Saltar para o conteúdo principal da página

Igreja matriz de Arcos de Valdevez, incluindo os azulejos tipo «tapete» e os retábulos de talha - detalhe

Designação

Designação

Igreja matriz de Arcos de Valdevez, incluindo os azulejos tipo «tapete» e os retábulos de talha

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Arcos de Valdevez / Igreja do Divino Salvador(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Arcos de Valdevez / Arcos de Valdevez (São Salvador), Vila Fonche e Parada

Endereço / Local

-- -
Arcos de Valdevez

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Dedicada a São Salvador, que é também o orago da freguesia da margem direita do rio Vez, a igreja matriz que hoje conhecemos testemunha as diferentes campanhas de obras de que foi objecto, entre 1690 e 1770. Este longo tempo, conferiu-lhe múltiplos aspectos que podem ser integrados num gosto barroco austero, como é o caso da própria arquitectura, numa linguagem definida por barroco pleno ou estilo nacional, bem presente nas talhas douradas do interior, ou ainda numa opção rocócó, esta última visível na capela do Calvário, cujo traçado tem vindo a ser atribuído a André Soares.
A edificação da igreja teve início na última década do século XVII, sobre as ruínas de um templo anterior, estando concluída dez anos mais tarde, em 1700. A planta, de cruz latina, com nave única, duas capelas laterais, capela-mor rectangular e uma série de edifícios anexos, reflecte-se na volumetria exterior, à qual se reúne, ainda, a torre sineira, ligeiramente recuada em relação à fachada principal. Esta, talvez mais tardia do que a estrutura arquitectónica do templo (GONÇALVES, 1973, p. 1), é flanqueada por pilastras com fogaréus no remate, constituindo o frontão contracurvado, com escudo central, o elemento de maior dinamismo do conjunto. Ao centro, abre-se o portal, de moldura recta, com ligação ao janelão rectilíneo que se lhe sobrepõe, coroado por frontão triangular curvo.
No interior, a nave é coberta por abobada de berço pintada, no que poderá ser uma reminiscência dos antigos caixotões. O arco triunfal é revestido por talha dourada, que se liga aos altares colaterais, colocados de forma a cortar os ângulos da nave. As capelas laterais são abertas por arcos de volta perfeita com impostas salientes, cobertas por abóbadas de caixotões de talha dourada, e os seus retábulos inscrevem-se, tal como a restante obra de talha, nos modelos do denominado estilo nacional. O do lado da Epístola, dedicado ao Santíssimo Sacramento, é formado por colunas torças que enquadram o sacrário, e no frontal de altar encontra-se esculpida a Última Ceia de Cristo, possivelmente executada entre o final do século XVIII ou o início da centúria seguinte. Do lado oposto, o retábulo da capela de Nossa Senhora da Dores exibe, também, colunas torças, mas intercaladas por mísulas com imagens, e a tribuna é fechada por vitrais que protegem a imagem de Nossa Senhora.
Na capela-mor, o retábulo da mesma época, exibe uma tela com a Ascensão de Cristo. Nas paredes laterais abrem-se duas portas sobre as quais foram pintados, sobre estuque, representações de um cordeiro e um pelicano a alimentar os filhos. Ainda neste espaço, destacam-se os anjos tocheiros, de época joanina (GONÇALVES, 1973, p. 1). O silhar de azulejos de padrão setecentista que reveste este espaço é original, testemunhando uma situação que deveria ter abrangido toda o templo, mas que foi anulada em data incerta, pois os azulejos da nave são recentes.
Uma vez caracterizada a igreja, resta-nos referir um dos seus elementos mais significativos - a capela do Calvário -, adossada ao exterior, do lado da Epístola, no espaço correspondente ao transepto. Atribuída ao arquitecto bracarense André Soares, inscreve-se na sua última década de actividade (1760), devendo ter sido edificada a par da igreja da Lapa, obra que justificou a presença de Soares em Arcos de Valdevez. Ela testemunha as "experiências com o domínio do espaço os exteriores de certos pequenos edifícios", iniciadas no Largo de São Paulo, em Braga, e pode ser cotejada com a capela de Nossa Senhora da Torre, também na cidade dos Arcebispos, ambas desenhadas "na forma de uma dramática tribuna" (SMITH, 1972, p. 507; IDEM; 1973, p. 37).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

O barroco do século XVIII, História da Arte Portuguesa, vol.3

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

Inventário Artístico da Região Norte - I

Local

-

Data

1973

Autor(es)

GONÇALVES, Flávio

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Três artistas de Braga (1735-1775), Bracara Augusta (Actas do Congresso a Arte em Portugal no século XVIII)

Local

Braga

Data

1973

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

André Soares, arquitecto do Minho

Local

Lisboa

Data

1973

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

SOARES, André, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes