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Igreja matriz de Alcácer do Sal, também chamada Igreja de Santa Maria do Castelo - detalhe

Designação

Designação

Igreja matriz de Alcácer do Sal, também chamada Igreja de Santa Maria do Castelo

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Alcácer do Sal / Igreja de Santa Maria do Castelo(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Alcácer do Sal / Alcácer do Sal (Santa Maria do Castelo e Santiago) e Santa Susana

Endereço / Local

- no interior das muralhas do Castelo de Alcácer do Sal
Alcácer do Sal

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 38 147, DG, I Série, n.º 4, de 5-01-1951 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A Matriz de Alcácer do Sal localiza-se no espaço intra-muralhas, numa das zonas monumentais de maior antiguidade da cidade. Ela é, igualmente, o mais eloquente testemunho de como se foram sucedendo as épocas construtivas num mesmo espaço, escolhendo os novos poderes os locais simbólicos mais relevantes do tempo político e civilizacional anterior, para melhor impor a sua autoridade.
Escavações recentes sugerem que a primitiva construção implantada neste espaço tenha sido um templo romano, posteriormente cristianizado (CARVALHO, FARIA e FERREIRA, 2004, p.27). Desconhece-se ainda como se terá processado esta transição, bem como a cronologia em que o cristianismo triunfou na antiga Salacia Imperatoria Urbs. Num anexo Norte do edifício foram incorporadas duas colunas romanas, como cunhais de obra nova, o que pressupõe ter a primitiva basílica sido construída ainda com os edifícios romanos de pé.
A Alta Idade Média continua a ser pouco mais que muda em termos arqueológicos. No Museu Municipal Pedro Nunes conservam-se dois capitéis que têm sido catalogados de época visigótica (BARROCA, 1992, p.92), mas outras opiniões apontam para cronologias mais tardias, eventualmente já moçárabes (REAL, 1995), ou na órbita islâmica califal (ALMEIDA, 1986, pp. 52 e 81). A terem sido resgatados na igreja do castelo, esses capitéis são peças fundamentais para a caracterização do espaço em algum momento da Alta Idade Média, condicionando a sua atribuição cronológica outra sugestão ainda não confirmada arqueologicamente: a de que sobre a basílica paleocristã se implantou a mesquita-maior, como pensa PEREIRA, 2000, p.51.
O edifício que hoje conhecemos foi construído a partir da conquista da cidade pelas tropas portuguesas de 1217. Ele é, por isso, e pela descaracterização generalizada do paço medieval, o mais importante testemunho da vitória cristã e do novo tempo civilizacional, que fez com que Alcácer ficasse na posse da Ordem de Santiago. Trata-se de um dos mais meridionais edifícios tardo-românicos, que integra já alguns elementos de transição, em particular ao nível da flora dos capitéis do corpo.
O portal principal, de arco de volta perfeita sustentado por arquivolta única sobre colunas de capitéis desprovidos de decoração, é o imediato testemunho estilístico a quem se depara com a igreja. O mais importante vestígio é, todavia, o portal lateral Norte, inscrito em corpo avançado em forma de alfiz. É um amplo portal de arco a pleno centro, definido por três arquivoltas, a exterior ornamentada com friso de rosetas geometrizantes. As duas arquivoltas interiores são lisas, mas suportadas por colunas cujos capitéis exibem um vegetalismo característico do século XIII, com amplos espaços por preencher, porém já com composições em andares. No interior, salientam-se os capitéis, que apresentam motivos fitomórficos semelhantes aos do portal setentrional, com figurações ainda muito presas ao campo escultórico. Em todo o caso, dois capitéis ilustram o que parecem ser sereias, numa assunção já algo anacrónica do bestiário românico.
Se a estrutura geral da obra é ainda românica, muitos foram os melhoramentos por que o templo passou nos séculos seguintes. Na época moderna, pelos séculos XVII-XVIII, refez-se a cobertura, suprimindo-se o tecto original, presumivelmente de madeira, para a actual solução de três panos. A frontaria foi bastante transformada nessa altura, com novo segundo andar e coroamento (que incluiu uma janela monumental) e, principalmente, com torre sineira barroca, de secção quadrangular e adossada à face lateral Sul da frontaria. No interior, construiu-se a Capela do Santíssimo Sacramento (2ª metade do século XVII), que tem a particularidade das paredes laterais serem revestidas por azulejos polícromos seiscentistas.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

O castelo de Alcácer do Sal. Um projecto de arqueologia urbana, Bracara Augusta, vol. 46 (Actas do Encontro de Arqueologia Urbana), pp.215-264

Local

Braga

Data

1994

Autor(es)

PAIXÃO, António Manuel Cavaleiro, CARVALHO, António Rafael, FARIA, João Carlos Lázaro

Título

Alcácer do Sal na Idade Média, Dissertação de Mestrado apresentada à Universiade Nova de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

PEREIRA, Maria Teresa Lopes

Título

Inovação e resistência: dados recentes sobre a antiguidade cristã no ocidente peninsular, IV Reunião de Arqueologia Cristã Hispânica (Lisboa, 1992), 1995, pp.17-68

Local

-

Data

1995

Autor(es)

REAL, Manuel Luís

Título

História da Arte em Portugal, vol. 2 (Alta Idade Média)

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Alcácer do Sal islâmica

Local

Alcácer do Sal

Data

2004

Autor(es)

FERREIRA, Marisol Aires, CARVALHO, António Rafael, FARIA, João Carlos Lázaro

Título

3. Capitel, Nos confins da Idade Média, p.92

Local

Porto

Data

1992

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge