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Marco granítico n.º 89 - detalhe

Designação

Designação

Marco granítico n.º 89

Outras Designações

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Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Marco

Inventário Temático

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Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Lamego / Parada do Bispo e Valdigem

Endereço / Local

Quinta de Santo António
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Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 35 909, DG, Série I, n.º 236, de 17-10-1946 (ver Decreto)

ZEP

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Zona "non aedificandi"

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Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

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Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Localizado na Quinta de Santo António, este marco integra um conjunto de outros exemplares da mesma tipologia executados em granito e protegidos em 1946, caracterizando parte importante de toda a região vinhateira do Alto Douro inscrita na lista de Património Mundial da UNESCO sob a designação genérica de "Alto Douro Vinhateiro".
Esta região encontra-se geograficamente demarcada ao longo do troço médio do vale do Douro e parte dos seus afluentes, definida entre Barqueiros e Freixo de Espada à Cinta, subdividindo-se, grosso modo, nas três sub-regiões do Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior, com toda a diversidade que lhe é característica em termos de Fauna e de Flora, essencialmente decorrente das variadas características geológicas e influências climatéricas típicas desta região do país, que sobressairá, no entanto, pela sua "mediterraneidade". Foi, contudo, a especificidade dos seus solos que acabou por conferir a toda esta região uma paisagem de contornos absolutamente únicos no panorama nacional e internacional, elevando-a ao lugar de mais antiga região vitícola do Mundo, regulamentada por um sistema de classificação das parcelas e dos respectivos vinhos, numa expressão máxima da influência do elemento antrópico sobre o desenvolvimento económico e cultural desta região ao longo dos séculos, expressa no elemento paisagístico, sua principal fonte de recursos de vivências quotidianas. Mas o "Alto Douro Vinhateiro" é de igual modo exemplar pela hegemonia, quase única, alcançada entre o Homem e a Natureza, numa interligação contínua de respeito e de afectos, que os crescentes interesses urbano-industriais ainda não lograram corromper, criando um ecossistema modelado por socalcos que evitam a erosão dos terrenos e permitem o cultivo da vinha. Pelo contrário, o indiscutível valor antigo, histórico e monumental desta vasta região transformou-se na sua maior valência, salvaguardando-a para a posteridade, enquanto "projecto" cultural (porquanto socialmente único, sobretudo em termos etnográficos) inserto numa ampla estratégica de crescimento das regiões do interior de Portugal mediante a criação de novos roteiros e necessidades turísticas. Datará de 1675 a primeira alusão que possuímos à existência do "Vinho do Porto", inserta numa documentação referente à sua exportação para os Países Baixos. Foi, no entanto, com o "Tratado de Methuen", celebrado em 1703 entre Portugal e Inglaterra, que este produto começou a obter a projecção que conhecemos desde então, designadamente ao penetrar no exigente e restritivo mercado britânico, que passaria a optar pelos vinhos portugueses. O enorme sucesso alcançado com esta medida estimulou de forma notória os seus produtores, procedendo-se, já em pleno século XVIII, à ampla reestruturação dos vinhedos, elegendo-se os terrenos da zona do Cima Corgo, onde o vinho obtido se apropriaria mais às tradições alimentares das Ilhas Britânicas. Foi essencialmente a partir dessa altura que se operou uma ampla transformação na paisagem circundante, adaptando-a às necessidades económicas de todo um país. Mas ao submeter-se, dessa forma, ao domínio da vinha, teve lugar uma crise de superprodução, apenas ultrapassada com a criação, em 1756, da "Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro" por iniciativa do futuro Marquês de Pombal (1699-1782) com a qual se pretendia garantir a qualidade do vinho, a fixação dos preços e a demarcação da região vinhateira. E foi justamente no âmbito desta última medida que logo no ano seguinte em 1757, se procedeu à colocação de 201 marcos de fabrico com a intenção de prolongar esta primeira grande delimitação, alargada quatro anos depois, com a fixação de mais 134 marcos. Executados em granito, é na face alisada destes elementos paralelepipédicos voltada para os caminhos, que se lê, epigrafada, a designação "Feitoria 1758" ou "Feitoria 1761" com a qual se distinguem os vinhos exportáveis.
[AMartins]