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Estação arqueológica do Alto do Coto da Pena - detalhe

Designação

Designação

Estação arqueológica do Alto do Coto da Pena

Outras Designações / Pesquisas

Povoado do Alto do Couto da Pena (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Povoado Fortificado

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Caminha / Caminha (Matriz) e Vilarelho

Endereço / Local

Alto do Coto da Pena
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Embora já referenciada pelo conhecido arqueólogo de novecentos, Abel Viana, como sendo um castro (VIANA, A., 1932), foram, na verdade, as escavações empreendidas nos anos oitenta do século passado na "Estação arqueológica do Alto do Coto da Pena" que permitiram colocar a descoberto uma série de vestígios estruturais característicos deste tipo de povoado fortificado, neste caso situado no topo de um maciço rochoso existente na confluência do rio Coura com o Minho.
Perfeitamente enquadrado na região em termos cinegéticos e culturais, mantendo uma relação de proximidade privilegiada com o mar, o rio e outros importantes povoados fortificados da Idade do Ferro, como a "Cividade de Âncora" e "Santa Tecla" (este último já na Galiza), o castro do "Coto da Pena" tem ocupado um lugar central na investigação geral da temática castreja, ainda que uma pequena parte da área originalmente ocupada pelo povoado tivesse sido destruída em finais do anos setenta na sequência da realização de trabalhos de terraplanagem.
E, na verdade, foi, precisamente, esta situação que alertou as autoridades e a população local para a urgência do seu estudo, promovendo-se, de imediato, prospecções arqueológicas no terreno, que permitiram recolher, à superfície, inúmeros artefactos distintivos deste tipo de arqueossítio, como materiais líticos, objectos metálicos e os sempre presentes fragmentos cerâmicos, a atestar, no fundo, o carácter permanente do qual se revestiu a sua ocupação ao longo de uma determinada baliza cronológica, ocorrida, neste caso, entre a Idade do Ferro, o período de ocupação romana do actual território português e a Idade Média (com a construção de um castelo na zona alta), embora tenham sido identificados vestígios que denunciam uma primeira ocupação ainda durante a Idade do Bronze.
Estamos, por conseguinte, em presença de um povoado dotado de um complexo sistema muralhado harmonizado com as excelentes condições defensivas proporcionadas pela própria topografia do terreno, amplo de afloramentos graníticos e de acentuado declive. Na realidade, foi apenas possível, até ao momento, identificar uma única linha de muralha, contrariamente ao que sucede numa parte expressiva dos sítios congéneres. Assente numa superfície especialmente preparada para o efeito na rocha aí existente, a muralha é composta de vários alinhamentos de material pétreo afeiçoado de forma diversa, definindo toda uma área interna destinada às actividades domésticas. Aqui, registaram-se várias estruturas habitacionais graníticas de planta circular, alongada e rectangular (mas com os ângulos arredondados), aparentemente nucleadas, algumas das quais com lareira, a par de uma edificação circular destacada das restantes por ocupar a cota mais elevada do povoado. Factores estes que, no conjunto, contribuem para a originalidade deste povoado no contexto da denominada "Cultura Castreja" desta região do país.
E o espólio exumado no local parece confirmar esta situação, para além de consubstanciar o facto de ter desfrutado de uma posição privilegiada ao nível da agricultura, da pastorícia, da exploração marítima e da própria actividade comercial, bem patente nos múltiplos objectos recolhidos, eles próprios a denunciarem a existência de relações atlânticas, hallstáticas, meridionais e mediterrâneas.
Temos, assim, que, para além das cerâmicas indígenas fabricadas manualmente em pastas grosseiras, mas com excelentes acabamentos e uma gramática decorativa geométrica incisa e estampilhada, surgem os exemplares importados, maioritariamente decorrentes de trocas realizadas entre os séculos IV e III a.C., posteriormente acentuadas a partir da segunda metade do século I d. C., até aos III-IV (num movimento registado pela presença de tegulae, imbrices, ânforas, sigillata hispânica e vidros), altura em que ocorreu um violento incêndio alastrado a todo o povoado.
[AMartins]

Bibliografia

Título

A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal

Local

Paços de Ferreira

Data

1986

Autor(es)

SILVA, Armando Coelho Ferreira da

Título

Caminha e seu concelho

Local

Caminha

Data

1985

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Coto da Pena, Informação Arqueológica

Local

Lisboa

Data

1985

Autor(es)

SILVA, Armando Coelho Ferreira da, LOPES, António Baptista

Título

A cultura castreja no noroeste de Portugal. Habitat e cronologias, Portugália

Local

Porto

Data

1984

Autor(es)

SILVA, Armando Coelho Ferreira da

Título

Justificação de um cadastro de monumentos arqueológicos para o estudo da arqueologia do Alto-Minho, Anuário do Distrito de Viana do Castelo

Local

Viana do Castelo

Data

1932

Autor(es)

VIANA, Abel

Título

Guia de Portugal, v.4, t. II : Entre Douro e Minho, Minho

Local

Lisboa

Data

1996

Autor(es)

DIONÍSIO, Sant'Ana