Marco granítico n.º 91 - detalhe
Designação
Designação
Marco granítico n.º 91
Outras Designações / Pesquisas
Marco no Lugar do Barreiro / Marcos de Demarcação da Zona de Produção de Vinhos Generosos do Douro em Lamego (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Categoria / Tipologia
Arquitectura Civil / Marco
Inventário Temático
-
Localização
Divisão Administrativa
Viseu / Lamego / Parada do Bispo e Valdigem
Endereço / Local
- no caminho do Barreiro para o Alto da Portela
Lugar do Barreiro
Proteção
Situação Actual
Classificado
Categoria de Protecção
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
Cronologia
Decreto n.º 35 909, DG, Série I, n.º 236, de 17-10-1946 (ver Decreto)
ZEP
-
Zona "non aedificandi"
-
Abrangido em ZEP ou ZP
-
Abrangido por outra classificação
-
Património Mundial
-
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizado no Lugar do Barreiro, na freguesia de Valdigem, em Lamego, o marco granítico n.º 91 integra o conjunto de mais de cem padrões que fazem a demarcação geográfica do território da Região Vinhateira do Alto Douro, ou Alto Douro Vinhateiro.
O padrão, que se encontra integrado num muro de aparelho de pedra sem reboco, erguido junto ao caminho que liga o Barreiro ao Alto da Portela, apresenta a forma de um paralelepípedo de remate liso com 73 cm de altura por 34 cm de largura. Na face principal exibe a inscrição "Nº 22 FEITORIA 1758", dividida em quatro linhas e com os entalhes das letras já desgastados.
História
Embora se conheçam referências documentais ao Vinho do Porto desde o terceiro quartel do século XVII, será a partir do Tratado de Methuen, celebrado em 1703 entre Portugal e Inglaterra, que este produto começou a granjear o prestígio que ainda hoje detém. O referido acordo entre as duas coroas estimulou de forma notória a produção nacional, procedendo-se então à reestruturação dos vinhedos e elegendo-se os terrenos da zona do Cima Corgo para a sua produção.
No entanto, a elevada produção da região, que transformou totalmente a sua paisagem e passou a dedicar-se em exclusivo à vinha, levou a uma crise de superprodução de vinho, apenas ultrapassada com a criação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, no ano de 1756, por iniciativa do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal. O estabelecimento da Companhia teve como objetivo demarcar a região vinícola do Alto Douro, garantindo assim a qualidade do vinho e criando a primeira zona mundial de origem controlada no sentido em que é hoje entendido esse conceito.
Foi justamente no âmbito desta medida que em 1757 se procedeu à demarcação da área dos terrenos de produção vinícola, ou dos vinhos de "feitoria", através da colocação de 201 marcos de granito, aos quais se juntaram, em 1761, mais 134 marcos. Este vasto conjunto de imponentes padrões de pedra marca uma extensa região que se estende ao longo do troço médio do vale do Douro e parte dos seus afluentes, definida entre Barqueiros e Freixo de Espada à Cinta, subdividindo-se, grosso modo, nas três sub-regiões do Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior.
Executados em granito, estes padrões paralelepipédicos foram gravados com a designação "Feitoria", havendo nalguns casos a adição do ano em que foram colocados. A demarcação e a respetiva colocação dos marcos foram realizadas pela Comissão Demarcante, constituída por Carvalho e Melo; o texto resultante deste trabalho permite identificar as vinhas demarcadas, os seus proprietários e o local de implantação original do marco.
Em 1946 grande parte dos marcos pombalinos foram classificados como de interesse público, sendo então catalogados com um número. Estão integrados na classificação do Alto Douro Vinhateiro, inscrito em 2001 na lista de Património Mundial da UNESCO e classificado como Monumento Nacional desde 2010.
Este marco, classificado com o n.º 91, foi o vigésimo segundo marco da demarcação da costa meridional do Douro, sendo colocado no carreirão para a Portela de Valdigem, junto ao muro que então delimitava a vinha de José Vicente, Mestre de Campo.
Atualmente, o padrão está colocado no Lugar do Barreiro, num muro marcado por oliveiras que se encosta ao caminho público, junto à Quinta da Tapada.
Catarina Oliveira
DGPC, 2018
(com a colaboração do Museu do Douro)
Imagens
Bibliografia
Título
As demarcações pombalinas no Douro vinhateiro
Local
Porto
Data
1951
Autor(es)
FONSECA, Álvaro Baltasar Moreira da
Título
Marcos da Demarcação
Local
Peso da Régua
Data
2007
Autor(es)
AA.VV.
Título
As demarcações marianas no Douro vinhateiro
Local
Porto
Data
1996
Autor(es)
FONSECA, Álvaro Baltasar Moreira da
