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Farmácia Andrade (Sala de Atendimento e Sala de Pesagens e Preparações) - detalhe

Designação

Designação

Farmácia Andrade (Sala de Atendimento e Sala de Pesagens e Preparações)

Outras Designações / Pesquisas

-

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Farmácia

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Misericórdia

Endereço / Local

Rua do Alecrim
Lisboa

Número de Polícia: 123-127

Proteção

Situação Actual

Procedimento encerrado / arquivado - sem protecção legal

Categoria de Protecção

Não aplicável

Cronologia

Despacho de 27-12-2006 do Vereador da Cultura da CM de Lisboa a determinar a extinção e arquivamento do processo de classificação como de IM
Em 30-03-2006 foi dado conhecimento do despacho à CM de Lisboa
Despacho de 17-03-2006 da vice-presidente do IPPAR a encerrar o processo de classificação de âmbito nacional
Parecer favorável de 8-07-2005 da DR de Lisboa
Despacho de 29-07-2004 da Vereadora da Cultura da CM de Lisboa a determinar a abertura do processo de instrução para a eventual classificação como de IM

ZEP

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Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A farmácia Andrade foi fundada por Francisco Fortunato de Assis na viragem para o ano de 1837, iniciando-se as obras de construção a 2 de Janeiro e inaugurando-se ao público o novo serviço a 1 de Julho. Nessa altura, a farmácia apresentava uma divisão espacial diferente da que sobreviveu até hoje, servindo o piso térreo de loja propriamente dita e o piso superior de laboratório.
Os primeiros tempos foram de grande importância para a indústria farmacêutica oitocentista. Não só o seu proprietário e fundador era um dos mais conceituados farmacêuticos da época, como, num dos pisos do edifício, se reunia frequentemente uma tertúlia de homens ligados a esta actividade, a que a centralidade do estabelecimento, em pleno Chiado, não foi alheia. Com efeito, o próprio edifício é um valor patrimonial relevante. Ele impõe-se urbanisticamente como um dos vértices da actual Praça Luís de Camões e, apesar da sua datação avançada na segunda metade do século XIX, é possível perceber que retoma e enquadra elementos estilísticos pombalinos, numa clara colagem ao vocabulário estético sóbrio e ritmado da Lisboa saída do Terramoto de 1755.
Não conhecemos suficientemente esse primitivo estabelecimento, uma vez que, a partir de 1885, ele foi radicalmente transformado. Nesse ano, a farmácia passou para a posse de Francisco Freire de Andrade e seu irmão, Albino António Freire de Andrade, que promoveram grandes obras de actualização estética e reconfiguração funcional. O objectivo, plenamente conseguido, foi o de transformar esta farmácia numa referência da capital, a que não faltou um cunho artístico muito vincado, visível ainda na esmagadora maioria dos elementos que compõem o interior e que estão na base da classificação do imóvel.
Não se ficaram por aqui, todavia, as obras e os melhoramentos do equipamento. Em 1894, desfrutando de grande sucesso comercial, a farmácia foi ampliada, criando-se diversos laboratórios nos pisos superiores, destinados a implementar o método de esterilização desenvolvido por Pasteur. Primeiro laboratório do género em Portugal, à farmácia foram adicionadas outras dependências, como uma oficina de fabrico de objectos de vidro, o que permitiu que todo o processo fosse feito pela mesma empresa e no mesmo espaço.
As principais adulterações ao projecto materializado nos finais de Oitocentos aconteceram muito recentemente. Na década de 70 do século XX, o escritório foi adaptado a perfumaria e, nos últimos anos, a própria farmácia foi objecto de um programa de modernização que, inevitavelmente, actuou sobre o vocabulário estético original sem, contudo, desvirtuá-lo significativamente.
Estilisticamente, existe uma relativa mescla de Romantismo e Neoclassicismo nos elementos que se conservaram. Os mostradores de madeira escura constituem um núcleo ímpar, com as suas decorações em relevo de motivos orientais, como esfinges egípcias, parcialmente douradas que rematam os cantos, e os capitéis vegetalistas. Os tectos são outro núcleo patrimonial de relevo, com estuques rendilhados, contextualizados com os candeeiros de época e alguns espelhos.
Apesar de sujeita a diversas obras de actualização e de consolidação, é notório que, ao longo dos tempos, houve a intenção de preservar a imagem conferida pela ampliação dos irmãos Andrade, numa notável coincidência que faz deste monumento um espelho raro para uma época que tantas marcas deixou na zona do Chiado mas que dia a dia se vai perdendo nas múltiplas obras em edifícios e espaços oitocentistas.
PAF