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Igreja da Misericórdia, incluindo as pinturas e os azulejos do século XVIII que revestem parte do seu interior, em Mangualde - detalhe

Designação

Designação

Igreja da Misericórdia, incluindo as pinturas e os azulejos do século XVIII que revestem parte do seu interior, em Mangualde

Outras Designações / Pesquisas

Igreja da Misericórdia de Mangualde - Edifício e Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Mangualde / Mangualde, Mesquitela e Cunha Alta

Endereço / Local

Largo da Misericórdia
Mangualde

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Muito embora os estatutos da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde tivessem sido confirmados em 1613, no início do século XVIII esta instituição não dispunha ainda de instalações próprias, vendo-se obrigada a recorrer à igreja paroquial de São Julião de Azurara (ALVES, 1959, p. 29).
A igreja que hoje observamos, bem como a torre e as casas anexas, remontam à segunda década de Setecentos, mais precisamente a 1721, ano que em foi lançada a primeira pedra do templo. As dificuldades financeiras com que a Misericórdia se debatia foram sendo colmatadas quer pela generosidade do Rei D. João V, que sempre aceitou os pedidos da Irmandade, quer pelo então Reitor, Simão Paes de Amaral, fidalgo d-El Rei, Provedor da Misericórdia, cavaleiro professo da Ordem de Cristo e capitão-mor do concelho, que deu grande impulso a estas obras, doando os terrenos e contribuindo, ainda, financeiramente para a conclusão das mesmas (ALVES, 1959, pp. 29-42). O risco do edifício foi encomendado a Gaspar Ferreira, um artista coimbrão, arquitecto e entalhador (facto comum à época, uma vez que as estruturas arquitectónicas dos conjuntos retabulares eram bastante atractivas para os arquitectos), que trabalhou em Coimbra e noutras cidades do centro do país. Em Mangualde, e para além deste templo, desenhou também o recolhimento de Nossa Senhora da Conceição e as casas de José Rebelo Castelo Branco (PEREIRA, 1986, p. 27; PIMENTEL, 1989, p. 187).
A igreja, de planta rectangular, de nave única, com capela-mor mais estreita, apresenta fachada animada por um frontão constituído por duas volutas, com óculo central rematado por pináculos e cruz. O portal principal é recto, sobrepondo-se-lhe uma janela de sacada. Quatro janelas ladeiam o conjunto, o que divide o alçado em três grandes composições verticais. No alçado ocidental ergue-se uma varanda com colunata toscana, a que se acede por uma escadaria. Este elemento, erguido à frente da sacristia e da torre, recorda determinadas construções nobres dos séculos XVII e XVIII. Fruto da sua formação de autodidacta, Gaspar Ferreira optou, neste templo, por um "(...) esquema pautado ainda por padrões provincianos" (PIMENTEL, 1989, p. 187).
Se a igreja foi sagrada em 1724, a campanha decorativa do interior conheceu muito maiores dificuldades financeiras, prolongando-se, pelo menos até à segunda metade de Setecentos. Assim, o contrato celebrado entre o entalhador portuense Luís Pereira da Costa e a Irmandade, data apenas de 1729. De acordo com este documento, o artista foi responsável pela execução "(...) dos três retábulos com a respectiva tribuna, assim como o apainelado da capela-mor, o acréscimo do nicho do Santo Cristo da Casa do Despacho, a varanda e as sanefas das janelas da tribuna (...)" (ALVES, 1959, p. 36, citando documento que publica). Já as imagens de São Simão, São João Baptista, Santa Bárbara e São Bartolomeu foram esculpidas por Mestre Custódio de Sousa, também originário do Porto. A imagem de Nossa Senhora da Misericórdia foi executada em Braga.
A nave é coberta por tecto pintado em trompe l'oeil com a representação de Nossa Senhora da Assunção. Quanto às paredes, estas são revestidas por painéis de azulejos azuis e brancos, de fabrico coimbrão, com cercaduras arquitectónicas. Do lado do Evangelho observam-se cenas da Apanha do Maná, e do lado oposto as bodas de Canaã e São Martinho de Tours oferecendo a capa a um pobre. Sob o púlpito, emblemas clericais. Os painéis da capela-mor, de c. 1724, representam um jardim concluso e a Porta Coeli (SIMÕES, 1979, pp. 120-121). Reveste o tecto da capela-mor um conjunto de caixotões com telas representando passos da vida da Virgem.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

A actividade de Gaspar Ferreira em terras do interior beirão, Mundo da Arte

Local

Coimbra

Data

1982

Autor(es)

-

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

FERREIRA, Gaspar (act. 1718-1761), Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

PIMENTEL, António Filipe

Título

A igreja da Misericórdia de Mangualde, Beira Alta

Local

Viseu

Data

1959

Autor(es)

ALVES, Alexandre

Título

Concelho de Mangualde. Antigo concelho de Azurara da Beira

Local

Porto

Data

1978

Autor(es)

SILVA, Valentim da

Título

A Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Mangualde

Local

Mangualde

Data

1993

Autor(es)

ALVES, Alexandre

Título

História da Arte em Portugal, vol. 9

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

BORGES, Nelson Correia

Título

Retábulos das Misericórdias Portuguesas

Local

Faro

Data

2009

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco