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Cividade de Terroso - detalhe

Designação

Designação

Cividade de Terroso

Outras Designações / Pesquisas

Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa do Varzim / Cividade de Terroso(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Povoado

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Porto / Póvoa de Varzim / Aver-o-Mar , Amorim e Terroso

Endereço / Local

Rua do Visconde de Azevedo
Terroso

Número de Polícia: 17

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 44 075, DG, I Série, n.º 281, de 5-12-1961 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

As escavações levadas a cabo ainda no início do século XX na Cividade de Terroso, nas proximidades de Póvoa de Varzim, colocaram a descoberto um povoado fortificado castrejo já do período da romanização desta zona da Península Ibérica. Mas, embora a maior parte das estruturas que se observam actualmente tenham sido edificadas já durante o período da romanização desta região, a maioria dos aspectos que caracterizam este povoado fortificado podem ser imputáveis a épocas bem mais anteriores. Localizado numa plataforma elevada, com um bom domínio da paisagem onde se insere, esta citânia era defendida por mais de uma linha de muralhas, construídas com o material pétreo típico da zona, ou seja, com blocos graníticos. E seriam estes mesmos panos de muralha que acabavam por delimitar as grandes áreas familiares, no interior das quais se edificavam as típicas habitações - também elas com muro granítico, erguido até, sensivelmente, um terço da sua altura real -, de planta predominantemente circular.
Esta última, constitui, na verdade, um dos principais traços característicos da casa castreja da II Idade do Ferro do Noroeste Peninsular. Maioritariamente circular, a habitação castreja tinha cerca de 5 metros de diâmetro, e as paredes eram constituídas por duplo paramento, um interno, e outro externo. No interior de casa, e para além da lareira, observa-se a presença de um buraco centralizado, no qual se colocava o poste que sustentava a cobertura, de materiais perecíveis e de forma cónica, como, aliás, se deduz da planta circular da habitação. Além disso, eram adossados dois muros à porta de entrada, de maneira a delimitar um átrio onde decorreria parte significativa das actividades domésticas. Algumas destas casas formariam conjuntos mais alargados, aos quais pertenceriam outras estruturas de características comunais (possivelmente também para guardar gado, que, em conjunto com a agricultura, perfaria uma das bases essenciais da economia destas gentes), e que, grosso modo, equivaleriam a diferentes "famílias alargadas", perfazendo, elas próprias, o conjunto mais abrangente da Citânia, no seu todo.
Durante muito tempo considerou-se uma verdadeira incógnita a localização das necrópoles correspondentes aos castros do Noroeste Peninsular, sobretudo quando as únicas documentações relacionadas com as práticas funerárias das suas populações se resumiam à descoberta de algumas urnas cinerárias no interior dos recintos habitacionais.
E, embora as investigações realizadas, quer nesta Cividade, quer na de Âncora, tivessem possibilitado a identificação de pequenos recintos localizados no seio dos núcleos familiares onde se encerravam as urnas cinerárias pertencentes a cada uma das grandes famílias constituintes do povoado, permanece ainda por esclarecer, quer a real dimensão e abrangência desta prática, como os rituais que, certamente, lhe estariam subjacentes. Sabe-se, contudo, que, além de imputáveis ao período da presença romana nesta zona do país, tais necrópoles eram formadas por cistas de pedra e tijolo de planta quadrangular, no interior das quais se depositava a urna cinerária, normalmente acompanhada de um artefacto cerâmico.
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