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Igreja do Ermelo - detalhe

Designação

Designação

Igreja do Ermelo

Outras Designações / Pesquisas

Igreja do antigo Mosteiro de Ermelo / Igreja de Ermelo(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Porto / Baião / Ancede e Ribadouro

Endereço / Local

Quinta de Ermelo
Ermelo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Um inventário dos bens do mosteiro beneditino de Guimarães, datado de 1059, refere já a posse de Ermelo. Aí existiu um mosteiro beneditino, construído no século XIII, e do qual restam apenas as ruínas de uma igreja românica de três naves, visto que do corpo conventual não resta quase nada. Foi abandonado, e emprazado a particulares, passando a integrar uma residência senhorial, conhecida por casa e quinta de Ermelo. O mais antigo emprazamento da dita casa foi feito em 1539, pelos cónegos regrantes de Ancede.
A igreja está flanqueada pelas habitações solarengas que se foram construindo na sua vizinhança, igualmente em estado de abandono. Do templo, restam apenas os muros. Trata-se de um corpo longitudinal de três naves, separadas por arcos ogivais, com capela-mor quadrada. A fachada principal é rasgada por um arco ogival com decoração fitomórfica, de tipologia românica, encimado por estreita fresta rectangular. A empena é triangular e muito larga, abrangendo as três naves. A cobertura era em telhado de duas águas, com tecto de madeira, tendo já desaparecido na totalidade; o espaço interior encontra-se a descoberto. Nas fachadas Norte e Sul abrem-se mais dois portais ogivais, também com decoração muito arcaica; estas fachadas conservam ainda muitos cachorros .
O interior é iluminado por várias frestas, três das quais na capela-mor, estas conjugadas com uma janela ogival. O arco triunfal é, mais uma vez, um largo vão ogival, com uma arquivolta denteada. Na parede fundeira destacam-se os vestígios do retábulo do altar-mor, em talha, inteiramente saqueado. Numa coluna da nave pode ver-se o escudo das quinas, tendo como tenentes dois anjos alados.
Apesar de ter sido erguida em meados do século XIII, em plena fase de imposição do estilo gótico, a Igreja de Ermelo pertence ainda ao longo período de transição entre o novo estilo e o românico, de influência tão duradoura no território nacional. Aqui se alia claramente a austera e robusta estrutura românica, iluminada por diminutas frestas, a alguns elementos arquitectónicos do gótico inicial, nomeadamente os arcos apontados, que apesar da modernidade que introduzem convivem ainda com decoração muito arcaizante.
O espaço encontra-se presentemente invadido pela vegetação, e em estado de absoluto abandono. Há poucas décadas, foi utilizado como dependência agrícola, servindo de celeiro, e chegando a abrigar um lagar - cujos vestígios ainda são visíveis na nave lateral Norte, junto da cabeceira. Em 1932, a quinta onde se insere, incluindo a casa senhorial, foram vendidas pelos descendentes do seu primeiro proprietário civil (a quem os cónegos de Ancede haviam emprazado a propriedade no século XVI) ao dono da Casa de Sequeiros, na mesma freguesia, a quem ainda pertence.
Sílvia Leite

Imagens