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Troços ainda existentes da antiga muralha da vila de Cascais - detalhe

Designação

Designação

Troços ainda existentes da antiga muralha da vila de Cascais

Outras Designações / Pesquisas

Muralha da vila de Cascais / Castelo de Cascais(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Muralha

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Cascais / Cascais e Estoril

Endereço / Local

Rua Marques Leal
Cascais

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Edital de 12-06-1974 da CM de Cascais
Despacho de homologação de 9-04-1974 do Secretário de Estado da Instrução e Cultura
Parecer de 5-04-1974 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

São muito tardias as referências documentais relativas à existência de um castelo em Cascais, materializadas numa carta de doação de D. Fernando a Gomes Lourenço do Avelar, datada de 8 de Abril de 1370 (CARDOSO e CABRAL, 1988, p.77). Esta indicação é preciosa quanto à própria origem da fortaleza, uma vez que é sabido que, aquando da reconquista da zona, em 1147, Cascais não possuía qualquer sistema defensivo. Ele só terá sido construído no século XIV, muito possivelmente ao redor de 1364, ano em que a localidade foi elevada à categoria de vila.
Do recinto militar medieval, edificado nessa década de 60 do século XIV (e presumivelmente continuado nos anos seguintes), é muito pouco o que chegou aos nossos dias, contando-se alguns vestígios na Rua Tenente Valadim, uma antiga torre circular (destruída em 1962), a antiga Torre Porta e um pano de muralha associado ao Arco do Castelo. O seu traçado é, todavia, possível de ser genericamente reconstituído, graças a uma gravura de Georgius Branius (Bráunio), datada de 1572. Nesse ano, a vila mantinha ainda o perímetro defensivo medieval, que era composto por "sete torres" (as do lado nascente de planta circular), uma barbacã do lado da praia e, aparentemente, apenas uma porta, devendo existir outra, ou outras, não desenhadas por Bráunio, mas constantes de desenhos do período filipino. No lado Sul, existia uma torre de maiores dimensões e com outras dependências associadas, que poderiam corresponder ao Paço condal. Quanto à planta, a fortaleza era tendencialmente oval (IDEM, pp.78-79), característica comum nos nossos castelos góticos.
De antigo porto de Sintra, "terra bravia e despovoada nos começos da nacionalidade" (MARQUES, 1987, p.109), Cascais instituiu-se como um fundamental reduto militar na defesa costeira de Lisboa e da entrada do Tejo, e teve papel decisivo nas guerras que D. Fernando sustentou contra Castela, logo na década de 70 do século XIV. Nos anos seguintes, a localidade foi, por diversas vezes, assolada por tropas estrangeiras, que facilmente entravam na vila. Este facto levou D. João II a complementar o sistema medieval com uma torre costeira, relativamente afastada da cerca e plenamente adequada às novas exigências da guerra.
Terá sido a partir da segunda metade do século XV que o castelo entrou em ligeiro declínio, o que fez com que toda a área interior fosse ocupada por casas privadas (como refere o Padre Manuel da Silveira, em 1758). No entanto, a posição estratégica da vila face à capital motivou algumas propostas de reconversão da estrutura. Assim, em 1594, reinando Filipe II de Espanha, Filipe Tercio projectou a ampliação de toda a fortaleza, a que se juntaria um enorme baluarte moderno. Posteriormente, no reinado de D. João IV, os arquitectos militares por ele contratados determinaram a fortificação do aglomerado, que recebeu então alguns panos de muralha típicos do período da Restauração e, ainda, "cortinas de atiradores" em toda a extensão da vila muralhada (CARDOSO e CABRAL, 1988, p.81).
Os tempos, todavia, haveriam de ditar o declínio da fortificação, à semelhança da esmagadora maioria dos nossos castelos e fortes. No século XIX, o processo de desmantelamento foi realizado em grande escala. Na primeira década da centúria, segundo desenho de Weyrothes, são já notórias algumas alterações, como o rompimento de um pano de muralha e a supressão da torre-porta. A degradação e o aproveitamento do aparelho para construções privadas continuou, entrando bem no século XX. Em 1962, aquando de grandes obras na antiga Calçada de Nossa Senhora da Assunção, descobriu-se parte de uma grande torre circular, mas o projecto determinou a sua total destruição. Ainda hoje, as evidências materiais do velho castelo trecentista são muito escassas e as poucas iniciativas para preservar esses vestígios esbarraram na dinâmica construtiva de uma das mais apetecíveis e caras áreas de construção do Portugal actual.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Carta arqueológica do Concelho de Cascais

Local

Cascais

Data

1991

Autor(es)

CARDOSO, Guilherme

Título

Fortificações da Praça de Cascais a ocidente da Vila, Revista Militar

Local

Lisboa

Data

1980

Autor(es)

CALLIXTO, Carlos Pereira

Título

Apontamentos sobre os vestígios do antigo castelo de Cascais, Arquivo de Cascais, nº7, pp.77-90

Local

Cascais

Data

1988

Autor(es)

CABRAL, João Pedro, CARDOSO, Guilherme

Título

A malha urbana de Cascais. Um projecto de investigação pluridisciplinar, Regionalização e Identidades locais. Preservação e reabilitação dos Centros Históricos, pp.261-263

Local

Lisboa

Data

1997

Autor(es)

CABRAL, João Pedro

Título

As fortalezas da costa marítima de Cascais

Local

Cascais

Data

1964

Autor(es)

LOURENÇO, Manuel Acácio

Título

A praça de Cascais e as fortalezas suas dependentes, Revista Militar, nº5, separata

Local

Lisboa

Data

1978

Autor(es)

CALLIXTO, Carlos Pereira

Título

Escavações eventuais na vila de Cascais, Actas do 1º Encontro Nacional de Arqueologia Urbana, pp.49-53

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

CARDOSO, Guilherme

Título

Cascais, vila da corte: oito séculos de história

Local

Cascais

Data

1964

Autor(es)

ANDRADE, Ferreira de

Título

Cascais

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

SILVA, Raquel Henriques da

Título

Monografia de Cascais

Local

Cascais

Data

1969

Autor(es)

ANDRADE, Ferreira de, CASTELO BRANCO, António de