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Igreja de Friastelas - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Friastelas

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de São Martinho de Friastelas / Igreja Paroquial de Friastelas / Igreja de São Martinho(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Ponte de Lima / Friastelas

Endereço / Local

EN 306
Friastelas

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 47 508, DG, I Série, n.º 20, de 24-01-1967 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja de Friastelas é mais um dos muitos templos do Entre-Douro-e-Minho onde, a uma construção românica, se sobrepôs uma obra barroca, que praticamente substituiu a medieval. Na maior parte dos casos, a radicalidade das intervenções setecentistas relegou as pré-existências tardo-românicas para as periferias dos templos. É desta forma que, numa importante série de monumentos, podemos testemunhar a sobrevivência de linhas de cachorrada e um outro portal, cuja manutenção não colidia com a imagem modernizadora dos principais elementos a intervencionar: a fachada principal e o interior do corpo e da cabeceira. Os vestígios românicos que, na actualidade, se conservam, são ainda importantes para caracterizar a campanha duocentista de Friastelas.
A origem do templo é anterior a esses vestígios. Ela recua, pelo menos, à primeira metade do século XII, uma vez que aparece mencionada em 1130, ano em que Chamoa Gundesendes e seus filhos doaram à Sé de Braga a duodécima parte que detinham da igreja. Nos anos seguintes, as referências à freguesia e ao templo multiplicam-se, facto que prova como o território estava devidamente organizado em torno da sua paroquial (ALVES, 1982, p.69).
Mais de um século depois do documento de 1130, já na segunda metade de Duzentos (ALMEIDA, 1987, p.110) ou, mesmo, na viragem para o século XIV (ALMEIDA, 1978, vol.2, p.224), teve lugar uma profunda reforma do edifício, datando dessa altura os mais antigos elementos que se conservam. O projecto então adoptado pode considerar-se modesto, articulando uma nave rectangular não muito comprida com uma capela-mor quadrangular, mais baixa e estreita que o corpo.
Os escassos elementos conservados confirmam esta caracterização. Os portais laterais, definidos por dupla arquivolta apontada, repousam directamente na caixa murária e possuem decoração sumariamente tratada (um friso de meias esferas acompanhando a curvatura do arco no lado Sul, e uma cruz inscrita num círculo no tímpano da porta setentrional). Na fachada principal, ainda é possível ver, sobre o portal actual, algumas aduelas da entrada primitiva, em arco apontado não muito diferente das laterais. Nas paredes Norte e Sul do corpo, o telhado é suportado por uma cachorrada tardo-românica, composta por modilhões maioritariamente chanfrados e sem decoração, indicador que reforça a cronologia tardia desta empreitada. Ao que tudo indica, existe apenas um modilhão figurativo, aplicado na parede nascente de uma das dependências que ladeiam a capela-mor (NOÉ, 1992, DGEMN on-line).
Na segunda metade do século XV, o templo foi enriquecido com duas esculturas devocionais importadas das oficinas de Coimbra. Segundo o Inventário de 1974, existiram, no interior, as imagens de São Martinho, colocada actualmente no nicho da frontaria, e de Cristo Crucificado, recolhida "há anos para o Museu Pio XII" (Inventário, 1974, p.33).
Muito tempo depois, presumivelmente na primeira metade do século XIX, a igreja foi radicalmente intervencionada, procedendo-se a numerosas alterações. A fachada principal recebeu um novo portal, de arco recto simples, e rasgou-se a janela rectangular que o encima. Do lado Norte, adossou-se à frontaria uma torre sineira relativamente atarracada, de secção quadrangular e sineiras de volta perfeita nas duas faces que a compõem. No interior, o arco triunfal terá sido refeito e a capela-mor foi dotada de um retábulo neoclássico, ao mesmo tempo que se pintaram os tectos, o da nave integrando, ao centro, um medalhão alusivo a São Martinho. Estas obras estariam concluídas por 1846, data em que se noticiou estar a igreja "segura e asseada" (NOÉ, 1992).
Sem obras aparentes ao longo no século XX, só em 1991 a paróquia promoveu um parcelar arranjo urbanístico. O conjunto permanece, assim, como um dos poucos da ribeira Lima que não foi objecto de grandes adulterações ao nível do solo, aguardando, por isso, uma intervenção arqueológica que revele mais sobre o seu passado.
PAF

Bibliografia

Título

Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa, Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56

Local

Porto

Data

1972

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Arquitectura religiosa do Alto Minho, 2 vols.

Local

Viana do Castelo

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Egrejas e Capelas Românicas de Ribeira Lima

Local

Porto

Data

1926

Autor(es)

BARREIROS, Manuel de Aguiar

Título

Igrejas e Capelas românicas da Ribeira Lima, Caminiana, ano IV, nº7, pp.47-118

Local

Caminha

Data

1982

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Inventário Artístico da Região Norte - III (Concelho de Ponte de Lima)

Local

Porto

Data

1974

Autor(es)

-