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Capela do antigo Convento do Salvador - detalhe

Designação

Designação

Capela do antigo Convento do Salvador

Outras Designações / Pesquisas

Convento do Salvador / Lar Conde de Agrolongo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Braga / Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto)

Endereço / Local

Praça do Conde de Agrolongo, vulgo Campo da Vinha
Braga

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 42 692, DG, I Série, n.º 276, de 30-11-1959 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O antigo convento do Salvador foi fundado pelo Arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus que, no final do século XVI, concretizou uma ideia já presente no governo dos seus antecessores, nomeadamente, de D. Diogo de Sousa - transferir para Braga as religiosas do convento de Vitorino das Donas, situado em Ponte de Lima.
A primeira pedra do novo edifício foi lançada em 1595, e em 1604 já a igreja e algumas das dependências conventuais se encontravam parcialmente levantadas (OLIVEIRA, 1999, p. 115). Na verdade, o portão do templo ostenta a data de 1616, o que indica o término da obra neste espaço (OLIVEIRA, 1994, p. 44). Não se conhece quem riscou a planta da igreja, muito embora Eduardo Pires de Oliveira aponte o nome de Geraldo Álvares, padre arquitecto activo em Braga neste período, como o seu mais provável autor (OLIVEIRA, 1999, p. 115).
O convento foi sendo alvo de melhoramentos ao longo dos tempos, acompanhando as necessidades de cada época, principalmente depois da Extinção das Ordens Religiosas, que lhe modificaram a sua vocação primeira. Em 1905 começou a ser concebido um projecto de adaptação do edifício a lar, da autoria do arquitecto João de Moura Coutinho. Inaugurado em 1915, o lar conservou o claustro original, cuja fonte foi executada pelo mestre de pedraria Francisco Vaz (IDEM), mantendo, na generalidade, as estruturas do convento.
Regressando à capela, o portal principal desapareceu aquando da execução da actual fachada (COSTA, 1998, p. 33). Situava-se a meio do alçado lateral Sul, uma vez que, tal como as outras igrejas dos conventos femininos, não dispunha de fachada principal, situando-se o pórtico na lateral. Este, é ainda visível em fotografias antigas (OLIVEIRA, 1994, p. 43). De verga recta, era flanqueado por dupla colunata, com capitéis, entre as quais se encontrava a imagem de São Bento, do lado direito, e de Santa Escolástica, do lado esquerdo. As colunas suportavam um friso sobre o qual se erguia, ao centro, um nicho sobrepujado por frontão triangular, acolhendo uma imagem de Cristo. Como já referimos, este portal remontava a 1616, inscrevendo-se numa linguagem maneirista, própria da época.
Se o exterior se define pela depuração arquitectónica e decorativa, o interior destaca-se pelos múltiplos elementos de talha, azulejo e pintura, que confluem na criação de um espaço barroco e profundamente sensorial. Estes denunciam, no entanto, diferentes campanhas de obras. Os azulejos de fabrico lisboeta que revestem os panos murários são seiscentistas, sabendo-se que foram aplicados no início da década de 1630 (OLIVEIRA, 1994, p. 46). Alguns anos antes havia sido executado o segundo retábulo-mor. O primeiro era da autoria de um pintor lisboeta - Salvador Mendes. O que o substituiu datava de 1624-25 e havia sido entalhado por Ambrósio Dias, com pinturas de Gonçalo Coelho. Foi apeado no século XVIII, conservando-se as pinturas nas paredes da capela-mor. Ainda do século XVII é o tecto de caixotões da nave, que Vítor Serrão (1993 e 1986, p. 86) atribuiu ao pintor Domingos Lourenço Pardo, cuja pintura se filia no gosto tardo-maneirista de Diogo Teixeira ou Simão Rodrigues.
A segunda grande campanha decorativa ocorreu já no segundo quartel do século XVIII, dotando a capela-mor de um novo retábulo, de estilo nacional, desenhado por frei Luís de São José e executado por Gabriel Rodrigues, entalhador com vasta obra reconhecida no Norte do país (OLIVEIRA, 1994, p. 48). Ao mesmo artífice tem vindo a ser atribuída a talha que reveste as paredes da capela-mor, bem como o trabalho da púlpito, de grande qualidade, e também datável do início da década de 1730 (IDEM, p. 60). Por sua vez, o tecto de caixotões, com alegorias aos continentes, às estações do ano e aos quatro elementos, tem vindo a ser atribuído ao pintor portuense Manuel Furtado de Mendonça (IDEM, p. 54).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Manuel Fernandes da Silva mestre e arquitecto de Braga: 1693-1751

Local

Braga

Data

1996

Autor(es)

ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da

Título

O edifício do Convento do Salvador: de Mosteiro de Freiras ao Lar Conde de Agrolongo

Local

Braga

Data

1994

Autor(es)

OLIVEIRA, Eduardo Pires de

Título

Braga - percursos e memória de granito e oiro

Local

Porto

Data

1999

Autor(es)

OLIVEIRA, Eduardo Pires de

Título

Braga - roteiro histórico e monumental

Local

Braga

Data

1998

Autor(es)

COSTA, Luís

Título

A propósito de uma pintura do Mosteiro do Salvador, hoje no Museu Nacional de Arte Antiga, Diário do Minho

Local

-

Data

2003

Autor(es)

SERRÃO, Vítor