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Palácio do Conde de Castro Guimarães, também denominado «Torre de São Sebastião», incluindo a Capela de São Sebastião, Cruzeiro fronteiro à Capela, painés de azulejo (dois) e parque envolvente limite da antiga propriedade do conde de Castro Guimarães - detalhe

Designação

Designação

Palácio do Conde de Castro Guimarães, também denominado «Torre de São Sebastião», incluindo a Capela de São Sebastião, Cruzeiro fronteiro à Capela, painés de azulejo (dois) e parque envolvente limite da antiga propriedade do conde de Castro Guimarães

Outras Designações / Pesquisas

Museu Conde de Castro Guimarães / Palácio do Conde de Castro Guimarães / Torre de São Sebastião (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Capela de São Sebastião (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Parque Marechal Carmona / Parque do Palácio do Conde de Castro Guimarães (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Chafarizes no Parque Marechal Carmona (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Palácio

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Cascais / Cascais e Estoril

Endereço / Local

Avenida Humberto II de Itália, Parque Marechal Carmona, na enseada da praia de Santa Marta, junto à foz da ribeira dos Mochos
Cascais

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)

ZEP

Portaria n.º 283/2014, DR, 2.ª série, n.º 82, de 29-04-2014 (sem restrições) (ZEP da Cidadela de Cascais, incluindo a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz e a Torre Fortificada de Cascais, do Forte de Santa Marta (restos), do Palácio dos Condes de Castro Guimarães (...), Marégrafo de Cascais e da Casa de Santa Maria, incluindo o jardim (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 24-02-2014 do diretor-geral da DGPC
Anúncio n.º 340/2013, DR, 2.ª série, n.º 211, de 31-10-2013 (ver Anúncio)
Despacho de 7-03-2012 do diretor-geral da DGPC a determinar a audiência dos interessados sobre a fixação conjunta de uma só ZEP
Despacho de concordância de 10-10-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer de 10-10-2011 da SPAA do CNC a propor que sejam fixadas cinco ZEP, uma para cada imóvel, todas coincidentes
Proposta de 24-05-2011 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a ZEP conjunta da Casa de Santa Maria, incluindo o jardim, do Palácio dos Condes de Castro Guimarães, do Forte de Santa Marta, da Cidadela de Cascais, incluindo a Fortaleza de Nossa Senhora da Luz e a Torre Fortificada de Cascais e do Marégrafo de Cascais

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Implantado junto à entrada para a Boca do Inferno, o Palácio do Conde de Castro Guimarães, como ficou conhecido, é uma arquitectura fortemente cenográfica e pictórica, que encontra, na perfeita integração com o meio envolvente e com os equipamentos já aí existentes, como a ponte rústica, um dos seus maiores trunfos. Por outro lado, e no contexto do século XIX, em que a história é integrada na arquitectura como memória colectiva (PALÁCIO,1994,p.27), este palacete de veraneio constitui um exemplo de eclectismo, ao mesmo tempo unificador de várias linguagens arquitectónicas, que lhe conferem um enorme sentido de monumentalidade (SILVA,1988,p.76).
Seguindo a descrição de Branca Colaço e Maria Archer (1943,pp.246-247), o autor do projecto "deu-lhe a graça medieval das janelas geminadas, as cúpulas das igrejas orientais, os mirantes dos serralhos moiriscos, os coruchéus das catedrais góticas, os alpendres dos solares minhotos, as torres das fortificações bárbaras, os varandins dos palácios italianos, as arcarias do estilo manuelino, mil enfeites, mil contornos diversos". A mesma ideia está presente nos estudos recentes de Regina Anacleto (1997,p.542), nas palavras de quem este edifício "patenteia uma amálgama de tendências e de materiais que se estendem desde o castelo senhorial a reminiscências mouriscas, manuelinas e renascentistas, bem como da pedra ao reboco de argamassa, passando pelo revestimento cerâmico".
A edificação do palácio deve-se à iniciativa de Jorge O'Neill, irlandês ligado aos negócios do tabaco e às finanças que, em 1892, requereu o aforamento destes terrenos à Câmara de Cascais. Tomando o exemplo de D. Luís, os nobres e personalidades influentes elegeram esta orla da linha como destino privilegiado de férias, implantado aqui as suas habitações de veraneio.
Crê-se que o modelo da casa que O'Neill veio a construir seja devido ao cenógrafo Luigi Manini, que o irlandês teria encontrado a pintar, neste local, inserindo na paisagem um palacete revivalista, tão ao gosto de outros projectos da sua autoria, como o Palace Hotel do Buçaco (FALCÃO,1981,p.186). Foi, no entanto, o pintor Francisco Vilaça quem concebeu o desenho do palácio, cerca de 1900, imprimindo-lhe um carácter cenográfico, devedor de Manini e de si próprio, que concentra nas fachadas-cenário todo o esforço decorativo.
Apresenta planta irregular, constituída por um corpo longitudinal onde se inclui o claustro, um outro também de planta rectangular, e a torre de São Sebastião, esta última de aparência românica. Os volumes são, igualmente, irregulares e de formas muito diversas, com fachadas abertas por vãos de características muito diferenciadas. Merecem especial destaque os jardins, com equipamentos diversos e um lago com uma parede de azulejos provenientes, muito possivelmente e como a iconografia indica, de uma igreja de religiosos teatinos (SIMÕES,1979,p.188). Na verdade, os azulejos que encontramos no exterior e no interior revelam, também eles, o gosto pelo antigo, tendo sido aqui utilizados painéis cerâmicos de origens diversas, quer do século XVII, quer do século XVIII.
Jorge O'Neill imprimiu ao palácio um cunho muito pessoal, bem visível nos elementos de origem irlandesa, como os trevos presentes nos ferros forjados, e nas pinturas de algumas salas.
Em 1910, O'Neill encontrava-se numa situação financeira difícil, que o levou a vender o palácio ao Conde de Castro Guimarães, um importante banqueiro que beneficiava de privilegiadas ligações internacionais. Este, sem descendentes, optou, no seu testamento, por deixar o edifício à vila de Cascais, com a condição do município fazer dele um museu e um jardim público. Assim veio a acontecer em 1927, aquando da sua morte, abrindo o museu ao púbico apenas três anos mais tarde, em 1930. Conservando as características de Casa-Museu, a sua colecção é constituída, essencialmente, por mobiliário, azulejaria, porcelana, pintura e arqueologia, dispondo, ainda, de uma biblioteca. (RC)

Imagens

Bibliografia

Título

O Neomanuelino ou a reinvenção da arquitectura dos Descobrimentos.

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

ANACLETO, Regina

Título

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1963

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de

Título

Arquitectura neomedieval portuguesa, 1780-1924

Local

Lisboa

Data

1992

Autor(es)

ANACLETO, Regina

Título

Memórias da linha de Cascais

Local

Cascais

Data

1943

Autor(es)

COLAÇO, Branca de Gonta, ARCHER, Maria

Título

Cascais Menino

Local

Cascais

Data

1981

Autor(es)

FALCÃO, Pedro

Título

Cascais

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

SILVA, Raquel Henriques da

Título

Monografia de Cascais

Local

Cascais

Data

1969

Autor(es)

ANDRADE, Ferreira de, CASTELO BRANCO, António de

Título

O programa estético da casa de Jorge O' Neill, a partir dos contributos de Luigi Manini, in revista Monumentos: cidades, património, reabilitação

Local

Lisboa

Data

2011

Autor(es)

LUCKHURST, Gerald, PEREIRA, Denise