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Capela de Nossa Senhora da Nazaré - detalhe

Designação

Designação

Capela de Nossa Senhora da Nazaré

Outras Designações / Pesquisas

Solar dos Falcões e Capela de Nossa Senhora da Nazaré / Solar D. Carlos I(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Cascais / Cascais e Estoril

Endereço / Local

Rua Latino Coelho
Cascais

Número de Polícia: 8

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

(Ver ficha do Solar dos Falcões, classificado como de IM pela CM de Cascais, excluindo a capela)
Em 6-06-2003 foi dado conhecimento do despacho à CM de Cascais
Despacho de concordância de 24-05-2003 do presidente do IPPAR, com o consequente encerramento do processo de classificação
Proposta de encerramento de 22-05-2003 da DR de Lisboa, por o imóvel não possuir um valor cultural de âmbito nacional
Proposta de 29-01-2003 da CM de Cascais para a ampliação da classificação a todo o Solar dos Falcões, onde a capela se encontra incorporada
Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)
Edital de 3-05-1976 da CM de Cascais
Edital de 15-01-1975 da CM de Cascais
Despacho de homologação de 6-12-1974
Parecer de 29-11-1974 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Proposta de 31-01-1974 de particular para a classificação como IIP

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O antigo solar dos Falcões, um dos raros exemplos de residência senhorial existentes na vila de Cascais, tinha anexa a capela de Nossa Senhora da Nazaré, cuja edificação remonta a 1713. O Solar era propriedade do capitão António Falcão Pereira e sua mulher, D. Antónia da Sylva, que nessa data instituíram a capela (LARA, 1984). Vinculada à casa dos Falcões, a capela funcionou como jazigo da família durante algum tempo.
Entre 1741 e 1753 o templo foi ocupado pela Ordem de São Francisco de Paula, que pretendia fundar um convento em Cascais. No decorrer do século XVIII, e em consequência de dívidas contraídas pelo então proprietário, a casa e a capela foram vendidas por diversas vezes. Já no final do século XIX, foi adquirida pelos Condes de Magalhães, que mais tarde a tornaram a vender para aí ser instalado um hotel, o actual Solar D. Carlos (GODINHO, MACEDO, PEREIRA, 1990, pp. 124-125).
A fachada, de linhas sóbrias, é rasgada por um portal rectilíneo, com frontão de volutas encimado por janela rectangular. É coroada por um frontão contracurvado de volutas que, por sua vez, é ladeado por pináculos e coroado pela torre sineira, cujo remate em frontão interrompido por cruz, é muito semelhante ao do portal.
A simplicidade exterior contrasta com a decoração do espaço, onde se destaca o conjunto de painéis de azulejos atribuídos ao ciclo dos Grandes Mestres, nomeadamente a António de Oliveira Bernardes. Constituída por nave e capela-mor, com coro e púlpito, a capela mantém a unidade decorativa (pintura, talha e azulejo) que sempre terá caracterizado o seu interior. Todo o conjunto exibe pinturas murais em molduras a imitar marmoreados. O coro alto encontra-se sobre o arco abatido da entrada, e o púlpito, de talha pintada, situa-se no lado da Epístola. O arco de cruzeiro, igualmente pintado, separa a nave da capela-mor, esta última com retábulo, também pintado a imitar mármore, ladeado por duas colunas com capitéis coríntios, e tribuna com trono de talha.
Todavia, é o revestimento azulejar, em painéis azuis e brancos, que imprime ao espaço um carácter próprio, fortemente marcado pela lógica decorativa barroca. A sua iconografia, definida em função dos espaços, privilegia, naturalmente, a invocação da capela, com a representação dos milagres de Nossa Senhora da Nazaré. Contudo, podem-se observar outras temáticas, como a que se define no sub coro, onde figuram as imagens dos quatro profetas, identificados por legendas - IACOB e IVDAS (do lado da Epístola) e ABRAHAM e ISAC (do lado do Evangelho).
Na nave, dois grandes painéis, de cada lado, com cercaduras compostas por anjos, querubins e folhagem barroca, retratam o milagre de Nossa Senhora da Nazaré, onde a Virgem figura entre nuvens. No espaço entre as cenas, surgem composições com transcrições latinas: PRAESIDIO ET / DECORI e IN VTERO IAM PVRA /FVI (SIMÕES, 1979, p. 190).
Por fim, na capela-mor encontram-se emblemas marianos e novamente painéis com citações latinas: VMBRAM NESCIT e SEMPER CA / LIGNIS (SIMÕES, 1979, p. 190).
Santos Simões atribuiu os painéis do sub coro e nave a António de Oliveira Bernardes, um dos mais importantes pintores de azulejo do primeiro quartel do século XVIII, e que tanto influenciou as gerações seguintes. Este conjunto de Nossa Senhora da Nazaré terá sido executado cerca de 1715, o que coincide com a edificação da capela, em 1713 (SIMÕES, 1979, p. 190).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Cascais

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

SILVA, Raquel Henriques da

Título

Cascais Vila de Corte. Oito séculos de história

Local

Cascais

Data

1964

Autor(es)

ANDRADE, Ferreira de

Título

A instituição da capela de Nossa Senhora da Nazaré cabeça do morgado dos Falcões em Cascais, Arquivo de Cascais

Local

Cascais

Data

1984

Autor(es)

LARA, António de Sousa

Título

Levantamento do património concelhio de Cascais. 1975 - Herança do património arquitectónico europeu, Arquivo de Cascais

Local

Cascais

Data

1990

Autor(es)

GODINHO, Helena Campos, MACEDO, Silvana Costa, PEREIRA, Tereza Marçal

Título

Monografia de Cascais

Local

Cascais

Data

1969

Autor(es)

ANDRADE, Ferreira de, CASTELO BRANCO, António de