Saltar para o conteúdo principal da página

Pintura a fresco, do século XV, existente na parede que serve de fundo à capela-mor da igreja de Santa Maria de Negrelos - detalhe

Designação

Designação

Pintura a fresco, do século XV, existente na parede que serve de fundo à capela-mor da igreja de Santa Maria de Negrelos

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Santa Maria de Negrelos / Igreja de Santa Maria de Negrelos(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Porto / Santo Tirso / Roriz

Endereço / Local

-- -
Santa Maria de Negrelos

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

O procedimento de reclassificação caducou nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Despacho de 21-03-2006 da Vice-Presidente do IPPAR a determinar a abertura do processo de reclassificação
Decreto n.º 41 191, DG, I Série, n.º 162, de 18-07-1957
(ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Santa Maria de Negrelos é um templo de origem medieval, muito modificado na época moderna. Do período românico, possivelmente do século XIII, conserva-se a cabeceira, de capela única rectangular e cachorrada de modilhões decorados com motivos geométricos. Os focos de iluminação, originalmente estreitas frestas características da arquitectura do início da Nacionalidade, deram origem a janelas abocinadas, rectangulares e dispostas verticalmente no alçado.
Bastante mais radicais foram as obras no corpo do templo, integralmente refeito durante o século XVII. De nave única relativamente curta, o interior integra púlpito e coro-alto de madeira com protecção em balaustrada, enquanto que o exterior apresenta galilé quadrangular adossada à frontaria, assente em pilares de cantaria nos ângulos e em duas colunas médias, providas de base e de capitéis classicizantes, e coberta por telhado de três águas. O portal principal é de verga recta moldurada e, acima da galilé, abre-se um óculo circular que filtra luz para o interior. A empena é triangular, com cruz sobre peanha ao centro e pequena sineira de arco único sobre o cunhal direito, a que se acede por lanço de escadaria moderna.
O maior motivo de interesse deste templo reside na composição mural da parede fundeira da capela-mor, obra datável de finais do século XV ou inícios do seguinte e inserida na abundante produção de pintura mural deste período, onde grande parte do interior das igrejas foi revestido por painéis devocionais ou narrativos deste tipo. Ela foi descoberta em 1955, quando se desmontou o retábulo-mor barroco que cobria a parede nascente da ábside, durante o restauro então efectuado. Apesar do seu relativo mau estado de conservação, é ainda possível ter uma leitura global dos painéis que a compõem e da forma como a solução obrigou ao entaipamento da janela românica original, hoje visível graças à deterioração da camada de suporte da pintura.
Nos dois painéis remanescentes (outros poderiam ter existido, a revestir as paredes laterais...) representaram-se as figuras estáticas de São Pedro e de São Paulo (com os respectivos atributos, a chave e a espada) que, juntamente com três anjos, deveriam ladear uma terceira figura, central, e entretanto desaparecida, que mais não seria que a Assunção da Virgem.
Apesar da técnica relativamente fruste de execução e da limitação da paleta cromática - que privilegiou apenas três cores: negro; ocre e violeta - é manifesta a intenção simbólica desta pintura-retábulo, orientando o espectador para uma das mais importantes figuras do Cristianismo tardo-gótico: a Virgem. O carácter hierático de São Pedro e São Paulo, como que se de estátuas se tratassem, contrasta com o aparente dinamismo da Virgem no seu movimento ascendente, o que reforça a deliberada orientação da composição para a sua figura central, fazendo com que os dois "pilares da Igreja" assistam, também eles, ao triunfo celestial da mãe de Jesus.
O conjunto mural de Negrelos carece de um estudo histórico-artístico aprofundado, que perspective a sua importância no panorama da história da pintura mural em Portugal e, muito particularmente, no entre-Douro-e-Minho. Mas também a igreja carece de um projecto de investigação mais alargado, que permita extrair conclusões a respeito do passado românico e, eventualmente, romano e altimedieval. No conjunto conserva-se ainda uma ara romana reaproveitada como pé de altar, com orifício rectangular central para albergar caixa de relíquias, o que pode indiciar a proximidade de um estabelecimento romano.
PAF

Bibliografia

Título

Um fresco do século XV em Santa Maria de Negrelos, O Concelho de Santo Tirso, vol. 4, separata

Local

Santo Tirso

Data

1956

Autor(es)

MATTOSO, José