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Torres de São Paulo e da Cadeia e o pequeno pano de muralha existente entre as duas torres - detalhe

Designação

Designação

Torres de São Paulo e da Cadeia e o pequeno pano de muralha existente entre as duas torres

Outras Designações / Pesquisas

Torre de São Paulo / Torre da Cadeia / Cerca urbana de Ponte de Lima e Torres de São Paulo e da Cadeia (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Conjunto Urbano

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Ponte de Lima / Arca e Ponte de Lima

Endereço / Local

Passeio 25 de Abril
Ponte de Lima

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 34 452, DG, I Série, n.º 59, de 20-03-1945 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Vila mais antiga de Portugal (estatuto orgulhosamente reclamado pelos limianos em referência ao foral de D. Teresa, datado de 1125), e capital do Alto Minho até ao século XV, Ponte de Lima só foi dotada de um sistema defensivo em época muito tardia. Com efeito, é do século XIV que datam os dados seguros acerca da edificação da cerca, resumindo-se as hipóteses de ter existido uma muralha anterior a uma mera sugestão de trabalho, que continuamente esbarra com a inexistência de indicadores arqueológicos e documentais (ANDRADE, 1990, p.56, nota 22).
O caminho para a Baixa Idade Média foi marcado, no nosso país, por uma progressiva afirmação dos núcleos urbanos e proto-urbanos, que foram funcionando, cada vez mais, como pólos aglutinadores do espaço e dos homens. Neste sentido, a intensificação das trocas comerciais e a maior mobilidade humana, determinou a progressiva aplicação de taxas aduaneiras e de impostos sobre os bens e o trânsito. Em meados do século XIV, quando se iniciaram as obras da cerca de Ponte de Lima, esta era já uma realidade em todo o reino e numerosas eram as vilas e cidades que se amuralhavam, não só tendo em vista as vantagens militares daí resultantes, mas, também, as vantagens económicas (ALMEIDA, 1987, p.101).
Até há pouco tempo, discutia-se, ainda, qual o momento específico em que os trabalhos de construção da muralha haviam arrancado e qual a marcha da empreitada. O estudo que Mário Barroca dedicou a uma inscrição do reinado de D. Pedro, que comemora precisamente o início das obras, não deixa margem para dúvidas. Esta inscrição (colocada originalmente na Torre Velha) já havia sido lida por vários autores, mas a maioria incorrera em erros de precisão cronológica. Por ela, sabemos que a 8 de Março de 1359 iniciaram-se as tarefas de britar pedra para o muro e que este começou a ser levantado a 3 ou 6 de Julho desse ano (BARROCA, 2000, vol.2, t.2, p.1734). Onze anos decorreram até que o sistema estivesse completo, pois a 19 de Maio de 1370, num documento de D. Fernando, já não se referem quaisquer obras (IDEM, p.1734).
A cerca construída nesse tempo pode considerar-se relativamente grande, desenvolvendo-se ao longo de mais de um quilómetro de extensão. Nove torres protegiam um perímetro ovalóide irregular, que incluía a ponte gótica (presumivelmente construída uns anos antes), onde se implantavam duas torres (ambas nas extremidades da estrutura: a Torre Velha, do lado Norte, e a da Ponte, ligada ao sistema defensivo da vila).
No século XV, edificou-se uma décima torre - a do Castelo -, assim denominada por se situar junto à cidadela, estrutura tutelar da vila, localizada na vertente Sul do complexo militar, mas da qual, infelizmente, nada chegou até hoje (ALMEIDA, 1987, p.101). Ainda da centúria de Quatrocentos datava o paço, construído por D. Leonel de Lima a partir de 1469 e na sequência da instituição da Arcaidaria-Mor de Ponte de Lima por D. Afonso V, estrutura tripartida com corpo central de duplo piso ladeado por duas torres (SILVA, 1995, p.168) e de que resta, somente, uma parcela muito adulterada da fachada principal.
No reinado de D. Manuel, para além do ameamento da ponte, edificou-se a Torre da Cadeia (principal elemento do complexo defensivo da vila que ainda resta). A ela associou-se a Porta Nova, facto que gerou uma alteração urbanística da localidade, criando uma nova centralidade ribeirinha no local da antiga judiaria.
Nos séculos seguintes, foram muitos os momentos de destruição da cerca. Em 1787, a Câmara "autorizou a demolição de parte da muralha medieval" para aplicar a pedra a edificações públicas e privadas (ANDRADE, 1990, p.14). Menos de um século depois, em 1857, demolia-se a última torre, datando, dessa altura, a única fotografia da torre velha. Restou a da Cadeia, que desempenhou esta função quase até aos nossos dias e que se instituiu como uma marca cenográfica da vila, e a de São Paulo, que defendia inicialmente a Rua do Postigo.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Roteiro da Ribeira Lima

Local

Porto

Data

1959

Autor(es)

AURORA, Conde de

Título

Itinerários de Ponte de Lima

Local

Ponte de Lima

Data

1973

Autor(es)

REIS, António Matos

Título

Anais Municipais de Ponte de Lima

Local

Ponte de Lima

Data

1977

Autor(es)

LEMOS, Miguel Roque dos Reis, REIS, António Matos

Título

Ponte de Lima na Alta Idade Média, Arquivo do Alto Minho, vol. 9

Local

Viana do Castelo

Data

1960

Autor(es)

FERNANDES, A. de Almeida

Título

Um espaço urbano medieval: Ponte de Lima

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

ANDRADE, Amélia Aguiar

Título

Monografia do concelho de Ponte de Lima

Local

Porto

Data

1946

Autor(es)

AURORA, Conde de

Título

Inventário Artístico da Região Norte - III (Concelho de Ponte de Lima)

Local

Porto

Data

1974

Autor(es)

-

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Epigrafia medieval portuguesa (862-1422)

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge

Título

Paços Medievais Portugueses

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

SILVA, José Custódio Vieira da