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Castro de Ossela - detalhe

Designação

Designação

Castro de Ossela

Outras Designações / Pesquisas

Castro de Ossela / Povoado fortificado de Ossela (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Castro

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Aveiro / Oliveira de Azeméis / Ossela

Endereço / Local

Lugar do Carvalhal
Ossela

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Numa época em que Portugal assistia à publicação dos primeiros decretos de classificação de imóveis como "monumento nacional", na sequência dos esforços envidados pela Real Associação dos Architectos Civis e Archeologos Portuguezes, pela Commissão dos Monumentos Nacionaes e seu sucedâneo, o Conselho Superior dos Monumentos Nacionaes, reforçava-se o interesse assinalado desde meados do século XIX pela investigação arqueológica no nosso país.
Um apreço que foi crescendo à medida que eram lançados novos meios e vias de transporte, e as novidades culturais aportavam com maior frequência por intermédio dos periódicos de maior circulação nacional e regional. Outros dois factores foram, no entanto, absolutamente essenciais em todo este processo, inspirando algumas das individualidades que mais se empenhariam doravante no escrutínio do passado remoto de cada localidade e/ou região, quantas vezes em busca da especificidade, ao mesmo tempo que dos elementos que pudessem corroborar, de algum modo, a sua plena integração num todo que era Portugal. Referimo-nos, em concreto, à referencial IX sessão do "Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-histórica", realizado em Lisboa, no ido ano de 1880, e, sobretudo, à inauguração, em 1893, do Muzeu Ethnologico Portuguez, cujo carismático mentor e director, José de Leite de Vasconcellos (1858-1941), serviu de exemplo para todos quantos pretendiam conhecer em maior profundidade as realidades passadas das zonas que habitavam, enquanto procuravam transferir os materiais exumados em núcleos arqueológicos especialmente criados para o efeito no interior do país.
De entre esta plêiade de personalidades, o naturalista, etnólogo e arqueólogo António Augusto da Rocha Peixoto (1866-1909) desempenhou um papel de indiscutível relevância no âmbito do estudo, divulgação e preservação dos achados arqueológicos, muitos dos quais obtidos na sequência das suas próprias investigações, ao mesmo tempo que organizava o "Gabinete de Mineralogia, Geologia e Paleontologia" da Academia Politécnica do Porto e dirigia a "Biblioteca Pública" e o "Museu Municipal" da mesma cidade.
Um dos exemplos da sua contínua a vasta actuação no domínio da Arqueologia desenvolvida entre nós ao longo da primeira centúria de novecentos revelou-se, precisamente, em Ossela, onde interveio no castro do mesmo nome, em 1908.
Erguendo-se no topo de uma pequena colina sobranceira ao rio Caima, este povoado da Idade do Ferro foi dotado de um sistema defensivo constituído por três ordens de muralhas e um fosso construído na vertente Este.
Entretanto, foi elevada no topo do povoado uma pequena capela da invocação de Nossa Senhora do Crasto. Tal como sucede noutros locais, esta ocorrência ter-se-á prendido com uma tentativa de (re)apropriação das memórias que povoavam o local, ao mesmo tempo que de sobreposição dos novos poderes através da força espiritual conferida pela fé cristã. Traduziria, no fundo, uma prática secular de reutilização simbólica dos mesmos espaços e/ou suas imediações por diferentes comunidades ao longo dos tempos, numa espécie de assimilação e/ou (sobre)posição sucessiva de valores materiais e espirituais, ainda que decorrente de intuitos político-administrativos bem vincados.
Sendo ainda visível à superfície abundante material cerâmico de tipo e fabrico diferenciado, a par de fragmentos de mós manuais, de objectos metálicos, vítreos e numismas, cronologicamente balizados entre os séculos IV/III a.C. e os finais da Idade Média, parte do espólio exumado por A. A. da Rocha Peixoto encontra-se exposto no "Museu de Antropologia" da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
[AMartins]

Bibliografia

Título

Inventário Patrimonial de Vale de Cambra. I - Arqueologia

Local

Vale de Cambra

Data

2001

Autor(es)

QUEIROGA, Francisco M. Veleda Reimão

Título

Contributo para a Carta Arqueológica do Concelho de Oliveira de Azeméis. Da pré-História à romanização, Ul-Vária

Local

Oliveira de Azeméis

Data

1995

Autor(es)

SILVA, Fernando Augusto Pereira da

Título

Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro: Zona Norte

Local

Lisboa

Data

1981

Autor(es)

GONCALVES, António Nogueira

Título

Novo achado de braceletes pré-romanos, O Arqueólogo Português

Local

Lisboa

Data

1896

Autor(es)

VASCONCELLOS, José de Leite de