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Igreja paroquial de Malhados - detalhe

Designação

Designação

Igreja paroquial de Malhados

Outras Designações / Pesquisas

Igreja paroquial de Malhadas / Igreja de Nossa Senhora da Expectação, paroquial de Malhadas / Igreja Paroquial de Malhadas / Igreja de Nossa Senhora da Expectação (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Bragança / Miranda do Douro / Malhadas

Endereço / Local

Rua da Igreja
Malhadas

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 39 521, DG, I Série, n.º 21, de 30-01-1954 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Malhadas é mais uma de tantas igrejas medievais transmontanas, estilisticamente situáveis entre o Românico e o Gótico, mas cuja principal característica é a extrema simplicidade tanto da estrutura como dos elementos decorativos. A província é fértil em pequenos templos rurais, pouco ou nada transformados ao longo dos séculos e reveladores de uma organização paroquial elementar, instituída em meios de recursos económicos pouco relevantes. Esta linha de caracterização aplica-se à esmagadora maioria dos templos edificados ao longo dos séculos XIII e XIV, nos actuais distritos de Vila Real e de Bragança, comprovando, desta forma, como a evolução das formas se processou muito lentamente nas regiões mais periféricas, a ponto de, em alguns casos, sentirmos grande dificuldade em catalogar estilisticamente algumas obras, se no Românico, se no Gótico.
O templo de Malhadas não escapa a estas condicionantes e, se a maioria dos autores admite tratar-se de uma realização ainda românica, outros há que a colocam já no capítulo da arte gótica (ALMEIDA, 1986, p.104). Para este estado de coisas, muito contribui a indefinição cronológica que rodeia a sua construção. Na principal monografia do Leste transmontano, o Abade de Baçal colocou-a entre os séculos XII-XIII, mas abordagens mais recentes têm avançado a sua edificação até ao século XIII pleno ou, mesmo, até ao século XIV (ROSAS, 2000).
Ao que tudo indica, a primeira referência à aldeia data da centúria de Duzentos, altura em que aparece mencionada como dependente do cabido de Bragança (DGEMN, on-line). O templo poderá ter sido edificado por essa altura, embora subsistam algumas dúvidas a respeito de um passado altimedieval, sugerido pela presença de alguns elementos romanos reaproveitados (ALVES, 2ªed., vol. IX, 1975, pp.459-460).
Apesar de pouco elucidativos, os pormenores decorativos do templo integram-se no que conhecemos do românico transmontano dos séculos XIII-XIV (GRAF, 1986, vol. 2, p.38). O portal é de três arquivoltas, sem tímpano, ornado unicamente por fiadas de esferas, um tipo de decoração sumária que encontramos em alguns casos do Gótico de Entre-Douro-e-Minho e que conta com muitos antecedentes do final do Românico. Sobre ele, eleva-se um alto campanário, solução que é também comum nos templos medievais transmontanos. A estrutura da igreja reforça a simplicidade do conjunto: a capela-mor é barroca, mas conserva-se, ainda, a nave única, seccionada em três tramos marcados por dois longos arcos quebrados e um terceiro abatido, de época moderna, destinado a suportar o coro-alto.
No século XVI, registaram-se algumas alterações. A mais visível foi a construção de uma capela lateral do lado Sul, de planta quadrangular delimitada lateralmente por dois contrafortes e com acesso por arco de volta perfeita. Trata-se de uma parcela do edifício que tem passado despercebida mas que constitui um dos poucos testemunhos de arquitectura renascentista na província (igualmente modesta, como se caracteriza a obra tardo-românica). As paredes do interior foram revestidas por pinturas murais, de que se conserva uma representação do Juízo Final, com Cristo entronizado ladeado por diversas figuras e por um anjo músico. De acordo com as observações de Lúcia Rosas, o padrão decorativo de círculos secantes que emolduram a pintura são semelhantes a outros da vizinha igreja de Santa Eufémia de Duas Igrejas (ROSAS, 2000), pelo que é de admitir a presença de um mesmo artista ou oficina em ambos os edifícios.
Finalmente, no século XVIII edificou-se a actual capela-mor, profunda e abundantemente iluminada, à maneira barroca. Data também desse período o retábulo-mor, de talha dourada e estrutura vertical tripartida. Novas obras ocorreram nos dois séculos seguintes, tendo o restauro sido limitado a um arranjo geral do adro, o que favoreceu a manutenção das características essenciais da igreja, como o tecto da nave que se supõe ser ainda medieval ou as obras que marcam as etapas evolutivas.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança: repositório amplo de notícias corográficas, hidro-orográficas, geológicas, mineralógicas, hidrológicas, biobibliográficas, heráldicas (...), 2ªed.

Local

Bragança

Data

2000

Autor(es)

ALVES, Francisco Manuel

Título

A talha nos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso nos séculos XVII e XVIII

Local

Miranda do Douro

Data

1984

Autor(es)

MOURINHO JÚNIOR, António Rodrigues

Título

Arquitectura Religiosa da Diocese de Miranda do Douro (1545-1800)

Local

Bragança

Data

1995

Autor(es)

MOURINHO JÚNIOR, António Rodrigues

Título

Caminho de Miranda (apontamentos de viagem), Arte e Arqueologia, pp.84-85

Local

Lisboa

Data

1920

Autor(es)

CORREIA, Vergílio

Título

Igreja de Nossa Senhora da Expectação de Malhadas, Do Douro Internacional ao Côa. As raízes de uma fronteira, CD-ROM

Local

Porto

Data

2000

Autor(es)

ROSAS, Lúcia Maria Cardoso