séculos XII e XIII, mas apresenta, também, características únicas.
A fundação do mosteiro terá ocorrido no período condal, por volta de 1100 e por iniciativa de Godinho Fajes de Lanhoso, homem próximo do conde D. Henrique. Não se sabe ao certo em que data passou para a posse dos Agostinhos, mas tudo indica que tal tenha ocorrido ainda no século XII, depois de ter sido coutado por D. Afonso Henriques em 1140 (ALVES, 1982, p.53). As parcelas mais antigas que actualmente se conservam têm sido datadas de finais do século XII, mas existem argumentos que podem ser invocados para recuar ligeiramente esta cronologia.
Da época românica, sobrevive apenas parte da capela-mor, de planta quadrangular. Exteriormente, importa referir os modilhões que suportam a cornija enxaquetada, maioritariamente lisos ou com decoração geométrica sumária, características que levaram Carlos Alberto Ferreira de Almeida a considerar uma cronologia excessivamente tardia para a obra (ALMEIDA, 1978, vol.2, p.239). Observações posteriores deste autor conduziram a uma proposta diferente, sendo a cabeceira um produto anterior ao estaleiro de Bravães, e onde confluíram correntes artísticas quer de Braga, quer do Alto Minho, umbilicalmente ligado à Galiza românica (ALMEIDA, 1986, p.65).
O arco triunfal assume-se como um ponto de análise fundamental para a rigorosa avaliação do conjunto. Ele está parcialmente adulterado pela reforma barroca, cuja colocação do retábulo-mor obrigou à sua subida e à picagem das colunas e dos capitéis originais. Mas conserva, ainda, o friso exterior de lanceolados do projecto fundacional, uma solução tipicamente bracarense e que foi aplicada a outras obras vizinhas dos meados do século XII, como São Cláudio de Nogueira e, ainda mais próximo, São Martinho de Crasto.
A construção da nave obedeceu a outros pressupostos estilísticos, sendo nesta parte do edifício que Ferreira de Almeida identificou os pontos de contacto com a Galiza, tradicionalmente considerados dominantes no Alto Minho a partir da segunda metade do século XII. Infelizmente, não possuímos dados concretos acerca da solução dada à fachada ocidental. Como mosteiro regrante, seria natural encontrar uma torre poente a tutelar a frontaria, mas as profundas alterações por que esta parte passou impedem uma qualquer conclusão acerca da obra original. O conjunto possui uma torre quadrangular reforçada por contrafortes nos ângulos, de feição medieval, mas independente do templo. Será obra já dos séculos XIII-XIV, promovida por um senhor local (ou pelo próprio mosteiro), e insere-se num fenómeno relativamente amplo verificado no Entre-Douro-e-Minho tardo-medieval, que consistiu na construção de torres senhoriais tutelares da paisagem como elementos de prestígio e de autoridade (ALMEIDA, 1987, p.122).
Na segunda metade do século XVI, por iniciativa, ao que tudo indica, do prior António Martins, reformulou-se a fachada principal da igreja (SOUSA e MENÉRES, 1980). Ela foi, então, dotada de uma solução maneirista, de portal de volta perfeita encimado por frontão triangular, cujo tímpano ostenta uma inscrição alusiva a Nossa Senhora da Graça. Mais tarde, na primeira metade do século XVIII, o interior foi enriquecido com um retábulo barroco de estilo nacional, de ampla tribuna delimitada por colunas, cuja decoração se prolonga pelas arquivoltas.
Extinto pouco depois de 1834, o mosteiro nunca foi radicalmente restaurado, limitando-se os trabalhos a consolidar a torre e a igreja. Ele aguarda, ainda, um estudo monográfico e um programa de reabilitação, que possa salvaguardar inúmeros elementos actualmente dispersos.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

História da Arte em Portugal - O Românico

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

O mundo românico (séculos XI-XIII), História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

RODRIGUES, Jorge

Título

Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho

Local

Porto

Data

1978

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Igrejas e Capelas românicas da Ribeira Lima, Caminiana, ano IV, nº7, pp.47-118

Local

Caminha

Data

1982

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Terra da Nóbrega: notas históricas, O Instituto, nº57

Local

Coimbra

Data

1910

Autor(es)

ABREU, João Gomes de

Título

Notas sobre o mosteiro de Santa Maria de Vila Nova de Muia: concelho de Ponte da Barca, Mínia, 2ª sér., nº3, pp.157-179

Local

Braga

Data

1981

Autor(es)

SOUSA, José João Rigaud de, MENÉRES, António

Título

Inventário artístico da região Norte - II, nº3 (Concelho de Ponte da Barca)

Local

-

Data

1973

Autor(es)

-

Título

Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa, Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56

Local

Porto

Data

1972

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Arquitectura religiosa do Alto Minho, 2 vols.

Local

Viana do Castelo

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Egrejas e Capelas Românicas de Ribeira Lima

Local

Porto

Data

1926

Autor(es)

BARREIROS, Manuel de Aguiar

Título

História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico)

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de