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Quinta de São Lourenço, considerada no seu todo - habitação e dependências da lavoura, capela (São Sebastião), portão de entrada, jardim e terrenos anexos que a delimitam e ainda os conjuntos de azulejos que decoram os imóveis e jardins e (...) - detalhe

Designação

Designação

Quinta de São Lourenço, considerada no seu todo - habitação e dependências da lavoura, capela (São Sebastião), portão de entrada, jardim e terrenos anexos que a delimitam e ainda os conjuntos de azulejos que decoram os imóveis e jardins e (...)

Outras Designações / Pesquisas

(...) as pinturas da capela / Casa e Capela da Quinta de São Lourenço(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Quinta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Almada / Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas

Endereço / Local

-- -
Pragal

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

À semelhança de outras quintas do concelho de Almada, a Quinta de São Lourenço beneficia de uma situação geográfica privilegiada, localizando-se no cume de uma encosta que desce até ao Tejo, onde existiu, outrora, um pequeno ancoradouro de acesso directo à propriedade. Somente a edificação de um complexo industrial nas imediações veio alterar a excelência desta integração paisagística.
São muito escassas as informações disponíveis que se referem a São Lourenço. Pouco ou nada sabemos sobre a sua origem, e a cronologia que avançamos tem por base o inventários do conjunto de azulejos que reveste boa parte dos espaços da casa, e que ainda se conserva no local. A edificação da casa de habitação, de um piso único, deverá remontar ao século XVII. Assim o indicam as suas principais características arquitectónicas, corroboradas pela existência de azulejos seiscentistas, de padrão azul e branco, no alpendre e na fachada (DUARTE; MANGUCCI, 1998, p. 57). Com planta em forma de L, o edifício é composto por uma ala residencial, e por outra, mais comprida, onde se integra a capela, prolongada por anexos destinados a fins agrícolas. A fachada principal é antecedida por uma estrutura formada por colunas toscanas sobre um soco alto. No alçado imediatamente perpendicular, a capela destaca-se pelo portal, encimado por frontão triangular e cruz na empena, denunciando uma arquitectura de influência pombalina. O espaço interno divide-se em três naves, separadas por colunas toscanas (aliás, esta é a ordem empregue em toda a quinta), e com tribunas. A abóbada da nave é pintada, e este espaço separa-se da capela-mor através de um arco triunfal de colunas também toscanas. Nesta fachada, o segundo piso é um acrescento já do século XIX.
A depuração e linearidade do desenho evoca o gosto seiscentista, também presente no portão de acesso a este amplo terreiro definido pela habitação. De arco de volta perfeita, com aparelho rusticado, exibe, ao centro, a pedra de armas dos Cunha, proprietários da Quinta. O terreiro é delimitado por um muro recortado, formando uma série de bancos.
Uma lápide com a data de 1713 poderá indiciar nova campanha de obras. Mas serão os azulejos do interior que estabelecem uma cronologia de intervenções. Assim, em 1742 terão sido encomendados os painéis mais conhecidos deste conjunto, aplicados na sala principal da casa. Um deles, com o brasão dos Cunha, exibe a data referida. Seria, contudo, a iconografia naval, com representações de batalhas, desenhos de navios, e instrumentos náuticos que tornaria notados estes azulejos (RAPOSO, REIS, 1994, pp. 190-115). A datação pintada não deveria suscitar dúvidas, mas a verdade é que Santos Simões se interroga sobre a sua validade, pois a composição dos azulejos parece indicar uma cronologia posterior, denotando já um gosto rococó muito marcado (SIMÕES, 1979, p. 366). Para além desta interessante temática, os restantes painéis exibem cenas galantes, e outras menos comuns, como é o caso das representações de animais.
O interior da capela foi revestido naquela que é considerada a última campanha azulejar, pombalina, ocorrida no terceiro quartel do século XVIII. Os azulejos foram aplicados em silhares, em todos os panos murários e, na capela-mor, destaca-se a representação do Martírio de São Lourenço.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Os azulejos náuticos da Quinta de São Lourenço, Oceanos, n.º 17, pp 109-115

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

RAPOSO, Francisco Hipólito, REIS, António Estácio dos

Título

Património Azulejar de Almada - Quintas da Bomba e de S. Lourenço, Actas das 2ªas Jornadas de Estudos sobre o Concelho de Almada, pp. 55-59

Local

Almada

Data

1998

Autor(es)

DUARTE, Ana Luisa, MANGUCCI, Celso

Título

Azulejos quem os cuida, Al-madan, II série, n.º 1 ,

Local

Almada

Data

1992

Autor(es)

DUARTE, Ana Luisa, MANGUCCI, Celso

Título

Quinta de S. Lourenço uma ruína de Interesse Público, Al-madan, II série, n.º 1

Local

Almada

Data

1992

Autor(es)

MANGUCCI, Celso, SILVA, Francisco

Título

A casa Rural dos Arredores de Lisboa no Século XVIII

Local

Porto

Data

1999

Autor(es)

CALDAS, João Vieira