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Igreja da Lapa, incluindo os seus retábulos e grades - detalhe

Designação

Designação

Igreja da Lapa, incluindo os seus retábulos e grades

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Arcos de Valdevez / Jolda (Madalena) e Rio Cabrão

Endereço / Local

Largo da Lapa
Rio Cabrão

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Apesar de pouco documentada, o traçado arquitectónico e os elementos decorativos da igreja da Lapa, em Arcos de Valdevez, permitem aproximá-la de outras obras seguramente desenhadas pelo arquitecto bracarense André Soares, a quem este templo tem vindo a ser atribuído pelos diversos investigadores que seguiram a linha de investigação traçada por Roberth Smith (SMITH, 1973). A crer nesta atribuição, a igreja da Lapa inscreve-se na última década da actividade de André Soares (1760), figura relativamente documentada pelo citado historiador norte americano: nascido em Braga no ano de 1720, aí viveu até à data da sua morte, em 1769, com 49 anos. É possível que se deva ao período passado no seminário o conhecimento das gravuras de Augsburgo, que o teria posto em contacto com o espírito rocaille francês (SMITH, 1974, p 501), tão marcante na plasticidade das arquitectura e estruturas retabulares por si concebidas. A sua actividade é principalmente visível na cidade que o viu nascer, embora se tenha estendido a outras áreas da região, como Guimarães, Tibães, Viana do Castelo ou Arcos de Valdevez.
Não se sabe, ao certo, em que data começou a ser edificada a igreja da Lapa, mas dois elementos permitem estabelecer uma cronologia aproximada para a sua construção, ocorrida entre a década de 1750 e a de 1760. Assim, remonta a 1753-54 a estada do padre Angelo Sequeira, responsável pela difusão do culto a Nossa Senhora da Lapa (SMITH, 1973, p. 35; COUTINHO, 1965, pp. 202-203). Por outro lado, a visita de um representante do arcebispo de Braga, em 1767, permite perceber que a igreja já estava concluída nesse ano (SMITH, 1973, p. 35).
A solução planimétrica adoptada por André Soares não deixa de surpreender pelo dinamismo alcançado e pela volumetria exterior, onde se impõe o amplo corpo oval correspondente à nave (com cúpula), mais elevado que a galilé de paredes curvas que o precede, ou do que a capela-mor rectangular, do lado oposto, e a um nível próximo ao da torre sineira. Esta última situa-se junto à capela-mor, no que é considerado uma tradição bracarense (GONÇALVES, 1973, p. 4). Voltamos a encontrar a mesma procura pelas linhas curvas na última obra conhecida de Soares - a igreja dos Santos Passos de Guimarães.
Mas na fachada da Lapa são múltiplos os contactos com outras arquitecturas projectadas anteriormente. A composição unitária que engloba o portal, o janelão superior e o frontão, recorda a mesma unidade observada na casa da Câmara de Braga, enquanto que outros elementos evocam a Casa do Raio, a igreja de Santa Maria da Falperra, ou o Arco da Porta Nova, em Braga (SMITH, 197, p. 36).
No interior, os alçados são dinamizados pelas pilastras que definem os diferentes panos murários, alterando composições formadas por porta, janela de sacada e óculo, com os retábulos laterais, de talha dourada e polícroma, executados em 1771. Muito embora André Soares tenha também desenvolvido um importante trabalho ao nível da talha dourada, com o desenho de vários retábulos cujo gosto foi prolongado pela actividade do seu discípulo, Frei José de Santo António Vilaça, a talha que observamos na Igreja da Lapa tem vindo a ser atribuída, exactamente, ao beneditino, inscrevendo-se na segunda fase da sua longa carreira. De facto, entre 1768 e 1770 Frei António Vilaça manteve o dinamismo das suas composições, mas procurando uma maior simetria e linearidade, num conjunto que tendia a valorizar a policromia, nomeadamente, a imitação do mármore (PEREIRA, 1995, p. 114). São, precisamente, estes aspectos que encontramos nos retábulos laterais e no retábulo-mor (1770) da igreja de Arcos de Valdevez, incluindo-se ainda nesta campanha decorativa as restantes obras de talha (grades da varanda e coro) (SMITH, 1973, p. 36; IDEM, 1963; IDEM, 1972).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

O barroco do século XVIII, História da Arte Portuguesa, vol.3

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

A Talha em Portugal

Local

Lisboa

Data

1962

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

André Soares, arquitecto do Minho

Local

Lisboa

Data

1973

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

SOARES, André, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

Frei José de Santo António Ferreira Vilaça escultor beneditino do século XVIII

Local

Lisboa

Data

1972

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

Inventário Artístico da Região Norte - I

Local

-

Data

1973

Autor(es)

GONÇALVES, Flávio