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Palácio do Monteiro-Mor, edifícios anexos, jardins, parque e terrenos anexos - detalhe

Designação

Designação

Palácio do Monteiro-Mor, edifícios anexos, jardins, parque e terrenos anexos

Outras Designações / Pesquisas

Palácio do Marquês de Angeja / Museu Nacional do Traje / Museu Nacional do Teatro e da Dança / Palácio do Monteiro-Mor / Museu Nacional do Teatro e da Dança (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Parque da Quinta do Monteiro-Mor / Parque do Monteiro-Mor (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Palácio

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Lumiar

Endereço / Local

Largo Júlio Castilho
Lisboa

Estrada do Lumiar
Lisboa

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O palácio, construído no terceiro quartel do século XVIII pelo terceiro Marquês de Angeja, apresenta traça pombalina e desenvolve-se em dois pisos: o piso térreo constituído pela cozinha e dependências serviçais e o piso superior onde estão alojadas as vastas zonas sociais e alojamentos principais. No seu interior destacamos os tectos de masseira em estilo rocócó, os conjuntos de azulejos com cenas galantes, paisagens marítimas e cenas pastoris e profanas e composições pictóricas neoclássicas.
O jardim botânico que prolonga a construção, foi projectado provavelmente por Domingos Vandelli, e possuía espécies tropicais e aves exóticas, bem ao gosto naturalista e coleccionador do seu primeiro proprietário.
No século XIX, aquando da aquisição pelo segundo Duque de Palmela, D. Domingos de Sousa Holstein Beck, o palácio atingiu a sua maior notoriedade por nele se realizarem famosos bailes e recepções, um dos quais em honra da Rainha, D. Maria II, em que se procedeu à iluminação do jardim.
O palácio alberga nos dias de hoje o Museu Nacional do Traje. Integrando a propriedade original, e em terrenos vizinhos do palácio, merece ainda referência um palacete onde se encontra actualmente instalado o Museu Nacional do Teatro e da Dança, e um pavilhão de chá neogótico. SML

Outras Descrições

Parque do Monteiro-Mor

Tipo

Enquadramento Arquitectónico, Urbano e Paisagístico

Descrição

Quintas
O parque murado que atinge 11ha resulta da união de duas quintas de recreio localizadas na periferia de Lisboa antiga, no "sítio do Lumiar", a do Monteiro-Mor e a dos Marqueses de Angeja. A primeira, de reduzidas dimensões, desenvolve-se em torno do pequeno palácio setecentista. Integra o terreiro calcetado, fronteiro à fachada principal, a que se acede pelo portão da estrada do Lumiar. Segue-se o jardim formal de buxo, centrado por um tanque circular, compreendido entre o edifício e o cenário criado pelo muro janelado das conversadeiras, contíguo à portaria e ao poço. A horta e o pomar confinam a poente com anexos e a norte com a mata.
Acede-se à quinta dos Marqueses de Angeja pelo largo Júlio de Castilho, entrando pelo terreiro murado limitado pelas magnólias que enquadram a fachada principal do palácio. Segue-se a alameda de palmeiras que conduz aos socalcos que albergaram a coleção botânica do velho marquês. Adivinham-se os eixos do jardim barroco, alinhados no tabuleiro superior pelo lago circular e pelo inferior por dois volumosos tanques retangulares simétricos, que avançavam pela quinta. Preexistências como escadarias, casas de fresco e nichos de embrechados, alegretes e conversadeiras, tanques e fontes alimentados por minas e galerias de água foram integradas, de forma nem sempre harmoniosa, no projeto oitocentista. A intervenção romântica contemplou: modelação suave do terreno; construção naturalizada de riachos, cascatas e grandes lagos; traçado de caminhos sinuosos, ensombrados por exóticas; definição de canteiros relvados, delimitados por bordaduras de herbáceas de estação ou vivazes, onde foram introduzidas recentemente esculturas. Subsistem para além dos anexos, as estufas ou estufins e o pavilhão "neogótico", antigo aviário. A norte encontram-se hortas, pomares e, para além da ribeira, a mata plantada em terras de semeadura.
O parque integra uma notável coleção de plantas elencada nos levantamentos e inventários do professor João Amaral Franco e das botânicas Maria Helena Pereira Dias e Maria Isidora da Gama, de 1976 e 1982/84, a que se sucederam publicações temáticas. Destaca-se pelo porte a araucária excelsa (Araucaria heterophylla (Salisb.) Franco) e os dois plátanos gigantescos (Platanus hybvrida Brot.) plantados em 1842.
História
Persistem incógnitas quanto à origem e ordenamento das duas quintas. Estão documentadas alterações posteriores ao terramoto de 1755 na casa do 3.º marquês de Angeja, D. Pedro José de Noronha de Albuquerque Moniz e Sousa (1716-1788). Este decidiu construir na sua quinta, resultante da aquisição de várias propriedades, o extraordinário edifício do "Museu de História Natural", projetado, começado, mas nunca concluído e um jardim botânico, iniciado talvez em data anterior a 1766. Atribui-se a Domingos Vandelli a posterior organização do jardim, regrado pelos critérios taxonómicos da época, considerado em 1793 como um dos três mais belos de Lisboa.
D. Domingos de Sousa Holstein Beck, 2º duque de Palmela adquire a propriedade em 1840. A partir de 1844 reformulam-se os jardins segundo as novas correntes estéticas, sucedendo na orientação os botânicos Rosenfelder e Welwitsh e os "jardineiros" Jacob Weist, Otto e João Batista Possidónio. O ciclone de 1941 afeta profundamente o jardim. Após aquisição pelo Estado em 1975-76 iniciou-se a recuperação do designado parque, destacando-se a direção de Souza Lara, Eng.º Silvicultor e as intervenções de Edgar Sampaio Fontes, Arqº Paisagista projetadas e concretizadas pelos anos 80: construção de albufeiras e pontes na ribeira; pavimentação e florestação; plantação do roseiral nos jardins do Monteiro-mor. As obras prosseguiram nas décadas seguintes com a conservação da estrutura verde, criação do viveiro, recuperação de estruturas e infraestruturas e reutilização de edifícios.
Rita Basto (estágio curricular AP), Mário Fortes e Teresa Portela Marques (orientadores de estágio)
DGPC, 2015

Imagens

Bibliografia

Título

Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

CARITA, Hélder; CARDOSO, Homem

Título

Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota

Local

Universidade Nova de Lisboa

Data

1998

Autor(es)

PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva

Título

Pelos Suburbios e Vizinhanças de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1910

Autor(es)

PEREIRA, Gabriel