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Igreja de São Bartolomeu de Messines - detalhe

Designação

Designação

Igreja de São Bartolomeu de Messines

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de São Bartolomeu de Messines / Igreja de São Bartolomeu(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Faro / Silves / São Bartolomeu de Messines

Endereço / Local

Largo da Igreja
São Bartolomeu de Messines

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

São Bartolomeu de Messines é uma povoação de origem árabe, que já existia em 1189, quando os cruzados e as tropas de D. Sancho I conquistaram Silves. Nessa altura, era designada por Mussiene ou Adh-Dhakira Assania (DOMINGUES, 2ªed. 2002, p.114), o que prova estar a povoação devidamente estruturada. Infelizmente, dos séculos seguintes nada sabemos. A igreja medieval que aqui existiu não chegou até aos nossos dias e mesmo a localidade parece ter perdido importância, provavelmente pela sua localização interior e periférica em relação aos principais centros de poder do Algarve tardo-medieval.
Só nas primeiras décadas do século XVI podemos retomar o discurso em relação à sua igreja matriz. Em momento ainda um pouco incerto do reinado de D. Manuel, ou já do de D. João III, mas que poderá bem corresponder aos anos 20-30 (RAMOS, 1996, p.103), o templo foi objecto de uma radical reformulação, campanha que, longe de se limitar a uma actualização estética mediana, foi responsável por uma obra requintada, original e sem paralelo em toda a província do Algarve.
Com efeito, as três naves do corpo da igreja (que tem uns invulgares seis tramos) são separadas, entre si, por arcos de volta perfeita, chanfrados, que descarregam em pilares torsos, de bases e capitéis múltiplos. Esta solução é comparável, apenas, à grande obra de Mestre Boytac em Setúbal e contrasta com a utilização mais comum de elementos torsos manuelinos em colunelos de arcos triunfais ou portais (IDEM, p.103). Na nave Norte, existe um portal lateral, actualmente entaipado, de perfil quebrado e de aduelas chanfradas. É uma peça mais modesta que as colunas do interior, reveladora da economia de meios e sua relação com os elementos mais emblemáticos da construção, circunstância que obrigou a uma certa heterogeneidade formal no mesmo momento artístico.
A campanha quinhentista alargou-se também à cabeceira e, ainda que a capela-mor tenha sido substituída por uma outra mais recente, os dois absidíolos ostentam uma linguagem artística vincadamente manuelina. Manuel Castelo Ramos situou a capela Sul na década de 30, na sequência da dissolução dos formulários manuelinos e sua substituição por outros mais classicizantes. As nervuras quadrangulares, o abandono do naturalismo nos bocetes e as mísulas "estilisticamente diferentes", onde descarrega a abóbada de duplo tramo, são os argumentos invocados para esta datação tardia (IDEM, p.103).
No período barroco, e à semelhança do que aconteceu com outros templos algarvios, a igreja foi alvo de nova empreitada. O portal principal, de arco recto e limitado por duas colunas salomónicas, a que se sobrepõe um entablamento de pináculos nas extremidades enquadrando um grande janelão rectangular moldurado, ostenta a data de 1716, ano provável da conclusão da renovada fachada principal, que integra, ainda, dois janelões rectangulares a ladear o portal e uma empena triangular irregular, definida por volutas. Por essa mesma altura, executaram-se os quatro retábulos laterais da igreja, cujas semelhanças entre si fazem crer terem sido executados por uma mesma oficina (LAMEIRA, 2000, p.191).
Igualmente determinante foi a reforma da capela-mor, que surpimiu a anterior manuelina. Um compartimento rectangular, profundo, antecedido por arco triunfal de volta perfeita que, anos depois, albergou o actual retábulo-mor, obra já rococó, contratada em 1787 ao entalhador farense Manuel Francisco Xavier, segundo um desenho previamente estabelecido (LAMEIRA, 2000, p.292). Pela sua cronologia, é natural que se equacione ter o terramoto de 1755 afectado parcialmente o templo, datando, das décadas seguintes, trabalhos de consolidação.
Já na década de 60 do século XX, a DGEMN promoveu um restauro elementar, substituindo-se os pavimentos de madeira, construindo-se algumas cantarias e demolindo-se partes secundárias que ameaçavam ruir, como o tecto da sacristia. Mais recentemente, há cerca de dez anos, restauraram-se os retábulos laterais.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Corografia ou memoria economica, estadistica, e topografica do reino do Algarve

Local

Lisboa

Data

1841

Autor(es)

LOPES, João Baptista da Silva

Título

Itinerário do Barroco no Algarve

Local

-

Data

1988

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

A talha no Algarve durante o Antigo Regime

Local

Faro

Data

2000

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco

Título

Monografia de São Bartolomeu de Messines (1909), 2ªed.

Local

Faro

Data

1987

Autor(es)

OLIVEIRA, Francisco Xavier d'Ataíde

Título

Silves. Guia turístico da cidade e do concelho

Local

Silves

Data

2002

Autor(es)

DOMINGUES, José Domingos Garcia

Título

Silves. Guia turístico

Local

Silves

Data

1958

Autor(es)

DOMINGUES, José Domingos Garcia

Título

Decoração arquitectónica manuelina na região de Silves (séculos XV-XVI), Revista Xelb, nº3, 1996, pp.79-142

Local

Silves

Data

1996

Autor(es)

RAMOS, Manuel Francisco Castelo

Título

A arquitectura manuelina

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

DIAS, Pedro