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Casa de Nossa Senhora da Aurora, ou Casa do Arrabalde - detalhe

Designação

Designação

Casa de Nossa Senhora da Aurora, ou Casa do Arrabalde

Outras Designações / Pesquisas

Casa de Nossa Senhora da Aurora(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Palácio

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Ponte de Lima / Arca e Ponte de Lima

Endereço / Local

Rua do Arrabalde
Ponte de Lima

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A Casa dos Condes de Aurora, em Ponte de Lima, é uma reconstrução setecentista de um imóvel bastante anterior (remontando, muito possivelmente, ao século XIV), mas que foi alvo de novas intervenções durante o século XVII. O traçado do edifício que hoje conhecemos tem vindo a ser atribuído a Manuel Pinto de Vilalobos, natural de Viana do Castelo e membro da conhecida família de engenheiros-arquitectos que, entre os séculos XVII e XVIII, desenvolveu extensa actividade na zona Norte do país.
A remodelação da casa de Nossa Senhora da Aurora ocorreu entre os anos de 1714 e 1730, dando origem a um imóvel cuja depuração e sobriedade se aproxima de uma linguagem maneirista, mas onde a divisão do alçado, por pilastras, em três corpos, e a abertura simétrica de vãos, com janelas de sacada no andar nobre e alternância de portas e janelas no piso térreo, é própria da tipologia arquitectónica barroca e urbana, tão utilizada ao longo do século XVIII (AZEVEDO, 1969). De facto, a casa inscreve-se numa tradição de planta longitudinal, com longas fachadas, e onde o ritmo e movimento se encontram na profusão de vãos, regulares, que rasgam os alçados. As varandas do primeiro andar formam um friso, traçando uma linha horizontal, compensada pelas pilastras e pela organização vertical dos vãos de ambos os pisos, que se ligam entre si através da bandeira do piso térreo, cujas mísulas suportam as janelas de sacada, rematadas por frontão triangular. No cunhal, junto à capela, exibe-se o brasão esquartelado dos Sás, Sottomaior, Rebelos e Abreus, enquadrado por uma gramática decorativa barroca. No alçado posterior, a regularidade dá lugar a uma série de volumes, alguns dos quais de tratamento mais rústico, o que contrasta vivamente com a erudição do frontispício.
É possível que a capela seja de época posterior. Em 1723 foi doada pelo desembargador João de Sá Souto Maior e sua mulher, Maria Joana de Castro Barreto da Gama e Macedo, ao arcebispo primaz (LEMOS, 1977). A sua implantação, recuada em relação ao frontispício, permite ainda inscrevê-la no modelo de casa com capela na fachada, também característico da arquitectura nortenha do século XVIII. Contudo, encontramos aqui a mesma linguagem depurada, com alçado flanqueado por pilastras rematado por entablamento. O portal, também definido por pilastras que suportam entablamento, é encimado por uma estrutura semelhante, onde se abre um janela rematada por frontão triangular, interrompido. No interior, ganha especial importância o retábulo de talha dourada, de estilo nacional, bem como o revestimento azulejar, de padrão, da mesma época. O coro alto comunica directamente com o andar nobre da casa.
No muro que se encontra no prolongamento da fachada, abre-se uma fonte com a figura de Neptuno, e com a data de 1642, numa inscrição onde se refere que a água da fonte pertencia à Quinta, mas que esta bica se destinava ao povo.
No interior da propriedade, os jardins evocam a importância da natureza durante o período barroco, destinando-se a servir enquanto espaços de passeio onde os equipamentos, de que as fontes são um dos melhores exemplos, foram pensados para a fruição de quem os habitava. Neste contexto, destaca-se a fonte com a imagem de Nossa Senhora da Aurora e em cujo nicho se projecta um brasão de armas, ambos integrados numa composição delimitada por pilastras e decorada por volutas.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Os Mais Belos Palácios de Portugal

Local

Lisboa

Data

1992

Autor(es)

GIL, Júlio

Título

Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)

Local

Porto

Data

1900

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

Anais Municipais de Ponte de Lima

Local

Ponte de Lima

Data

1977

Autor(es)

LEMOS, Miguel Roque dos Reis, REIS, António Matos