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Recolhimento dos Órfãos - detalhe

Designação

Designação

Recolhimento dos Órfãos

Outras Designações / Pesquisas

Igreja e Colégio de Nossa Senhora da Esperança
Recolhimento das Meninas Orfãs de Nossa Senhora da Esperança / Recolhimento das Meninas Órfãs de Nossa Senhora da Esperança / Igreja e Colégio de Nossa Senhora da Esperança(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Edifício

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Porto / Porto / Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória

Endereço / Local

Avenida Rodrigues de Freitas, em frente do Jardim Marques de Oliveira
Porto

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 22 618, DG, I Série, n.º 122, de 2-06-1933 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A sua instituição remonta à primeira metade do século XVIII, quando, os testamenteiros do padre Manuel de Passos Castro utilizaram, após a sua morte, parte dos bens destinados a obras de caridade para a criação de um recolhimento para meninas órfãs. As obras iniciaram-se pouco depois, em 1724, mas a falta de recursos acabou por ditar a sua interrupção em 1731. Foram retomadas em 1746 com o início dos trabalhos na igreja e, em 1763 esta estava concluída, tendo sido benzida a 17 de Março desse mesmo ano (SMITH, 1966, p. 117). Contudo, o edifício tal como hoje o conhecemos data somente da segunda metade do século XIX, muito possivelmente de cerca de 1861, pois em 1833 um desenho do Recolhimento mostrava apenas uma das alas que enquadram a igreja.
Nesta medida, verificamos como o edifício e o templo foram objecto de diversas campanhas, que se arrastaram até ao século XIX. Menos evidente é, todavia, o nome dos responsáveis pelas obras. Numa primeira fase, foram dirigidas pelo mestre António Pereira, que deverá ter edificado a ala original do edifício do Recolhimento. Já no que diz respeito à igreja e a determinados pormenores do restante imóvel (como as portadas) parece certa a intervenção de Nicolau Nasoni, isto apesar do seu nome não surgir na documentação e, principalmente, no muito pormenorizado contrato para a obra da igreja, datado de 1746 (BASTO, pp. 408-418). Roberth Smith defendeu que o arquitecto italiano se encontrava, nessa época, ocupado com outros empreendimentos de maior envergadura, tendo apenas riscado a planta da igreja de Nossa Senhora da Esperança, sem acompanhar a construção. Na realidade, a comparação entre muitos dos elementos aqui utilizados e outras obras seguramente desenhadas por Nasoni revela traços comuns que não podem ser ignorados.
O edifício de dois blocos com a igreja ao centro apresenta uma longa fachada virada para a Av. Rodrigues de Freitas e Jardim de São Lázaro, que foi muito modificado nas obras do século XIX, que não acrescentaram um novo bloco, como modificaram o original, de forma a criar simetria na abertura dos vãos.
A igreja, ligeiramente mais avançada, é delimitada por pilastras cunhais e, ao centro, abre-se o portal, encimado por frontão interrompido pelo nicho com a imagem de Nossa Senhora da Esperança, padroeira da instituição. Dois janelões flanqueiam o referido nicho, e a este sobrepõe-se um óculo que interrompe o entablamento. Já no tímpano do frontão contracurvado que remata o alçado, encontra-se o brasão de armas de Portugal, também símbolo das Misericórdias (que administrava o Recolhimento). Por fim, e sobre o frontão, ergue-se a cruz central, ladeada por pináculos e fogaréus de cariz naturalista. De acordo com os estudos de Robert Smith, a composição deste alçado denota grande proximidade com a fachada da antiga igreja da Misericórdia, onde a disposição dos vãos formava um losango, tal como se verifica neste templo, situação que denota a importância de elementos historicistas, bastante comum no contexto da obra arquitectónica de Nicolau Nasoni (SMITH, 1966, p. 117).
No interior, uma cornija sobre as janelas, e rematando as pilastras de ordem toscana que animam a superfície parietal, percorre todo o espaço da nave, coberta por abóbada de berço. Para além do coro-alto (cujo perfil e elementos decorativos em pedra constituem um importante traço do arquitecto italiano), encontram-se ainda várias capelas laterais e a capela-mor, de alguma profundidade, é aberta lateralmente por portas cujo desenho é, também, atribuído a Nasoni, exibindo um retábulo de talha dourada de grande imponência.
No contexto da obra de Nasoni, esta igreja insere-se dentro da "tendência à plasticidade e ao realismo decorativo que aparecera primeiro na fachada dos Clérigos", e que confere a este alçado uma grande dinâmica e movimento (SMITH, 1966, p. 115).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Guia histórico e artistico do Porto

Local

-

Data

1935

Autor(es)

PASSOS, Carlos de

Título

Nicolau Nasoni, arquitecto do Porto

Local

-

Data

1966

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

Apontamentos para um dicionário de artistas e artífices que trabalharam no Porto do séc. XV ao XVIII

Local

-

Data

-

Autor(es)

BASTO, Artur de Magalhães

Título

Nasoni, Nicolau, Dicionário de Arte Barroca em Portugal

Local

-

Data

1989

Autor(es)

ALVES, Joaquim Jaime Ferreira