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Igreja e Convento do Pópulo - detalhe

Designação

Designação

Igreja e Convento do Pópulo

Outras Designações / Pesquisas

Convento do Pópulo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Convento

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Braga / Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto)

Endereço / Local

Praça do Conde de Agrolongo, vulgo Campo da Vinha
Braga

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A construção do convento do Pópulo teve início no ano de 1596, por iniciativa do Arcebispo D. Frei Agostinho de Jesus que pretendia dispôr de um local condigno para a sua sepultura, reservando para tal a capela-mor da futura igreja de Nossa Senhora da Consolação, que concedeu, juntamente com as dependências conventuais, aos religiosos da sua própria Ordem, os Eremitas de Santo Agostinho.
O edifício resultante desta primeira campanha de obras é o que ainda hoje conhecemos, apesar das muitas alterações que o século XVIII lhe impôs. Na realidade, a igreja denota uma estrutura arquitectónica maneirista, apresentando nave única (com endonartex), coberta por abóbada de berço com caixotões de pedra, com três capelas laterais intercomunicantes, alçados internos de dois registos separados por friso e ritmo marcado por pilastras com capitéis da ordem toscana, e capela-mor profunda, com tecto em caixotões. Todavia, a intervenção barroca veio conferir uma outra dinâmica a este espaço, tirando partido dos altares e sanefas em talha dourada e da sua conjugação com os brilhos azuis e brancos dos azulejos que revestem a totalidade das paredes. Todos os retábulos correspondem ao denominado barroco pleno ou estilo nacional, à excepção do de Nossa Senhora das Dores, que incorpora já elementos neoclássicos e é, tal como o de Nossas Senhora da Conceição, atribuído ao entalhador bracarense, Marceliano de Araújo (FERREIRA-ALVES, 1989, p. 38). Uma situação que se repete no retábulo-mor, onde é evidente a conjugação de uma linguagem rococó e neoclássica na ampla estrutura dourada e policromada que enquadra, na tribuna, a imagem de Nossa Senhora do Pópulo.
Por sua vez, os azulejos ilustram diversas temáticas, de acordo com a invocação do local onde se encontram. Na capela-mor, os painéis aludem a episódios da vida de Santo Agostinho (c. 1730); na capela da Santíssima Trindade representam a VerónicaeMoisés e a serpente de bronze;nas capelas aludem a episódios da vida dos santos a quem estas são dedicadas; na entrada novamente referências à vida de Santo Agostinho; na antiga capela de Nossa Senhora da Penha dois episódios relativos a procissões onde figura a bandeira da Ordem e, por fim, no registo superior das paredes da nave, 16 santos da Ordem. Merece especial referência um painel da capela de Santa Apolónia por estar assinado por António de Oliveira Bernardes, a quem se atribui igualmente o revestimento da capela de Santa Rita (SIMÕES, 1979, p. 99; MECO, 1986, p. 224).
Neste período, também as dependências conventuais foram objecto de reformas, e o projecto do claustro remonta a 1706, ano em que o Colégio contratou Pascoal Fernandes e o arquitecto Manuel Fernandes da Silva. Todavia, dificuldades financeiras terão atrasado o processo que só foi cumprido, juntamente com um novo dormitório, cerca do ano de 1735 (MOURA, 1996, p. 122).
Foi no contexto da renovação urbana da cidade de Braga, que vinha sendo empreendida pelos Arcebispos, que a igreja do Pópulo ganhou especial significado, tendo sido objecto de um dos primeiros projectos de Carlos Amarante. Este, desenhou uma nova fachada, conferindo ao templo um neoclassicismo que não apenasenobrece, como ordena um dos topos do Campo da Vinha uma das praças de Braga, de formato irregular, onde o convento se insere (FERNANDES; p. 149). Apesar da tendência neoclássica da fachada, que pretendia articular-se com o "estilo chão" da arquitectura pré-existente (DUARTE, 1996, p. 99), são evidentes os pontos de contacto com outros edifícios barrocos e rococós da cidade, cujos elementos arquitectónicos foram depurados edisciplinadospela mão de Carlos Amarante (FERNANDES, p. 186). O que, em última análise, denota a sua própria formação autodidata, baseada na observação da cidade e dos tratados de arquitectura (FERREIRA-ALVES, 1989, p. 30).
Actualmente, encontram-se instalados nas dependências conventuais alguns serviços da Câmara Municipal.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

O barroco do século XVIII, História da Arte Portuguesa, vol.3

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

O Azulejo em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

MECO, José

Título

Uma figura nacional: Carlos Amarante (insigne arquitecto e engenheiro): 1748-1815

Local

Braga

Data

1951

Autor(es)

FEIO, Alberto

Título

Carlos Amarante e o final do classicismo (Dissertação de mestrado em História da Arte, apresentada à FCSH)

Local

Lisboa

Data

1996

Autor(es)

DUARTE, Eduardo

Título

Carlos Amarante (1748-1815) e o final do classicismo : um arquitecto de Braga e do Porto /

Local

Porto

Data

2000

Autor(es)

DUARTE, Eduardo

Título

Arte Religiosa e Artistas em Braga e sua Região (1870-1920)

Local

Braga

Data

1999

Autor(es)

OLIVEIRA, Eduardo Pires de

Título

Carlos Amarante, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

ALVES, Joaquim J. Ferreira

Título

Manuel Fernandes da Silva mestre e arquitecto de Braga: 1693-1751

Local

Braga

Data

1996

Autor(es)

ROCHA, Manuel Joaquim Moreira da