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Igreja da Misericórdia e Fonte - detalhe

Designação

Designação

Igreja da Misericórdia e Fonte

Outras Designações / Pesquisas

Igreja da Misericórdia de Alandroal e Fonte
Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Alandroal e Fonte / Edifício e Igreja da Santa Casa da Misericórdia do Alandroal (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Fonte da Misericórdia (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Alandroal / Alandroal (Nossa Senhora da Conceição), São Brás dos Matos (Mina do Bugalho) e Juromenha (Nossa Senhora do Loreto)

Endereço / Local

Travessa da Misericórdia
Alandroal

Rua Alexandre Herculano
Alandroal

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A estrutura da Misericórdia do Alandroal, com duas igrejas paralelas (uma quinhentista e outra setecentista), deixa adivinhar os grandes períodos da sua existência, dos quais resultaram evidentes consequências ao nível arquitectónico e decorativo. Não se sabe ao certo a data da sua instituição, mas a existência de um livro de contas de 1511 permite supor que já existia neste ano (ESPANCA, 1978). Será, no entanto, necessária uma investigação mais aprofundada para se apurar a fundação desta Misericórdia, não mencionada em estudos mais recentes (SÁ, 2002, p. 22).
A primitiva igreja era da invocação do Espírito Santo e, embora tenha sido utilizada como sala do Consistório durante longo tempo, mantém a traça original. Situada a Leste, apresenta nave única, arco triunfal ogival e capela-mor rectangular, com cobertura em abóbada de nervuras, com fecho onde se representa a cruz da Ordem de Cristo e pinturas a fresco, já seiscentistas. Se a arquitectura mantém os traços manuelinos, que podem corroborar a maior antiguidade da igreja e da instituição da Misericórdia, os elementos decorativos que aqui encontramos são já do período barroco, possivelmente contemporâneos da grande intervenção que deu origem à igreja setecentista. Os panos murários exibem, também, pintura a fresco, com representações de São João Baptista no deserto, um santo Bispo e São Francisco recebendo os estigmas (ESPANCA, 1978).
O retábulo que hoje observamos é de alvenaria e remonta ao período barroco. A lápide no pavimento indica que ali se encontra sepultado D. Jorge de Melo (+ 1549), por alguns autores considerado o fundador da Misericórdia. A fachada desta capela foi integrada na igreja que se edificou posteriormente, constituindo a sua porta principal, de verga recta, a base da torre sineira.
Em relação à nova igreja são poucos os dados conhecidos. A sua arquitectura indica uma construção que pode ser balizada entre o final do século XVII e o início do seguinte, sendo que boa parte dos elementos decorativos, onde se inclui a cartela sobre o portal principal, são já do reinado de D. João V. A edificação de um outro templo, paralelo ao primitivo, poderá justificar-se por uma questão de espaço. A capela original não deveria apresentar ruína, uma vez que foi conservada e reutilizada.
A fachada principal, em empena, destaca-se pelo portal principal, coroado por frontão recortado em cujo tímpano se inscrevem as armas de D. João V, denunciando não apenas uma época construtiva mas, eventualmente, a participação real nas obras que então decorriam. No interior, a nave rectangular é coberta por abóbada de meio canhão; tem coro alto, dois altares, e o púlpito de mármore branco do século XVIII. Ganha especial relevância a tribuna dos mesários, de madeira entalhada (com elementos a anunciar o rocaille), assente sobre cachorros marmóreos. Esta tribuna pode, eventualmente, indiciar uma outra campanha de obras tardia, mais próxima ou a decorrer no reinado de D. José (ESPANCA, 1978).
Na capela-mor, o retábulo de talha dourada, estilo nacional, apresenta tribuna com um trono, a que se sobrepunha, por vezes, um painel representando a Visitação, executado por um pintor regional. Os panos murários destacam-se pelo revestimento azulejar azul e branco, característicos da primeira metade do século XVIII e que Santos Simões data de c. 1740 (1969, p. 396). Ilustram a Última Ceia e Cristo a lavar os pés aos Apóstolos.
Uma última referência para as restantes dependências da Misericórdia e antigo Hospital, cuja fachada se desenvolve no prolongamento do alçado principal da igreja, acompanhando o declive da rua. Pauta-se por vãos de verga recta e janelas de sacada no piso superior. Incluída na presente classificação, a fonte, situada em frente da entrada do antigo hospital, foi inaugurada em 1872. Veio substituir um antigo poço, e a fonte erguida em 1782. O seu espaldar, em mármore, é muito depurado, salientando-se o remate em frontão contracurvado. (RC)

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal - vol. IX (Distrito de Évora, Zona Sul, volume I)

Local

Lisboa

Data

1978

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Origens e Formação das Misericórdias Portuguesas

Local

Lisboa

Data

1999

Autor(es)

CORREIA, Fernando da Silva

Título

As Misericórdias da fundação à União Dinástica, Portugaliae Monumenta Misericordiarum - fazer a história das Misericórdias, vol. 1, pp. 19-45

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

SÁ, Isabel dos Guimarães